O problema da afecção no pós-kantismo e a concepção de intuição empírica em Schopenhauer

Daniel Quaresma F. Soares

Resumo


Este artigo começa apresentando de modo sintético elementos da polêmica em torno do chamado problema da afecção, ocorrida nos anos seguintes a publicação da Crítica da razão pura. Com esse fim, são reconstituídos brevemente alguns argumentos de Jacobi, Reinhold, Schulze e Fichte. Essa reconstituição serve de base a apresentação, em seguida, de como Schopenhauer interpreta historicamente o problema da afecção e, a seu modo, absorve suas exigências em componentes importantes de sua filosofia, procurando resolvê-lo por meio de sua concepção de intuição empírica. Como pano de fundo, a exposiça o desse movimento permite problematizar a autoproclamada rejeiça o total de Schopenhauer a filosofia pós-kantiana e, em contrapartida, evidenciar um elemento central da fidelidade schopenhaueriana ao projeto original da filosofia crítica.


Palavras-chave


Schopenhauer; Problema da afecção; Intuição empírica; Coisa-em-si

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DOI: https://doi.org/10.5902/2179378633696

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