Literatura marginal: a genealogia de uma escrita de resistência

Autores

DOI:

https://doi.org/10.5902/1679849X68099

Palavras-chave:

Ferréz, Literatura empenhada, Enunciação marginal.

Resumo

O estudo propõe uma genealogia para o fenômeno da “literatura marginal”, que emerge no sistema literário brasileiro no início do século XXI a partir do agenciamento de Ferréz, ensejando embate fundamental na cena cultural contemporânea através da reivindicação de seus autores por reconhecimento como produtores de cultura. Tendo como o fundamento a concepção de Stuart Hall (2006), que vê no jogo das relações culturais “a luta de classes na cultura”, propõe-se uma linhagem composta por autores historicamente identificados com a margem representada em seus textos. Entende-se ser Euclides da Cunha o primeiro autor nacional a propor, um século antes, uma escrita que se fazia instrumento de denúncia da opressão dos segmentos marginalizados de então, os sertanejos. Lima Barreto, Plínio Marcos e João Antônio oferecem ao longo do século XX uma mudança radical de perspectiva nessa série literária, passando a enunciar a resistência a partir do próprio espaço em que habitavam.

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Publicado

2021-12-29 — Atualizado em 2022-01-13

Versões

Como Citar

Coronel, L. (2022). Literatura marginal: a genealogia de uma escrita de resistência. Literatura E Autoritarismo, (38). https://doi.org/10.5902/1679849X68099 (Original work published 29º de dezembro de 2021)