O cotidiano das águas na tradição quilombola da comunidade do rio Baixo Itacuruçá-Abaetetuba, PA

Eliana Campos Pojo, Lina Gláucia Dantas Elias

Resumo


O artigo propõe caracterizar as atividades produtivas desenvolvidas por habitantes quilombolas e ribeirinhos da comunidade Nossa Senhora do Perpétuo Socorro no rio Baixo Itacuruçá-Abaetetuba-PA, cuja reprodução da vida além de situar-se em torno do grupo familiar, combina relações estreitas com a natureza das águas e os rios, furos e igarapés com base em tradições locais. O caminho metodológico insere-se na abordagem qualitativa descritiva e o estudo de natureza bibliográfica e de campo, com algumas famílias. A partir da análise dos resultados obtidos, foi possível identificar que o cotidiano das águas é parte constitutiva e imprescindível na construção do gênero de vida do sujeito rural-ribeirinho-quilombola na Região Tocantina, de modo geral. Dessa forma, espraiada na linguagem cabocla, por costumes e crendices, por saberes e sociabilidades, conforma situações de conflitos e de alteridades. Por dimensões simbólicas de trocas e ações comunitárias de grupo camponês entre outras formas da prática social, a tradição local e quilombola é produzida e vivificada pelo verter das águas, reinventa-se no regime amazoniágua, fazendo pulsar a vida social, a economia local e o ciclo produtivo.


Palavras-chave


Águas; Rural-ribeirinho-quilombola; Saberes.

Texto completo:

PDF

Referências


DIEGUES, Antônio Carlos. Ilhas e Mares Simbolismo e Imaginário. São Paulo: Hucitec, 1998.

DIEGUES, Antônio Carlos. Água e cultura nas populações tradicionais brasileiras. São Paulo, I Encontro Internacional Governança da Água, novembro 2007. Disponível em: http://nupaub.fflch.usp.br. Acesso em 30 de Jun. de 2018.

BRANDÃO, Carlos Rodrigues. Retratos de rostos de gente de rio e beira-rio. In: BORGES, Maristela Corrêa; LEAL, Alessandra Fonseca. (Org.). Etnocartografias do Rio São Francisco: comunidades tradicionais ribeirinhas no Norte de Minas Gerais. Uberlândia: EDUFU, 2013. p.207-248.

BRANDÃO, Carlos Rodrigues. CASTRO, Edna. Território, biodiversidade e saberes de populações tradicionais. In: CASTRO, E.; PINTON, F. (Org.). Faces do trópico úmido: conceitos e novas questões sobre desenvolvimento e meio ambiente. Belém: CEJUP; UFPA-NAEA, 1997. p. 221-242.

CUNHA, M. C. da. Relações e dissensões entre saberes tradicionais e saber científico. In: CUNHA, M. C. da. Cultura com aspas. São Paulo: Cosac Naify, 2009, p. 301-310.

CUNHA, L. H. de O. Significados múltiplos das águas. IN: DIEGUES, A. C. (org) A imagem das águas. São Paulo: HUCITEC, 2000.

GUSMÃO, N. M. M. de. A questão política das chamadas “Terras de Preto”. In: LEITE, Ilka Boaventura. Terras e territórios de negros no Brasil. Textos e Debates. Florianópolis, NUERIUFSC, ano 1, n.2, 1991. p.25-37.

LÉVI-STRAUSS, Claude. O Pensamento selvagem. Tradução de Maria Celeste da Costa e Souza e Almir de Oliveira Aguiar. São Paulo: Companhia Editora Nacional, 1976.

MACHADO, J. Nosso Folclore: panorama do folclore amazônico. Abaetetuba: Alquimia, 2008.

MACHADO, J. Glossário abaeteense: palavras e expressões do linguajar regional. Abaetetuba: Alquimia, 2005.

MARTINS, José de Souza. Fronteira: a degradação do Outro nos confins do humano. 2ªed. São Paulo: Ed. Contexto, 2014.

MAUSS, M. 2003. Ensaio sobre a Dádiva: Forma e razão da troca nas sociedades arcaicas. Tradução Paulo Neves. São Paulo: Cosac Naify, 2013. p.07-33.

MINISTÉRIO DO MEIO AMBIENTE/MMA. Avaliação e identificação de áreas e ações prioritárias para a conservação, utilização sustentável e repartição dos benefícios da biodiversidade nos biomas brasileiros. Brasília: MMA/SBF, 2002.

OLIVEIRA, Ivanilde Apoluceno de; MOTA NETO, João Colares da. Saberes da terra, da mata e das águas, saberes culturais e educação. In.: OLIVEIRA, Ivanilde Apoluceno de. Cartografias Ribeirinhas: Saberes e representações sobre práticas sociais cotidianas de alfabetizandos amazônidas. Belém: CCSE-UEPA, 2004.

RAVENA, N. A polissemia na definição do acesso à água: qual conceito? In: CASTRO, E. (org.) Belém de águas e ilhas. Belém: CEJUP, 2006.

SOUZA, A. F. Ciclos de vida nos lugares das águas: as ilhas do rio São Francisco em Pirapora/MG. In: OLIVEIRA, C.L.de; COSTA, J.B. de A. (org.) Cerrado, Gerais, Sertão: comunidades tradicionais nos sertões roseanos. São Paulo: Intermeios; Belo Horizonte: FAMING; Montes Claros: Unimontes, 2012. p.63-75.

UNIVERSIDADE FEDERAL DO PARÁ/UFPA. Estudo das mudanças socioambientais no estuário amazônico. Relatório Projeto MEGAM. Belém: NAEA, 2004.




DOI: https://doi.org/10.5902/2317175834730

Licença Creative Commons
Esta obra está licenciada sob uma licença Creative Commons Atribuição - Não comercial - Compartilhar igual 4.0 Internacional.

 

Revista Sociais e Humanas (ISSN online 2317-1758)

Universidade Federal de Santa Maria | Centro de Ciências Sociais e Humanas

Santa Maria, Rio Grande do Sul, Brasil.

E-mail: revistaccsh@gmail.com | Telefone: (55) 32208522


Licença Creative Commons
Este obra está licenciado com uma Licença Creative Commons Atribuição-NãoComercial-CompartilhaIgual 4.0 Internacional.