Autonomia estratégica, dependência e drones: lições ao Brasil a partir da Ucrânia

Autores

DOI:

https://doi.org/10.5902/2357797598706

Palavras-chave:

Autonomia estratégica, Dependência tecnológica, Base Industrial de Defesa, Drones, Brasil

Resumo

A guerra russo-ucraniana (2022–2026) reposicionou os sistemas aéreos não tripulados de baixo custo, sobretudo os drones de primeira pessoa (FPV), no centro da inovação militar contemporânea, com implicações para potências médias do Sul Global. O artigo investiga em que medida o desenvolvimento e a aquisição de drones podem ampliar a autonomia estratégica do Brasil e reduzir sua dependência tecnológica estrutural no setor de defesa. No tocante ao método, adota-se um estudo de caso, de abordagem qualitativa, que toma a experiência ucraniana como caso instrumental para iluminar a trajetória brasileira, com base em literatura sobre autonomia estratégica, dependência tecnológica e base industrial de defesa, e em fontes documentais e institucionais recentes. Identificou-se que a vantagem ucraniana decorreu menos da sofisticação de plataformas e mais da capacidade de sustentar ecossistemas industriais descentralizados de produção em massa de componentes simples, com forte integração civil-militar. A trajetória brasileira (2008–2026), ao contrário, permanece ancorada na aquisição de sistemas de médio e alto valor unitário junto a fornecedor externo único, ainda que programas nacionais recentes sinalizam uma inflexão incipiente. Identificam-se, assim, quatro tensões estruturais que distanciam o discurso de soberania tecnológica de sua implementação: 1. escala versus sofisticação, 2. inovação centralizada versus descentralizada, 3. autonomia declaratória versus efetiva, e 4. dependência bilateral versus diversificação multilateral. Conclui-se que a autonomia estratégica em drones depende menos da posse de artefatos isolados do que da sustentação, ao longo do tempo, de ecossistemas produtivos e doutrinários autônomos, convertíveis em ativo de política externa.

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Biografia do Autor

Cinthya Araújo Gomes, Universidade Federal da Paraíba

Bacharel em Relações Internacionais pela Universidade Federal da Paraíba; Mestre em Ciência Política e Relações Internacionais pela Universidade Federal da Paraíba; Doutoranda em Ciência Política e Relações Internacionais, Universidade Federal da Paraíba, João Pessoa, PB, Brasil.

Augusto Wagner Menezes Teixeira Júnior, Universidade Federal da Paraíba

Bacharelado em Ciências Sociais pela Universidade Federal de Pernambuco; Mestre em Ciência Política e Bacharel em Ciências Sociais pela Universidade Federal de Pernambuco; Doutor em Ciência Política na Área de Concentração de Relações Internacionais pela Universidade Federal de Pernambuco; Pós-Doutorado em Ciências Militares pela Escola de Comando e Estado-Maior do Exército; Pesquisador do Centro de Estudos Estratégicos do Exército Brasileiro; Professor, Universidade Federal da Paraíba, João Pessoa, PB, Brasil.

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Publicado

2026-10-09