A Década da Arte Indígena Contemporânea: sistema, deslocamento e autoria Tupinambá
DOI:
https://doi.org/10.5902/1983734896505Palabras clave:
Arte Indígena Contemporânea, Reinvindicação, Tupinambá, Colonialidade, MuseuResumen
O artigo analisa a Arte Indígena Contemporânea (AIC) como processo de reivindicação simbólica, estética e epistemológica, tomando como eixo a experiência situada de uma artista Tupinambá no campo da arte. Parte do problema da colonialidade como regime persistente de nomeação, classificação e silenciamento dos povos indígenas, examinando como práticas artísticas contemporâneas tensionam essas estruturas. O objetivo é compreender de que modo o Museu da Silva, o Manto Tupinambá de Maery e a reinscrição nominal operam como dispositivos de produção de arquivo próprio, memória e reorganização narrativa. O texto dialoga com os estudos e com perspectivas indígenas contemporâneas, especialmente no que se refere à crítica aos regimes coloniais de representação e à produção de memória. Metodologicamente, articula análise crítica de obras, leitura historiográfica e reflexão situada sobre práticas artísticas, curatoriais e autobiográficas. Argumenta-se que a AIC não se limita à busca por reconhecimento institucional, mas atua como sistema vivo de elaboração estética, política e territorial, produzindo arquivos, reinscrevendo nomes e afirmando territórios simbólicos. Conclui-se que a denominada Década da Arte Indígena Contemporânea não constitui um período fechado, mas um processo contínuo de deslocamento das estruturas coloniais no sistema da arte.
Descargas
Citas
ESBELL, Jaider. Carta dos povos indígenas para o capitalismo. 2019a. Disponível em: http://www.jaideresbell.com.br/site/2019/04/03/carta-dos-povos-indigenas-para-o-capitalismo/. Acesso em: 29 mar. 2026.
ESBELL, Jaider. Jaider Esbell. In: COHN, Sergio; KADIWÉL, Idjahure (Org.). Tembetá: conversas com pensadores indígenas. 1. ed. São Paulo: Azougue Editorial, 2019b.
ESBELL, Jaider. Autodecolonização – uma pesquisa pessoal no além coletivo. [S.l.: s.n.], 2020a. Disponível em: http://www.jaideresbell.com.br/site/2020/04/16/abril-indigena-2020-o-sistema-aic/. Acesso em: 29 mar. 2026.
ESBELL, Jaider. O sistema AIC. [S.l.: s.n.], 2020b. Disponível em: http://www.jaideresbell.com.br/site/category/noticias/page/4/. Acesso em: 29 mar. 2026.
NÚÑEZ, Geni Daniela. Perspectivas indígenas antirracistas sobre o etnogenocídio: contribuições para o reflorestamento do imaginário. Psicologia & Sociedade, v. 35, e277101, 2023. Disponível em: http://doi.org/10.1590/1807-0310/2023v35e277101. Acesso em: 29 mar. 2026.
QUIJANO, Aníbal. Colonialidade do poder, eurocentrismo e América Latina. In: LANDER, Edgardo (Org.). A colonialidade do saber: eurocentrismo e ciências sociais: perspectivas latino-americanas. Buenos Aires: CLACSO, 2005. p. 117-142.
SMITH, Linda Tuhiwai. Descolonizando metodologias: pesquisa e povos indígenas. Tradução de Roberto G. Barbosa. Curitiba: Ed. UFPR, 2018.

