Peles que verdejam jardins: razão negra e modos de subjetivação de juventudes periféricas
DOI:
https://doi.org/10.5902/2357797594094Palavras-chave:
Juventudes, Racismo, Periferia, Razão negra, Processos de subjetivaçãoResumo
Este artigo deriva de uma pesquisa que visou problematizar os efeitos da razão negra nos processos de subjetivação de juventudes negras, indígenas e periféricas na cidade de Fortaleza (CE), analisando tanto os dispositivos de captura racial quanto as estratégias de re-existência engendradas por esses sujeitos. A pesquisa se inscreve como uma inter(in)venção de orientação cartográfica. A partir de oficinas artísticas e da participação em manifestações culturais e políticas no território do Grande Bom Jardim, foram analisadas cenas que evidenciam como a razão negra opera como dispositivo de subjetivação que institui sobrecodificações racializantes e coloniais. Contudo, o campo também indicou modos singulares de criação de si, nos quais juventudes periféricas produzem contra-narrativas e práticas de re-existência a partir de estéticas próprias, experiências de comunalização afroindígenas e dispositivos coletivos de resistência. Com destaque para estratégias e táticas de redistribuição da violência, da construção de territórios existenciais de aquilombamento e a reelaboração e reposicionamento narrativo com da arte. O estudo aponta para a potência criadora das juventudes periféricas na elaboração de outras políticas narrativas e existenciais, que desestabilizam a lógica colonial presente na razão negra e reivindicam mundos possíveis onde caibam suas formas singulares de expressão da negritude.
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