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Caracterização da biomassa residual da colheita de Eucalyptus saligna para processos de conversão térmica

Autores

  • Joyce Helena da Silveira State University of Rio Grande do Sul, Porto Alegre, RS
  • Ricardo Henrique Thomé Dorneles State University of Rio Grande do Sul, Porto Alegre, RS
  • Victor Hugo Andreis Sebben State University of Rio Grande do Sul, Porto Alegre, RS
  • Fabiano Perin Gasparin Federal University of Rio Grande do Sul, Porto Alegre, RS https://orcid.org/0000-0001-9422-6948
  • Lúcia Allebrandt da Silva Ries State University of Rio Grande do Sul, Porto Alegre, RS https://orcid.org/0000-0002-1586-0041

DOI:

https://doi.org/10.5902/2236117062679

Palavras-chave:

Resíduo florestal de eucalipto, Caracterização físico-química, Conversão térmica

Resumo

Considerando a crescente necessidade de produtos renováveis, o presente trabalho tem como objetivo avaliar as propriedades físico-químicas dos resíduos da colheita do eucalipto e suas frações constituintes individualmente (cascas, folhas e galhos), por meio de análises imediata, elementar, energética e térmica. A biomassa estudada foi a espécie Eucalyptus saligna, cultivada principalmente para a produção de celulose e papel. A análise imediata do resíduo resultou em teor de umidade de 10,1%, teor de cinzas de 3,9%, materiais voláteis em torno de 81,1% e carbono fixo de 15,0%, apresentando valores semelhantes entre as frações constituintes. A análise elementar do resíduo resultou em 46,5% de teor de carbono, 5,8% de hidrogênio e 43,2% de oxigênio. O poder calorífico superior do resíduo foi determinado em 17,93 MJ/kg, comparável a outras biomassas importantes, incluindo a madeira de eucalipto, a parte mais nobre do cultivo florestal. A análise termogravimétrica (TGA) e térmica diferencial (DTA) foram realizadas e os termogramas resultantes mostram três faixas principais de degradação da biomassa. A primeira faixa, de 30 a 150 °C, corresponde à secagem do material; na faixa de 200 a 325 °C as hemiceluloses degradam, com degradação parcial da lignina e celulose, e na faixa de 325 a 380 °C, ocorre a maior parte da degradação da celulose. Os dados físico-químicos demonstram que o resíduo do eucalipto é uma excelente fonte de biomassa para processos de conversão térmica. A obtenção de produtos de maior valor agregado a partir desse resíduo contribui para a implantação de novas práticas tecnológicas que vinculam o desenvolvimento econômico à responsabilidade ambiental.

 

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Biografia do Autor

Joyce Helena da Silveira, State University of Rio Grande do Sul, Porto Alegre, RS

Graduanda em Engenharia de Bioprocessos e Tecnologia

Ricardo Henrique Thomé Dorneles, State University of Rio Grande do Sul, Porto Alegre, RS

Engenharia de Bioprocessos e Biotecnologia pela Universidade Estadual do Rio Grande do Sul

Victor Hugo Andreis Sebben, State University of Rio Grande do Sul, Porto Alegre, RS

Graduando em Engenharia de Energia pela Universidade Estadual do Rio Grande do Sul

Fabiano Perin Gasparin, Federal University of Rio Grande do Sul, Porto Alegre, RS

Doutor em Engenharia Mecânica

Lúcia Allebrandt da Silva Ries, State University of Rio Grande do Sul, Porto Alegre, RS

Doutora em Ciências dos Materiais

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Publicado

2020-12-04

Versões

Como Citar

Silveira, J. H. da, Dorneles, R. H. T., Sebben, V. H. A., Gasparin, F. P., & Ries, L. A. da S. (2020). Caracterização da biomassa residual da colheita de Eucalyptus saligna para processos de conversão térmica. Revista Eletrônica Em Gestão, Educação E Tecnologia Ambiental, 24, e13. https://doi.org/10.5902/2236117062679