AS FORMAS DE TRATAMENTO E A INTERPRETAÇÃO DA LIBRAS PARA O PORTUGUÊS BRASILEIRO: POLIDEZ E PODER

Maria Cristina Pires PEREIRA

Resumo


Utilizando o fenômeno das formas de tratamento (FT), dentro da interpretação na direcionalidade Libras (língua de sinais brasileira) para o Português Brasileiro (PB), analisei como os intérpretes de línguas de sinais (ILS) referiam-se aos colocutores das pessoas surdas. O estudo foi feito no âmbito de uma instituição de ensino superior, com filmagens de interações reais. A partir da transcrição e dos resultados, teci considerações sobre aspectos sociolinguísticos envolvidos nos eventos filmados e sobre a extrema relevância de que os ILS desenvolvam conhecimentos não só linguísticos e discursivos, mas também as habilidades de comunicação intercultural.


Palavras-chave


formas de tratamento; línguas de sinais; Libras; línguas orais; português brasileiro

Texto completo:

PDF

Referências


AGER, S. OMNIGLOT: Translation of thanks / thank you in many languages. Disponível em: . Acesso em: 23 jun. 2020.

ANGERMEYER, P. S. Translation style and participant roles in court interpreting. Journal of Sociolinguistics, 13/1, p. 3–28, 2009.

BALSALOBRE, S. R. G. Língua e sociedade nas páginas da imprensa negra paulista: um olhar sobre as formas de tratamento [online]. São Paulo: Editora UNESP; São Paulo: Cultura Acadêmica, 2010. 151 p. ISBN 978-85-7983-104- 1. Available from SciELO Books http://books.scielo.org.

BENVENISTE, É. Problemas de Linguística Geral I. Traduzido por Maria da Glória Novak e Maria Luisa Neri. Revisão do Prof. Isaac Nicolau Salum. 4a . ed. Campinas, SP: Pontes, 1995.

BERENZ, N. F. Person and Deixis in Brazilian Sign Language. Tese (Doutorado em Linguística), Universidade da Califórnia, 1996.

BIDERMAN, M. T. C. Formas de Tratamento e Estruturas Sociais. ALFA: Revista de Linguística, 18/19, 339-382, 1972-1973. Disponível em: . Acesso em: 23 jun. 2020.

BOT, H. Dialogue interpreting as a specific case of reported speech. Interpreting: 7:2, p. 237–261, 2005. Disponível em: . Acesso em: 23 jun. 2020.

BRAUN, F. Terms of Address. Problems of Patterns and usage in various languages and cultures. Berlin: Mouton de Gruyter, 1988.

BRITO, L. F. Dêixis em libras e problemas de aquisição de escrita. III Congreso Latinoamericano de Educación Bilíngue para los Sordos. Merida, Venezuela, 1996.

BROWN, R.; GILMAN, A. The pronouns of power and solidarity. In: T. Sebeok (Ed.) Style in Language. Cambridge, Massachussets, M.I.T. Press, p. 253-276, 1960.

CALIFORNIA C. Foreign Language Interpreter's Duties—Civil and Small Claims for Noncertified and Nonregistered Interpreters, 2008. Disponível em: . Acesso em: 12 jan. 2009.

CARREIRA, M. H. A. Les formes d’adresse (formas de tratamento) en portugais contemporain: modalisation linguistique en situation d’interlocution: proxémique verbale et modalités em portugais. Thèse (Doctorat d’État) – Université de Paris IV – Sorbonne, Paris, 1995.

CECCHETTO, V.; STROINSKA, M. Systems of self-reference and address forms in intellectual discourse. Language Sciences: Vol. 18, N. 3-4, p. 777-789, 1996. Disponível em: . Acesso em: 23 jun. 2020.

CINTRA, L. L. Sobre “formas de tratamento” na língua portuguesa. Lisboa: Livros Horizonte, 1986.

DUARTE, M. E. L. A perda do princípio "evite pronome" no português brasileiro. 1995. 151f. Tese (doutorado) - Universidade Estadual de Campinas, Instituto de Estudos da Linguagem, Campinas, SP. Disponível em: . Acesso em: 20 dez. 2019.

FREITAS, J. O Escolar e os Pronomes. Revista Graphos, p. 97-113, 1997. Disponível em: . Acesso em: 13 mai. 2012.

GOFFMAN, E. Ritual de interação: ensaios sobre o comportamento face a face. Traduzido por Fábio Rodrigues R. da Silva. Petrópolis, Vozes, 2011.

HAZOPOULOU, M. Acquisition of Reference to Self and Others in Greek Sign Language: from pointing gesture to pronominal pointing signs. Tese. Department of Linguistics, Sign Language Section, Stockholm University, 2008.

HOFFMEISTER, R. J. The development of demonstratives pronouns, locatives and personal pronouns in the acquisition of American Sign Language by deaf children of deaf parents. Tese (doutorado em Linguística). Universidade de Minnesota,1978.

ILARI, R. et al. Os Pronomes Pessoais do Português Falado: roteiro para análise. In: CASTILHO, A. T. de; BASÍLIO, M. (orgs.). Gramática do Português Falado. Volume IV: Estudos Descritivos, p. 73-159.. Campinas, SP: Unicamp, 2002.

KASPER, G. Linguistic politeness: Current research issues. Journal of Pragmatics, 14, p. 193–218, 1990.

LAND, V.; KITZINGER, C. Some uses of third-person reference forms in speaker self-reference. Discourse Studies: vol 9(4), p. 493–525, 2007. Disponível em: . Acesso em 23 jun. 2020.

LOEW, R. C. Roles and Reference in American Sign Language: a developmental perspective. Tese (doutorado em Linguística). Universidade de Minnesota, 1984.

