A virada epistêmica na Pinacoteca de São Paulo: O diálogo curatorial entre Antropofagia e Re-Antropofagia

Autores

DOI:

https://doi.org/10.5902/1983734889975

Palavras-chave:

Colonialidade, Descolonialidade, Expografia, Pinacoteca, Arte Brasileira

Resumo

O artigo analisa a matriz expográfica tradicional em museus de arte, marcada pelo eurocentrismo e por paradigmas lineares, questionando seus regimes de visibilidade e exclusão. Mobiliza-se o pensamento descolonial (Mignolo, 2017; Paiva, 2022) para investigar como o espaço museológico pode ser reconfigurado. O objetivo é analisar as transformações curatoriais e expográficas implementadas pela Pinacoteca de São Paulo (2020-2025), averiguando se tais mudanças configuram uma "virada epistêmica" na narrativa institucional da arte brasileira. A metodologia combina revisão teórica com a análise de um recorte específico: a nova exposição de longa duração, Pinacoteca: Acervo, com foco no diálogo entre as obras Antropofagia (1929), de Tarsila do Amaral, e Re-Antropofagia (2018), de Denilson Baniwa. Os resultados demonstram que a justaposição dessas obras opera como dispositivo crítico de revisão do imaginário modernista e de reinscrição de epistemologias indígenas. Essa estratégia evidencia um deslocamento epistemológico situado, que tensiona a lógica consagradora tradicional e transforma o espaço expositivo em um território para discussão histórica e crítica. O estudo reconhece essas iniciativas como indicativos de reconfiguração narrativa e ampliação de regimes de visibilidade, mas mantém a cautela analítica sobre os limites estruturais do processo de "descolonizar os museus".

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Biografia do Autor

Daniele Cristina Mendes Beltramini, Universidade da região de Joinville

Doutoranda e mestre em Patrimônio Cultural e Sociedade pela Universidade Regional de Joinville (UNIVILLE). Possui especialização em História da Arte Moderna e Contemporânea pela Escola de Música e Belas Artes do Paraná (EMBAP) e é licenciada em Artes pela Faculdade de Artes do Paraná (FAP).

Nadja de Carvalho Lamas, Universidade da Região de Joinville

Professora titular da Universidade da Região de Joinville - Univille. Docente permanente do Programa de Pós-Graduação em Patrimônio Cultural e Sociedade, da Univille, nas disciplinas: Estética e Arte; Cultura Verbal e Cultura Visual; Pensamento Contemporâneo e Interdisciplinaridade; e Seminário de Produção Científica II. Docente nos cursos de graduação em Artes Visuais; Publicidade e Propaganda; e Arquitetura e Urbanismo. Doutorado em Artes Visuais pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (2005), doutorado sanduiche pela Université Paris 1- Panthéon Sorbonne (2003/2004), mestrado em Artes Visuais pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (1996), especialização em arte na educação, pela FAP, Curitiba (1992), graduação em Administração pela Fundação Educacional da Região de Joinville (1981). Pesquisa na área de Arte, com ênfase em História, Teoria e Crítica da Arte, atuando principalmente nos seguintes temas: arte contemporânea, arte/ cultura e ensino da arte. Estágio pós-doutoral em Ciências da Linguagem, na Unisul, Campus de Palhoça (em andamento). 

Referências

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Publicado

2026-08-05

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