LEGITIMIDADE MONÁRQUICA: O CONFLITO ENTRE PODER REAL E MORAL EM RICARDO II E RICARDO III

Wladimir D'Ávila Uszacki

Resumo


Essa pesquisa analisa o poder monárquico e o conflito entre autoridades moral e material do final do período medieval e início do early modern inglês, contemplando o Renascimento. Ela busca elucidar, primariamente, as ferramentas de legitimação do poder do rei apresentadas nas obras de William Shakespeare, e como ele apresentou uma releitura da história de dois monarcas, expondo esses conflitos entre o poder moral e o poder real, do rei e dos senhores de terra. A pesquisa é bibliográfica, analisando textos de ciência política e teologia que trabalham a natureza do poder e da autoridade monárquica, verificando as expressões dessas razões políticas nas obras de Shakespeare, e refletindo sobre a confluência dessas teorias e expressões no drama. A análise atravessa as fontes históricas e as peças em si, abarcando também o material teórico das teorias de legitimação de poder, em especial considerando a teoria de “Os Dois Corpos do Rei”, de Ernst Kantorowicz, os escritos de Niccolò Machiavelli, primordialmente “O Príncipe”, assim como teorias sobre o pensamento medieval, como de Jacques Le Goff, e outras fontes que abarcam a cultura do medievo e renascimento inglês. Essas peças históricas retratam o tempo de Shakespeare, e ecoam ainda hoje na política e nos acontecimentos contemporâneos.


Palavras-chave


Drama Histórico; William Shakespeare; Legitimidade e Poder

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DOI: https://doi.org/10.5902/1516849239084

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