Estabilização política e a abertura econômica chinesa: o papel do pós-1978
DOI:
https://doi.org/10.5902/2357797596158Palavras-chave:
Estabilidade política, Legitimidade institucional, Abertura econômicaResumo
O presente artigo tem por objetivo analisar como a estabilização política promovida pelo Partido Comunista Chinês, sob a liderança de Deng Xiaoping, condicionou historicamente o processo de abertura econômica iniciado em 1978. Especificamente, propõe-se analisar o processo de estabilização política pontuando como a unidade e legitimidade do Partido catalisaram a capacidade estatal, examinando como a convergência entre estabilidade e reorganização administrativa, no contexto do Sexto Plano Quinquenal (1981-1985), viabilizou um modelo gradual de uso seletivo de fundos e tecnologias estrangeiras e a expansão controlada do comércio exterior. Partindo da problemática de como a abertura econômica chinesa foi concebida, entende-se que a estabilização pós-Revolução Cultural foi uma das condições históricas necessárias para a adoção e sucesso das reformas graduais, ao restaurar legitimidade e previsibilidade institucional, sendo esta condição o foco da análise deste trabalho. Metodologicamente, este trabalho configura-se como um estudo histórico de caráter qualitativo, baseado na análise articulada de fontes primárias e secundárias e no aporte conceitual oferecido por Reinhart Koselleck (2006) com as categorias analíticas de espaço de experiência e horizonte de expectativa. Os resultados indicam que a estabilização política pós-Revolução Cultural constituiu o elemento estruturante da recomposição da capacidade estatal necessária para modernização chinesa no início da era Deng Xiaoping, assentando-se também como condicionante para a viabilização da abertura econômica seguindo o modelo gradual.
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