A GEOGRAFIA DAS CONDIÇÕES OBSTÉTRICAS E NEONATAIS EM PEQUENOS MUNICÍPIOS DO RIO GRANDE DO SUL

Jéssica Mazutti Penso-Campos, Chennyfer Dobbins Abi Rached, Pablo Melquisedeque Souza e Silva, Eduardo Périco

Resumo


A geografia da saúde possibilita compreender a organização espacial dos eventos em saúde, morbimortalidade e oferta dos serviços de saúde, tendo em vista que esses eventos não estão distribuídos aleatoriamente no espaço geográfico. As desigualdades espaciais na mortalidade infantil representam um importante problema de saúde pública, portanto, o objetivo do estudo foi analisar a geografia das condições obstétricas e neonatais, em pequenos municípios do Rio Grande do Sul, que integram a 16ª Coordenadoria Regional da Saúde, no período de 2010 a 2014. Foi realizado um estudo ecológico, com os indicadores relacionados aos recém-nascidos e à oferta de serviços públicos de saúde. As variáveis foram categorizadas em: sociodemográficas, assistenciais, resultantes e de cobertura dos serviços. Foi realizada a distribuição e análise espacial dos indicadores, através do Índice de Moran Global. O coeficiente de correlação de Pearson serviu para verificar associação entre as variáveis sociodemográficas e assistenciais, com as variáveis resultantes e, entre as condições de saúde e a cobertura dos serviços públicos de saúde. Os resultados possibilitaram a compreensão da geografia das condições obstétricas e neonatais, e de que forma os serviços públicos de saúde contribuíram na assistência materno-infantil.

Palavras-chave


Geografia da saúde; Índice de Moran; Análise espacial de dados de saúde-doença; Condições de saúde em pequenos municípios.

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DOI: https://doi.org/10.5902/2236499448058

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