OS GRANDES EMPREENDIMENTOS E AS COMUNIDADES TRADICIONAIS: O CASO DA COMUNIDADE DE MUNDAÚ - TRAIRÍ, CEARÁ.

Jocicléa de Sousa Mendes, Adryane Gorayeb, Yanna Lira Machado, Edson Vicente da Silva

Resumo


O litoral nordestino do Brasil vem sendo ocupado por grandes empreendimentos, todos justificados como geradores de emprego e melhoria na qualidade de vida das comunidades tradicionais. No Ceará, parte desses empreendimentos foram alocados em comunidades tradicionais. Na comunidade de Mundaú, situada no litoral oeste cearense, tem-se como resultado mudanças significativas no modo de vida da população. Através da privatização de áreas comuns (campo de dunas, áreas de manguezal, faixa de praia) as comunidades são impedidas de utilizarem locais que faziam parte de suas rotinas. Áreas de pesca e mariscagem, antes de uso comum hoje são ocupadas pela carcinicultura; os campos de dunas, áreas destinadas ao lazer e ao plantio agrícola sazonal (zonas de deflação) são ocupadas pelo parque eólico e por fim a faixa de praia sendo gradualmente ocupada pelos empreendimentos hoteleiros. Esses empreendimentos são responsáveis por diversos problemas ambientais, tendo a dinâmica natural totalmente alterada. Destacando os impactos sociais, tem-se a expulsão de marisqueiras e pescadores de suas áreas de trabalho; a privatização de áreas públicas e de lazer; ilusão de empregos fixos; aumento da prostituição; e do uso de drogas na comunidade. Conclui-se que, as comunidades estão sendo expulsas de suas áreas e muitas vezes são coniventes com o fato, pelo poder de convencimento que os empreendedores possuem.


Palavras-chave


grandes empreendimentos, impactos socioambientais, comunidades tradicionais

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DOI: http://dx.doi.org/10.5902/2236130813391

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