Em que medida Wittgenstein seria fundacionista?

Autores

DOI:

https://doi.org/10.5902/2179378666403

Palavras-chave:

Wittgenstein, Sobre a Certeza, Fundacionismo

Resumo

Sobre a Certeza (1969) de Ludwig Wittgenstein carrega considerações importantes sobre como justificamos nosso conhecimento. Em particular, a obra nos apresenta às assim chamadas hinge propositions. Diante da multiplicidade de interpretações desse conceito, encontramos de maneira pervasiva a discussão sobre se elas implicariam em um fundacionismo. Se as ideias presentes nos trabalhos da fase madura de Wittgenstein são comumente consideradas anti-fundacionistas, então por que esse não seria o caso também em Sobre a Certeza? Por um lado, autores como Stroll (1994) compreendem que há um tipo de proposta fundacionista. Por outro, autores como Williams (2005) defendem o anti-fundacionismo. A partir da análise de ambas as posições, argumentamos que uma leitura anti-fundacionista é mais adequada. Por fim, possibilitados pelo anti-fundacionismo, apresentamos nossa leitura antidogmática cujo objetivo é ressaltar que a obra tem como propósito nos ensinar a fazer filosofia sem ignorar ou desqualificar a diversidade de culturas e perspectivas existentes.

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Biografia do Autor

Hugo Ribeiro Mota, Universidade de Oslo, Oslo, Noruega.

Doutorando em Filosofia na Universidade de Oslo (UiO) - Departamento de Filosofia, Clássicos, História da Arte e das Ideias, Oslo, Noruega.

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Publicado

2021-12-28 — Atualizado em 2022-03-16

Versões

Como Citar

Mota, H. R. (2022). Em que medida Wittgenstein seria fundacionista?. Voluntas: Revista Internacional De Filosofia, 12(2), e02. https://doi.org/10.5902/2179378666403 (Original work published 28º de dezembro de 2021)

Edição

Seção

Dossiê Wittgenstein