Do verso ao berro: vozes de resistências frente ao projeto “civilizatório brasileiro” nos campos da literatura e da música popular

Autores

DOI:

https://doi.org/10.5902/1679849X67806

Palavras-chave:

Linguagem, Resistência, Projeto Civilizatório

Resumo

O presente artigo tem por objetivo analisar, na formação cultural brasileira, a linguagem de resistência em épocas distintas, a partir de uma perspectiva decolonial (FANON, 2020), considerando o projeto civilizatório de nação por que passou o Brasil do início do século XIX. Trata-se, assim, de perceber as vozes de resistências que soaram, no início da República, em defesa dos socialmente excluídos com Luiz Gama, na literatura, e com Alberto Nepomuceno, na formação da canção brasileira, e contemporaneamente as expressões literárias de Conceição Evaristo, por meio do conto “A gente combinamos de não morrer”, e o estilo musical do Rap no cenário sociocultural brasileiro.

Biografia do Autor

Filipe da Silva Moreira, Universidade Federal de Minas Gerais.

Professor de Literatura e servidor técnico administrativo do Instituto Federal de Minas Gerais - Campus Ibirité, na função Técnico em Assuntos Educacionais. Mestrando em Educação e Docência pela FAE/UFMG.

Pedro Teixeira Castilho, Universidade Federal de Minas Gerais.

Mestre em Literatura e Psicanálise FALE (UFMG)
Doutror em Teoria Psicanalítica (UFRJ)
Pós-Doutor em Psicologia Clínica (USP)
Professor da Faculdade de Educação UFMG.

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Publicado

2021-12-29 — Atualizado em 2022-01-13

Versões

Como Citar

Moreira, F. da S., & Castilho, P. T. (2022). Do verso ao berro: vozes de resistências frente ao projeto “civilizatório brasileiro” nos campos da literatura e da música popular. Literatura E Autoritarismo, (38). https://doi.org/10.5902/1679849X67806 (Original work published 29º de dezembro de 2021)