Peles que verdejam jardins: razão negra e modos de subjetivação de juventudes periféricas

Autores

DOI:

https://doi.org/10.5902/2357797594094

Palavras-chave:

Juventudes, Racismo, Periferia, Razão negra, Processos de subjetivação

Resumo

Este artigo deriva de uma pesquisa que visou problematizar os efeitos da razão negra nos processos de subjetivação de juventudes negras, indígenas e periféricas na cidade de Fortaleza (CE), analisando tanto os dispositivos de captura racial quanto as estratégias de re-existência engendradas por esses sujeitos. A pesquisa se inscreve como uma inter(in)venção de orientação cartográfica. A partir de oficinas artísticas e da participação em manifestações culturais e políticas no território do Grande Bom Jardim, foram analisadas cenas que evidenciam como a razão negra opera como dispositivo de subjetivação que institui sobrecodificações racializantes e coloniais. Contudo, o campo também indicou modos singulares de criação de si, nos quais juventudes periféricas produzem contra-narrativas e práticas de re-existência a partir de estéticas próprias, experiências de comunalização afroindígenas e dispositivos coletivos de resistência. Com destaque para estratégias e táticas de redistribuição da violência, da construção de territórios existenciais de aquilombamento e a reelaboração e reposicionamento narrativo com da arte. O estudo aponta para a potência criadora das juventudes periféricas na elaboração de outras políticas narrativas e existenciais, que desestabilizam a lógica colonial presente na razão negra e reivindicam mundos possíveis onde caibam suas formas singulares de expressão da negritude.

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Biografia do Autor

Levi de Freitas Costa Araújo, Universidade Federal do Ceará

Bacharel em Psicologia pela Universidade Federal do Ceará, Fortaleza, CE, Brasil.

Antonio Caio Renan Silva Penha, Universidade Federal do Ceará

Bacharel em Psicologia pela Universidade Federal do Ceará, Fortaleza, CE, Brasil.

Ana Thais de Albuquerque Norões Boutala, Universidade Federal do Ceará

Graduanda em Psicologia pela Universidade Federal do Ceará, Fortaleza, CE, Brasil.

Raimundo Cirilo de Sousa Neto, Universidade Federal do Ceará

Bacharel em Psicologia pela Universidade Federal do Ceará; Mestrando em Psicologia, Universidade Federal do Ceará, Fortaleza, CE, Brasil.

João Paulo Pereira Barros, Universidade Federal do Ceará

Doutor em Educação pela Universidade Federal do Ceará; Professor, Universidade Federal do Ceará, Fortaleza, CE, Brasil.

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Publicado

2026-02-11

Como Citar

Araújo, L. de F. C., Penha, A. C. R. S., Boutala, A. T. de A. N., Sousa Neto, R. C. de, & Barros, J. P. P. (2026). Peles que verdejam jardins: razão negra e modos de subjetivação de juventudes periféricas. InterAção, 16(5), e94094. https://doi.org/10.5902/2357797594094