“Eu não consigo ser professor sem ser LGBT”: aspectos relevantes na constituição da identidade docente de professores LGBTI+ em Minas Gerais
DOI:
https://doi.org/10.5902/1984644496707Palavras-chave:
Identidade Docente, LGBTI , História de VidaResumo
A noção de identidade, segundo a perspectiva histórico-cultural descrita por Vygotsky (1984) e Silva (2009), constitui-se de forma inerente às interações do indivíduo com o meio. A escola apresenta-se como um frequente palco de violências direcionadas à população LGBTI+, ainda que, normativamente, seja responsável pelo respeito à diversidade sexual e de gênero. Assim, a constituição da identidade docente do professor LGBTI+ pode ser atravessada diretamente por elementos que não afetem demais profissionais na mesma posição. Nesse sentido, o presente trabalho objetiva discutir fatores que atravessam a constituição de identidade docente dos professores autodeclarados LGBTI+ de Uberaba, a fim de compreender a forma com que estes impactam nesta constituição. Foram realizadas sete entrevistas com docentes atuantes da Educação Básica no município, a partir da metodologia História de Vida. Os dados construídos foram analisados por meio da Análise de Conteúdo temática. Foram identificados fatores relacionados ao desenvolvimento humano, sexual e formativo, como configuração familiar, posição ideológica familiar, vivência escolar enquanto estudante e crença religiosa. Foram identificados também fatores relacionados às percepções do docente acerca da escola e do fazer docente, tais como percepção de conservadorismo nas escolas nas quais atuam, experiências de violência direcionada à população LGBTI+ na escola, desvalorização da profissão docente e papéis sociais de gênero. Por fim, fatores oriundos das relações interpessoais na escola, como a relação com os pares, a abertura destes à questões relacionadas à diversidade sexual e de gênero na escola, recepção dos alunos aos mesmos tópicos e relação com os cuidadores.
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