Cooperativismo feminino e transformações organizacionais: Uma cartografia de três gerações no semiárido

Autores/as

DOI:

https://doi.org/10.5902/2359043293676

Palabras clave:

Cooperativismo feminino, Sucessão geracional, Modos de organizar

Resumen

Enquanto estudos evidenciam a masculinização da gestão cooperativa e marginalização feminina nos espaços decisórios, a Coopercuc mantém gestão ininterrupta por mulheres há três gerações, constituindo fenômeno singular no semiárido brasileiro que demanda compreensão de seus modos de organizar. O objetivo foi analisar o processo de constituição e evolução da Coopercuc ao longo de três gerações de mulheres trabalhadoras, caracterizando práticas organizativas, transformações produtivas e mecanismos de decisão e governança. Realizou-se pesquisa qualitativa exploratória com método cartográfico, combinando análise documental, observação participante e entrevistas narrativas com 12 cooperadas de diferentes gerações, entre 2023-2024. A cooperativa evoluiu de iniciativa artesanal comunitária para agroindústria exportadora, preservando princípios democráticos (“uma cooperada, um voto”) e práticas de solidariedade. Identificaram-se três gerações distintas: fundadoras (trabalho artesanal), segunda geração (profissionalização e centralização) e terceira geração (tecnificação e expansão mercadológica), mantendo sucessão cuidadosa e governança participativa. A memória organizacional das fundadoras funciona como recurso simbólico que legitima novas lideranças, contribuindo para resiliência e reprodução de práticas cooperativas. A Coopercuc demonstra que mulheres organizadas podem transformar vulnerabilidades em potência coletiva, configurando modos alternativos de organização que tensionam estruturas patriarcais, ampliam agência feminina e constroem arranjos organizacionais inovadores e socialmente sustentáveis no contexto rural.

 

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Biografía del autor/a

Jose Paulo Fagundes, Universidade Federal do Pampa

Doutor em Extensão Rural. Prof. Voluntário no Departamento de Educação da UFSM.

Mariangela Amaral Silva, Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia Farroupilha

Possui graduação em Ciências Econômicas pela Universidade Federal de Santa Maria (1997), graduação em Programa Especial de Graduação de Formação de Professores Para A Educação Profissional pela Universidade Federal de Santa Maria (2011), mestrado em Integração Latino - Americana pela Universidade Federal de Santa Maria (2005), especialização em Estatística e Modelagem Quantitativa pela Universidade Federal de Santa Maria (2020). Atualmente é professora titular do Instituto Federal Farroupilha. Doutoranda em Extensão Rural (UFSM). Tem experiência docente e como pesquisadora na área de Economia atuando principalmente nos seguintes temas: desigualdades, Mercosul, setor agrícola, disparidades regionais e desenvolvimento, empreendedorismo, e agora no doutorado alia-se a temáticas como: campesinato, teorias do desenvolvimento, cooperativismo, sociologia econômica e rural na extensão rural.

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Publicado

2026-08-24

Número

Sección

Economia Social e Solidária