VIOLÊNCIA E MEMÓRIA CORPORAL COMO DISPOSITIVO DE (RE) ORGANIZAÇÃO DE SUBJETIVIDADES NA LITERATURA DE HERTA MÜLLER

Adriana Yokoyama, Rosani Úrsula Ketzer Umbach

Resumo


Resumo: O trabalho objetiva analisar as narrativas: O compromisso (2009), Fera d’alma (2013) e A raposa já era o caçador (2014), de Herta Müller, perscrutando as memórias da violência ditatorial e seus efeitos. As narrativas, embora diferenciadas, relatam a crueldade e a intolerância do regime liderado por Nicolae Ceuasescu (1965-1989), na Romênia. Assim, as experiências do medo da vida e da morte, e, sobretudo, a ausência de expectativas quanto ao futuro, são relatadas por Herta Müller. As análises partem não apenas das observações das personagens que compõem as narrativas, mas da escrita dissidente e resistente de uma escritora que traz em sua história as marcas do mesmo regime ditatorial sofrido por suas personagens. Nesse sentido, nosso intuito é demonstrar a construção de uma linguagem produzida por um discurso pautado pela necessidade de expurgação. Tal ação que pontua o estilo literário de Müller, reporta-nos aos conceitos de Hannah Arendt em relação à importância da ação e do discurso para a constituição humana. Além disso, os estudos memorialísticos de Aleida Assmann, contribuem para auxiliar a compreensão dos efeitos da violência imposta pelo regime na vida desses indivíduos e, sobretudo, as marcas inscritas em seus corpos. Desse modo, a escrita mülleriana, produzida sob os efeitos do terror e da crueldade humana, encontra na literatura a força para tentar dar conta do descalabro da humanidade e para que não haja reincidência deste crime


Palavras-chave


Herta Müller; Violência; Escrita fragmentada; Ação; Memória corporal.

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DOI: https://doi.org/10.5902/1516849239083

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