A intelligence como fator de prevenção da guerra híbrida
DOI:
https://doi.org/10.5902/2357797598668Palavras-chave:
Intelligence, Guerra híbrida, Alerta precoce, Prevenção, Sul GlobalResumo
A transformação tecnológica dos conflitos contemporâneos tornou mais difícil distinguir paz, crise, coerção e guerra. A guerra híbrida combina instrumentos militares e não militares, explícitos e encobertos, convencionais e não convencionais, explorando vulnerabilidades políticas, sociais, económicas, tecnológicas e informacionais. Neste contexto, este artigo analisa a intelligence como capacidade preventiva, procurando responder à questão: em que medida a produção e a disseminação oportuna de conhecimento podem reduzir a probabilidade de êxito de uma campanha híbrida e contribuir para impedir a sua escalada? Defende-se que a intelligence não constitui apenas um instrumento de deteção de ameaças, mas uma capacidade estratégica de antecipação, diagnóstico de vulnerabilidades, construção de alerta precoce, apoio à decisão e coordenação de respostas. A investigação adota uma abordagem qualitativa, baseada em revisão de literatura especializada, análise documental e estudo comparativo de orientações recentes da NATO, União Europeia e organizações internacionais, complementada pela análise das implicações para Estados do Sul Global. Sustenta-se que, em ambientes híbridos, a prevenção depende menos da existência de informação em abundância do que da capacidade de transformar sinais dispersos em conhecimento acionável, partilhá-lo entre instituições e convertê-lo em resiliência. O artigo conclui que a intelligence pode funcionar como fator de prevenção da guerra híbrida quando integrada numa arquitetura de segurança de toda a sociedade, tecnologicamente capacitada, juridicamente controlada e adaptada às especificidades políticas e institucionais do Sul Global.
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