A Questão do Acre: internacionalização dos interesses sobre a contenda acreana

Guilherme Ziebell de Oliveira, João Marcelo Conte Cornetet, Julien Marcel Demeulemeester, Roberto Jacob Fleck

Resumo


A Questão Acreana aparentava ser apenas uma contenda bilateral entreBolívia e Brasil, entretanto constituiu-se em um impasse imerso nos entremeiosde um tabuleiro estratégico muito mais complexo, moldando a nova balança depoder e de interesses que se configurava na América do Sul. Neste contexto, aBolívia estava em situação de clara desvantagem, ameaçada territorialmente peloBrasil no Acre, pelo Chile no Pacífico, pelo Peru no Titicaca e pela Argentinano Atacama. Para garantir a continuidade de sua existência, o país andino apeloupara a concessão de parte de seu território legal a uma companhia de capitaisessencialmente norte-americanos, o Bolivian Syndicate, acreditando queassim conseguiria o apoio político dos Estados Unidos nos litígios territoriaisque vinha enfrentando. A busca do apoio estadunidense não foi fortuita; pelocontrário, foi fruto de um projeto meticulosamente orquestrado por bolivianos eamericanos, visando atender os projetos imperialistas deste e garantir a segurançaterritorial daquele. Com o surgimento da possibilidade de instalação de umacompanhia essencialmente norte-americana na região, o Brasil e outros Estadossul-americanos vêem a sua soberania territorial, bem como seus interesses econômicos,ameaçados pela expansão imperialista estadunidense que se alastravapelo continente. Desta maneira, em meio ao complexo jogo político que envolveua questão acreana surgiriam impasses diplomáticos entre os principaisplayers da América do Sul e Europa, moldando os rumos políticos e econômicosdo continente sul-americano em fins do século XIX e início do século XX.

Palavras-chave


Questão do Acre; Bolivian Syndicate; Tratado de Petrópolis.

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DOI: http://dx.doi.org/10.5902/2357797512697

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