Educação escolar e o silenciamento indígena no Brasil: uma análise antropológica do genocídio epistemológico

Autores

DOI:

https://doi.org/10.5902/1983734895015

Palavras-chave:

Povos indígenas, Educação escolar, Decolonialidade

Resumo

O artigo analisa os processos de silenciamento das culturas indígenas no contexto da educação escolar brasileira como formas de genocídio epistemológico, articulando contribuições da antropologia e da educação decolonial. A partir de uma abordagem teórico-reflexiva, fundamentada em produções de Kayapó, Xerente, Cunha, Viveiros de Castro, Pimentel e Rocha, problematiza-se a distância entre os avanços legais  em especial a Lei nº 11.645/2008 e os currículos escolares eurocêntricos que mantêm práticas de invisibilização. Como recorte empírico-analítico, discute-se a experiência do povo Iny Mahãdu e a centralidade de seus grafismos corporais como tecnologias ancestrais de educação, memória e resistência. Os resultados apontam que, apesar de garantias legais, persistem práticas pedagógicas que reiteram epistemologias coloniais, demandando transformações profundas na formação docente, nos currículos escolares e nas políticas públicas educacionais para efetivar uma educação intercultural e decolonial. Conclui-se que a escola só será um espaço de justiça cognitiva se construída em diálogo com os povos indígenas, respeitando suas lógicas de conhecimento e modos próprios de aprender e ensinar.

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Biografia do Autor

Natália Rita de Almeida, Universidade Federal de Goiás

Doutoranda em Educação pela Universidade Federal de Goiás (UFG), com Mestrado em Direitos Humanos pela mesma instituição. Licenciada em História pela Universidade Estadual de Goiás (UEG). Possui experiência em docência no Ensino Superior, atuando como professora na Universidade Estadual de Goiás (UEG), com ênfase na formação de professores e em temáticas relacionadas à diversidade, direitos humanos e educação crítica. Atua na área de Educação, desenvolvendo pesquisas com foco nas relações étnico-raciais, a partir das perspectivas da educação intercultural, interdisciplinar e transdisciplinar. Seus estudos concentram-se especialmente nas interfaces entre povos indígenas, populações afro-brasileiras e a sociedade envolvente, abordando questões relacionadas à identidade, territorialidade, saberes tradicionais, colonialidade, interculturalidade crítica e políticas educacionais.Possui experiência na formação inicial e continuada de professores, tendo atuado como docente/formadora bolsista no Plano Nacional de Formação de Professores da Educação Básica (PARFOR), nos cursos de graduação em Educação Intercultural Indígena da Universidade Federal de Goiás (UFG). Desenvolve pesquisas e práticas comprometidas com a educação antirracista, a valorização da diversidade sociocultural e a defesa dos direitos humanos, articulando teoria e prática no campo da educação, com especial atenção aos contextos indígenas e afro-brasileiros.

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KAYAPÓ, Edson. A diversidade sociocultural dos povos indígenas no Brasil: o que a escola tem a ver com isso? In: EDUCAÇÃO EM REDE: culturas indígenas, diversidade e educação. Rio de Janeiro: SESC, 2019. p. 56–80.

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Publicado

2026-08-04

Edição

Seção

Dossiê – Artes Indígenas Contemporâneas: acontecimentos de uma década anunciada