FINANCIAMENTO DE INVESTIMENTO EM INOVAÇÃO TECNOLÓGICA INDUSTRIAL

André Cutrim Carvalho, David Ferreira Carvalho

Resumo


No ano de 1982, Schumpeter esboça a sua teoria da concorrência real, na qual a inovação tecnológica não é apenas uma arma da concorrência para conquistar novos mercados, mas também a principal responsável pelas mudanças estruturais por meio do processo da destruição criadora. Ele tem em mente que a economia capitalista é, antes de tudo, uma economia evolucionária na qual as inovações tecnológicas, como novas formas de combinações de meios de produção, são indutoras do desenvolvimento econômico capitalista. Nesse contexto, o desenvolvimento econômico diz respeito ao emprego de meios produtivos, retirados dos usos convencionais que vinham tendo até um dado momento, em novos usos, não testados até então na prática, capazes de produzir novos produtos e processos de produção por meio de novas combinações de materiais e forças produtivas, isto é, de inovações tecnológicas, ou seja, o desenvolvimento econômico no sentido schumpeteriano é um fenômeno distinto e inteiramente estranho ao que pode ser observado no fluxo circular ou na tendência para o equilíbrio, já que têm início no produtor e não no consumidor, apesar da sua importância. Nesse contexto, o objetivo fundamental deste artigo é destacar a especificidade do financiamento do investimento em inovações tecnológicas.

 


Palavras-chave


Economia Industrial; Inovação tecnológica; Desenvolvimento Econômico.

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DOI: http://dx.doi.org/10.5902/1414650910421



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