QUEM GOVERNA A AULA? SOBERANIA PEDAGÓGICA EM RISCO: INFRAESTRUTURAÇÃO DE BIG TECHS E EDTECHS NA EDUCAÇÃO PÚBLICA
DOI:
https://doi.org/10.5902/2675995097907Palavras-chave:
Inteligência Artificial na Educação, Capitalismo de Vigilância, Autonomia DocenteResumo
A incorporação de inteligência artificial e plataformas digitais corporativas à educação pública reconfigura a governança escolar. Neste cenário, este ensaio teórico, entende que esse movimento não pode ser compreendido apenas como modernização técnica inocente. Assim, o presente artigo investiga o seguinte problema: de que maneira a infraestruturação promovida por Big Techs e EdTechs coloca em risco a soberania pedagógica e precariza o trabalho docente? O objetivo geral é analisar os limites entre a inovação digital e a proletarização decorrentes da datificação. No plano do trabalho docente, evidencia-se um processo de proletarização cognitiva: os professores são convertidos em "alimentadores de dados não remunerados", cuja força de trabalho intelectual e planejamento diário servem para alimentar e treinar algoritmos privados, sem supervisão ou intervenção do setor público. Metodologicamente, o estudo adota uma abordagem qualitativa e exploratória de natureza crítico-interpretativa, estruturada como ensaio articulando a teoria crítica da tecnologia, a sociologia da educação e o debate contemporâneo sobre a Inteligência Artificial na Educação (IAEd). Discute-se, ainda, como a adoção de sistemas preditivos baseados em learning analytics aprofunda desigualdades educacionais ao herdar assimetrias históricas. Conclui-se, neste ensaio, que a defesa da escola pública exige urgente reorientação das políticas educacionais no que se refere à incorporação de inteligência artificial de forma a assegurar a soberania digital, a regulação democrática e o letramento crítico em IA.
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