Mundialização capitalista, novo imperialismo e a transição neoliberal na Nicarágua

Autores

DOI:

https://doi.org/10.5902/2317175897138

Palavras-chave:

Nicarágua, Neoliberalismo, Mundialização capitalista

Resumo

Este artigo analisa a transição político-econômica na Nicarágua durante o biênio 1990-1991, sob a administração de Violeta Chamorro, investigando as dinâmicas de poder que viabilizaram a imposição da agenda neoliberal. A partir dos conceitos de mundialização capitalista e novo imperialismo (Wood, 2014; Harvey, 2005) o trabalho demonstra que a passagem da década revolucionária sandinista para a economia de mercado não constituiu uma transição linear para a democracia, mas sim a interrupção forçada de um projeto de democratização substantiva e a restauração transfigurada de uma autocracia burguesa (Sá, 2025). Diante do colapso do Plano Mayorga e da forte resistência das centrais sindicais, o novo bloco no poder utilizou o espaço de conciliação da Concertación para cooptar setores sociais, fragmentar a oposição e isolar as frentes grevistas. Esse pacto de governabilidade de curto prazo limpou o terreno institucional para a implementação do Plano Lacayo e para a submissão formal do país às diretrizes autocráticas do FMI através do acordo Stand-By. Argumente que o Estado nicaraguense foi ativamente reconfigurado sob uma lógica de subsoberania (Osório, 2019), na qual a autonomia externa foi mitigada em face do capital transnacional e do imperialismo norte-americano, enquanto o aparato coercitivo interno foi hipertrofiado para policiar a força de trabalho, desmantelar direitos sociais e garantir as condições materiais de acumulação das classes proprietárias locais e transnacionais.

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Biografia do Autor

Roger dos Anjos de Sá, Universidade Federal de Goiás

Doutorado em História pela Universidade Federal de Goiás.

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Publicado

21-08-2026