Espacialidades, ‘Mistanásia’ de travestis e pessoas transexuais e a criminalização da homotransfobia

Autores

DOI:

https://doi.org/10.5902/2236499444125

Palavras-chave:

Travestis, Transexuais, Morte Social, Homotransfobia.

Resumo

Este texto tem por objetivo compreender a morte social - mistanásia que travestis e pessoas transexuais sofrem a partir da transfobia vivenciada em múltiplos espaços. Nossa base de reflexão é o resultado da realização de 20 entrevistas com travestis, mulheres trans e homens trans que vivenciam ou vivenciaram os espaços educacionais de nível superior no Sul do Brasil. A partir da análise de conteúdo do discurso destas falas, evidencia-se que a partir da categoria discursiva ‘transfobia’, as principais espacialidades constituídas por esta ação de intolerância referem-se, em ordem de importância, aos espaços educacionais, ao trabalho, a casa, a igreja e ao corpo. Nossa argumentação evidencia que a vida de travestis e pessoas trans é vivida na caminhada de um longo corredor da morte, que constituída pela mistanásia, culmina na morte física, a eliminação definitiva destas pessoas.

Biografia do Autor

Adelaine Ellis Carbonar dos Santos, Universidade Estadual de Ponta Grossa / Grupo de Estudos Territoriais

Doutora em Geografia (Programa de Pós-Graduação em Geografia/UEPG - 2020), Mestra em Gestão do Território (Programa de Pós-Graduação em Geografia/UEPG - 2015), Especialista em Ensino de Biologia (Universidade de Londrina/UEL - 2019), Licenciada em Ciências Biológicas (UEPG - 2011). Pesquisadora do Grupo de Estudos Territoriais (GETE/UEPG), trabalha com pesquisas acerca das sexualidades, gênero, LGBTfobia e espaços educacionais.

Marcio Jose Ornat, Universidade Estadual de Ponta Grossa / Grupo de Estudos Territoriais, Ponta Grossa, PR, Brasil

Pós-Doutor em Geografia e Sexualidades (Universitat Autònoma de Barcelona - 2016); Doutor em Geografia pelo Programa de Pós-Graduação em Geografia (Universidade Federal do Rio de Janeiro - 2011); Mestre em Gestão do Território pelo Programa de Pós-Graduação em Geografia (Universidade Estadual de Ponta Grossa - 2008); Licenciado e Bacharel em Geografia (Universidade Estadual de Ponta Grossa - 2005); É professor Associado no Departamento de Geociências (Universidade Estadual de Ponta Grossa); Coordenador do Programa de Pós-Graduação em Geografia da Universidade Estadual de Ponta Grossa; É membro da equipe técnica responsável pelo site do Grupo de Estudos Territoriais (http://www.gete.net.br/); Desde o ano de 2011 é co-coordenador do Grupo de Estudos Territoriais (GETE) e pesquisador do Grupo de Pesquisa Instrumentações Geotecnológicas - UNICENTRO; Compõe: a equipe de coordenação da Rede de Estudos de Geografia, Gênero e Sexualidades Ibero Latinoamérica - REGGSILA (https://reggsila.wordpress.com/); é coordenador de layout da Revista Latinoamericana de Geografia e Gênero (http://www.revistas2.uepg.br/index.php/rlagg). Desenvolve pesquisas que analisam as relações entre espacialidades, gênero e sexualidades

Maria Aparecida Carbonar, Bacharelanda em Direito pela UNOPAR-Ponta Grossa, PR, Brasil.

Bacharelanda em Direito pela UNOPAR-Ponta Grossa. Professora PDE em História (UEPG). Especialista em Educação Patrimonial (UEPG), em Valores Humanos (FIES) e Neuropsicopedagogia (Dom Bosco)

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Publicado

2021-08-31

Como Citar

Santos, A. E. C. dos, Ornat, M. J., & Carbonar, M. A. (2021). Espacialidades, ‘Mistanásia’ de travestis e pessoas transexuais e a criminalização da homotransfobia. Geografia Ensino & Pesquisa, 25, e22. https://doi.org/10.5902/2236499444125

Edição

Seção

Produção do Espaço e Dinâmica Regional