Fatores do meio físico associados ao estabelecimento de espécies rústicas em ecossistemas perturbados na Mata Atlântica, Piraí, RJ – Brasil

Hiram Feijó Baylão Junior, Ricardo Valcarcel, Felipe Cito Nettesheim

Resumo


 

http://dx.doi.org/10.5902/1980509810542

Ecossistemas perturbados não apresentam composição florística original, os solos encontram-se exauridos, rasos, pedregosos, com baixa infiltração, revelando processos erosivos com diferentes níveis de geodinamismo. A área de estudo apresenta pastagens com vegetação herbácea espaçada e fragilizada a cada chuva ou incêndio, onde os indivíduos florestais que colonizaram e se estabeleceram nesses ambientes foram definidos como espécies rústicas. Este estudo objetivou relacionar as variáveis do meio físico (exposição, declividade, elevação, relevo e afloramentos rochosos) com o estabelecimento e crescimento das espécies rústicas levantadas e identificadas por censo, em trecho perturbado (terço inferior) da bacia do rio Cacaria, situado na base da serra do Mar, Piraí – RJ. Para o levantamento da vegetação foi realizado censo em uma área de 22 hectares, onde foram mensuradas, identificadas e georreferenciadas todas as espécies arbóreas de ocorrência espontânea que se encontravam isoladas em uma área de pastagem. Os fatores ecológicos exposição, elevação e declividade foram determinados com bússola, altímetro e clinômetro, respectivamente. Foram levantados e identificados 131 indivíduos, constituindo 14 espécies, agrupadas em 9 famílias. Tabernaemontana laeta Mart., Sparattosperma leucanthum (Vell.) Schum., Machaerium hirtum (Vell.) Stellfeld, Tabebuia chrysotricha (Mart. ex DC.) Stan., Cecropia pachystachya Trec., Peltophorum dubium (Spreng.) Taub., Guarea guidonia (L.) Sleumer, Acacia polyphylla DC. e Psidium guajava L. estiveram presentes em trechos da encosta com exposição para o norte, com cotas altitudinais de 60m a 80m e com declividade fortemente ondulada (20-45%), indicando preferência dessas espécies por micro-habitats com essas características.


Palavras-chave


florística; ecossistemas perturbados; restauração

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DOI: https://doi.org/10.5902/1980509810542

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