Platão e a possibilidade de uma invenção conceitual do cinema: da alegoria da caverna à materialização da imagem em movimento – uma perspectiva da Filosofia Palpável
DOI:
https://doi.org/10.5902/2448065796106Palavras-chave:
Platão, Cinema, Alegoria da caverna, Mediação, Ensino de filosofiaResumo
Este artigo propõe um reposicionamento conceitual da origem do cinema, deslocando-a de sua invenção técnica, no final do século XIX, para uma fundamentação situada na Alegoria da Caverna de Platão. A tese central argumenta que os elementos estruturais da experiência cinematográfica — projeção, imobilidade do espectador e mediação da realidade — podem ser compreendidos como antecipados na filosofia platônica. Para além de uma releitura teórica, o estudo enfatiza as implicações pedagógicas dessa abordagem para o ensino de filosofia. Ao compreender o cinema como forma de mediação cognitiva e experiencial, o artigo sugere possibilidades didáticas voltadas à transformação de conceitos filosóficos abstratos em experiências perceptíveis e afetivas no processo de aprendizagem. A discussão aprofunda-se a partir da proposta da Filosofia Palpável, entendida aqui como uma abordagem teórico-metodológica em desenvolvimento, que integra dimensões sensoriais — como cinestesia e sinestesia — à construção do conhecimento, contribuindo para metodologias ativas e para uma compreensão incorporada do pensamento filosófico. Além disso, o artigo estabelece diálogo com a produção cultural brasileira, especialmente com a “Estética da Fome” de Glauber Rocha, evidenciando como processos criativos e conceituais podem emergir em contextos de limitação material, aspecto relevante para práticas educacionais. Do ponto de vista metodológico, a pesquisa caracteriza-se como qualitativa, de natureza teórico-interpretativa, com abordagem hermenêutica, articulando Filosofia Clássica, Teoria do Cinema — com destaque para André Bazin e Christian Metz — e Fenomenologia, notadamente em Henri Bergson. Os resultados indicam o potencial do cinema como objeto e método no ensino de filosofia, favorecendo uma compreensão mais reflexiva, sensível e experiencial da atividade filosófica.
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