Curadoria digital urbana, rebelião monumental e a disrupção das narrativas patrimoniais em tempos de isolamento

Autores

  • Giovanna Graziosi Casimiro FAU USP

DOI:

https://doi.org/10.5902/2595523362041

Palavras-chave:

patrimônio, memória digital, território informacional, patrimônio digital, cidade

Resumo

Este artigo, no campo da teoria da arte e da arquitetura debate as novas formas da curadoria digital na cidade e o surgimento de narrativas urbanas que questionam os poderes vigentes, caso do ataque recente a monumento colonialista pelo mundo e sua associação a cultura digital. Para este debate, discute-se o fortalecimento do setor privado digital durante a pandemia e se propõe pensar a nova condição da cidade em meio ao isolamento e distanciamento físico, derivado do COVID-19. Deste modo, propõe-se discutir o termo curadoria digital urbana e a revisão patrimonial em curso, refletida na remoção e ataque a monumentos pelo mundo. A remoção e o ataque coletivo aos monumentos é um marco nos modos de operar a memória urbana que revisa a construção linear da narrativa histórica, colocando em cheque a calcificação memorial. A relação entre cidadãos e os modos de habitar a cidade se transformam à medida em que as superfícies são redesenhadas pela cultura e mercado digital. A tomada da cidade pelo território informacional, gera um lapso da percepção espaço-temporal, impactando a linearidade do tempo, as narrativas e até mesmo a historicidade em seus moldes tradicionais. Deste modo, este artigo discute o impacto destas condições sobre o patrimônio, o questionamento das narrativas expostas na cidade,  e o contraditório estabelecimento das memórias digitais na vida cotidiana. 


Biografia do Autor

Giovanna Graziosi Casimiro, FAU USP

Doutoranda pela Faculdade de Arquitetura e Urbanismo (História da Arquitetura e do Urbanismo - Teoria das Artes e Arquitetura) da Universidade de São Paulo, com pesquisa sobre a Cidade como Interface Museológica.

Referências

AUGÉ, M. Non-Places: An Introduction to an Anthropology of Supermodernity (trans. J. Howe), Croydon, Verso, 2000.

BEIGUELMAN, G. Da cidade interativa às memórias corrompidas: arte, design e patrimônio

BEIGUELMAN, G.; MAGALHAES, A. Futuros Possíveis: Arte, Museus e Arquivos Digitais. São Paulo: Peirópolis, 2014.

BERNAL, R. La cidade como interfaz de cámbios culturales. Rio de Janeiro: Revista Z Cultural n2, 2016.

CASTELLS, M. A galáxia da internet. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Ed., 2003.

CASTELLS, M. A sociedade em rede. São Paulo: Paz e Terra, 1999.

CASTELLS, Manuel. “Museus na era da informação: conectores culturais de tempo e espaço”. In: Revista Musas (5): 8-21, ano VII, 2011.

http://www.museus.gov.br/wp-content/uploads/2015/01/Revista-Musas-5.pdf

DE WAAL, M. The City as Interface: How New Media Are Changing the City. nai010 publishers, 2014.

GARCÍA, I (org). Estética de la habitabilidad y nuevas tecnologías. Pontificia Universidad Javeriana, 2003.

FOUCAULT, Michel. Vigiar e Punir: nascimento das violências da prisão. Petrópolis, Vozes,1999.

FOUCAULT, Michel. Outros Espaços, Heterotopia. Architecture, mouvement. continuité. n2 5. outubro de. 1984.

Google Art Project. Disponível em: https://www.google.com/artproject

Google Web Lab. Disponível em: hhtp://www.chromeweblab.com/

HARVEY, D. Rebel Cities: From the Right to the City to the Urban Revolution. UK: Verso, 2012.

HUYSSEN, Andreas. Seduzidos pela memória: arquitetura, monumentos, mídia. Rio de Janeiro, 2000.

JENKINS, H. Cultura da Conexão. São Paulo: Ed. Aleph, 2013.

JOHNSON, S. Cultura da Interface. Rio de Janeiro: Ed. Zahar, 2001.

JONES, Meg Leta. Ctrl+Z, The Right to be Forgotten. New York University Press, 2016.

FULLER, M.; GOFFEY, A.. Evil Media. Cambridge, MA: MIT Press, 2012.

HARVEY, D. Rebel Cities: From the Right to the City to the Urban Revolution. UK: Verso, 2012.

HARVEY, David. Spaces of Capital: Towards a Critical Geography. Edinburg Press Lyda, 2001.

JONES, Meg Leta. Ctrl+Z, The Right to be Forgotten. New York University Press, 2016.

LEMOS, A. A comunicação das coisas: teoria ator-rede e cibercultura. São Paulo: Annablume, 2013.

LEMOS, A. Mobile communication and new sense of places: a critique of spatialization in cyberculture. Revista Galáxia, São Paulo, n. 16, p. 91-108, dez 2008.

LIPOVETSKY, Gilles e SERROY, Jean. A cultura-mundo, respostas a uma sociedade desorientada. São Paulo: Companhia das Letras, 2011.

MENESES, Ulpiano Toledo Bezerra de. A Cidade como bem cultural. IPHAN, 2006.

MENESES, Ulpiano Toledo Bezerra de. Patrimônio ambiental urbano: do lugar comum ao lugar de todos. CJ Arquitetura, São Paulo, v. 5, 1978.

Me++: The Cyborg Self and the Networked City. Cambridge, Mass. MIT Press, 2003.

RATTI, C. Open Source Architecture. New York: Thames & Hudson, 2015.

SOMEKH, Nadia. Cidade, patrimônio, herança e inclusão - Em busca de novos instrumentos. Vitruvius, 18, dec. 2017. Disponível em: http://www.vitruvius.com.br/revistas/read/arquitextos/18.211/6825?fbclid=IwAR2AuFkKaN8foT3d6eVOMtKDhnU2rv8oLUeluPVNnqSy1A4juSFySh0bAlk

SMITH, L. Uses of Heritage. New York: Routledge, 2006.

http://www.europarl.europa.eu/meetdocs/2009_2014/documents/stoa/dv/05b_annuallecture2012_open_source_/05b_annuallecture2012_open_source_en.pdf

TOWNSEND, A. M. Smart Cities: Big Data, Civic Hackers, and the Quest for a New Utopia. W. Norton & Company, 2014.

VIRILIO, P. O espaço crítico: e as perspectivas do tempo real. Rio de Janeiro: Editora 34, 2008.

ZUBOFF, Shoshana, Big Other: Surveillance Capitalism and the Prospects of an Information Civilization (April 4, 2015). Journal of Information.

Downloads

Publicado

2020-12-18

Como Citar

Graziosi Casimiro, G. (2020). Curadoria digital urbana, rebelião monumental e a disrupção das narrativas patrimoniais em tempos de isolamento. Contemporânea - Revista Do PPGART/UFSM, 3(6), e6. https://doi.org/10.5902/2595523362041

Edição

Seção

Artigos