LOPES, C. R. dos S. A inserção de ´a gente´ no quadro pronominal do português. Frankfurt am Main/Madrid: Vervuert/Iberoamericana, v.18. p.174, 2003.

LOPES, C. R. dos S. A gramaticalização de a gente em português em tempo real de longa e de curta duração: retenção e mudança na especificação dos traços intrínsecos. Fórum Linguístico: Florianópolis, v. 4, n.1, p.47-80, julho de 2004. Disponível em: . Acesso em: 23 jun. 2020.

LOPES, C. R. dos S. Pronomes pessoais. In: BRANDÃO, S.; VIEIRA, S. (Org.). Ensino de gramática: descrição e uso. 1 ed. São Paulo: Contexto, 2007, v. 1, p. 103-114.

LOREGIAN-PENKAL, L. (Re)análise da referência de segunda pessoa na fala da região Sul. Tese (Doutorado em Letras), Universidade Federal do Paraná, 2004.

LOREGIAN-PENKAL, L. Pronomes pessoais: conceituação versus uso. Analecta: Guarapuava, v. 7, n. 1, p.71-83, 2006. Disponível em:< https://revistas.unicentro.br/index.php/analecta/article/view/2235/1911>. Acesso em: 23 jun. 2020.

LYONS, J. Linguagem e Linguística: uma introdução. Traduzido por Marilda Winkler Averburg e Clarisse Sieckenius de Souza. Rio de janeiro: Zahar, 1981.

MANOLE, V. Uma língua, várias culturas: algumas reflexões sobre os aspetos sociolinguísticos na localização em português brasileiro e em português europeu. RIELMA: Revue

Internationale D'études en Langues Modernes Appliquées. Actes du Colloque international “Pour qui traduit-on?” (Cluj-Napoca, le 12 octobre 2012). Supplément au numéro 6/2013, p. 53-63, 2012. Disponível em: . Acesso em: 23 jun. 2020.

MODESTO, A. T. T. Notícias de estudos realizados sobre as formas de tratamento no português brasileiro. Revista Letra Magna: Revista Eletrônica de Divulgação Científica em Língua Portuguesa, Lingüística e Literatura, Ano 02, n.02, p. 1-9, 1º Semestre de 2005. Disponível em: . Acesso em: 23 jun. 2020.

MODESTO, A. T. T. Formas de tratamento e julgamentos de valor. Revela: Periódico de Divulgação Científica da FALS. Ano III – Nº VI- Out2009/Jan2010, s/p.

MONTEIRO, J. L. Variação no uso dos pronomes pessoais no português do Brasil. Verba: Anuário Galego de Filoloxía, vol. 17, p. 145-157, 1990. Disponível em: . Acesso em: 23 jun. 2020.

MOREIRA, R. L. Uma Descrição da Dêixis de Pessoa na Língua de Sinais Brasileira: Pronomes Pessoais e Verbos Indicadores. Dissertação (Mestrado em Linguística). Universidade de São Paulo, 2007.

PETITO, L. From gesture to symbol: the relationship between form and meaning in the acquisition of personal pronouns in American Sign Language. Bloomington,

Indiana University Linguistics Club, 1986.

PIZZIO, A. L.; REZENDE, P. L. F.; QUADROS, R. M. de. Língua Brasileira de Sinais V. Material didático, Licenciatura e Bacharelado em Letras-Libras na Modalidade à Distância. Florianópolis: UFSC/CCE, 2009.

PÖCHHACKER, F. Simultaneous Interpreting: A Functionalist Perspective. Hermes: Journal of Linguistics, n. 14, p.31-54, 1995. Disponível em: . Acesso em: 23 jun. 2020.

QUEIROZ, M. Interpretação Médica no Brasil. Dissertação (Mestrado em Estudos da Tradução). Pós Graduação em Estudos da Tradução, Centro de Comunicação e Expressão, Universidade Federal de Santa Catarina, 2011.

RONCARATI, C. Dêixis social – a designação socialmente referenciada: “sabe com quem você está falando?”. In: VOTRE, S.; RONCARATI, C. (orgs.). Antony Julius Naro e a Linguística no Brasil – uma homenagem acadêmica. Rio de Janeiro: FAPERJ/7Letras, p. 115-147, 2008.

SCHERRE, M. M. P.; YACOVENCO, L. C. A variação linguística e o papel dos fatores sociais: o gênero do falante em foco. Revista da Abralin: v. eletrônico, n. especial, p. 121-146. 1ª parte, 2011. Disponível em: . Acesso em: 23 jun. 2020.

SOLOW, S. N. Sign Language Interpreting: a basic resource book. Maryland: National Association of the Deaf/NAD, 1996.

ZILLES, A. M. S. O que a fala e a escrita nos dizem sobre a avaliação social do uso de a gente? Letras de Hoje: Programa de Pós-Graduação em Letras da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul, Porto Alegre, v. 42, n. 2, p. 27-44, junho, 2007. Disponível em: . Acesso em: 23 jun. 2020.




DOI: https://doi.org/10.5902/2179219441945

Licença Creative Commons
Esta obra está licenciada sob uma licença Creative Commons Atribuição - NãoComercial 4.0 Internacional.

ISSN Versão Impressa: 1519-9894
ISSN Versão Digital: 2179-2194
DOI 10.5902/21792194
Endereço Eletrônico: www.ufsm.br/fragmentum

Fragmentum possui caráter público e gratuito, dessa forma, NÃO são cobrados custos ou taxas para submissão, processamento, publicação e leitura dos artigos.

Todo o conteúdo do periódico Fragmentum está licenciado com uma Licença Licença Creative Commons
Esta obra está licenciada com uma Licença Creative Commons Atribuição-NãoComercial 4.0 Internacional.

REDES SOCIAIS
Página da Revista no Facebook