Artes, museus e povos indígenas: ocupar territórios e florescer novos sentidos e afetos em tempos brutais

Autores

DOI:

https://doi.org/10.5902/1983734895984

Palavras-chave:

Povos indígenas, Artes, Museus, Roça, Floresta

Resumo

Busca-se, nesta escrita, ocupar territórios e florescer novos sentidos em torno às artes e museus no encontro com o livro-objeto “Kaá Wasú” (que reuniu na exposição Tierra (2024) os povos indígenas Baré, Karapãna e Guarani-Kaiowá) e a instalação “Mulher-raiz, tronco, jenipapo” (que trouxe o povo Kaingang para a exposição Cosmopolíticas vegetais (2024)). Queremos dar existência a um nós entrelaçado a partir de um diálogo simétrico entre pessoas indígenas e não indígenas, artistas e pesquisadoras universitárias, envolvidas com a criação desses materiais e gestos. Dessa busca, nascem questionamentos das lógicas coloniais que atravessam as artes e os museus, bem como a percepção de que são essenciais os diálogos com as experiências e epistemologias indígenas para lidarmos com os tempos brutais que vivemos. As artes e museus do futuro não podem ser categorias já dadas e depósitos de relíquias, precisam se tornar territórios de cura, de divulgação da vida e proliferação de alianças com seres mais que humanos. Aqui, especialmente, destacamos o protagonismo das plantas e o modo como as artes se inventam para os povos indígenas como uma “roça em deslocamento”, como um continuum da floresta nos museus. Ressaltamos, também, como o papel e a escrita se tornam matérias vivas do pensamento e da criação contracoloniais.

Downloads

Não há dados estatísticos.

Biografia do Autor

Rayane Barbosa Kaingang, Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP)

Professora da rede municipal de Jarinu -sp. Pedagoga formada pela Faculdade de Educação da Universidade Estadual de Campinas (FE - UNICAMP)  Mestradanda do programa de pós-graduação em Divulgação Científica e Cultural (PPG-DCC) no laboratório avançado de jornalismo da Universidade Estadual de Campinas  (Labjor- Unicamp) Pesquisadora, Artista e Oficineira.

Ana Claudia Martins Tomaz, Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP)

Ana Claudia Martins Tomas, indígena Baré, fundadora e professora indígena voluntária do Espaço Cultural Indígena Uka Mbuesara Wakenai Anumarehit - Parque das Tribos no Tarumã, em Manaus Am, mestranda em Linguística no  IEL/UNICAMP, Campinas - SP, artesã, estilista indígena, multiartistas e oficineira.

Valéria Scornaienchi, Ateliê Serafina

A prática da artista funde arte e vida na busca por um lugar descolonizado, pautado pela escuta e pela intimidade. Através do Ateliê Serafina, ela cria um "espaço-floresta" para experimentações sensíveis e cocriações com seres humanos e mais-que-humanos (plantas, fungos, ventos). Seu trabalho questiona a autoria individual e se apoia em uma natureza coletiva, resultando em arquivos e livros de artista que dialogam com o Antropoceno e a sobrevivência da humanidade na Terra.

Susana Dias, Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP)

Susana Dias é bióloga e artista visual. É pesquisadora do Laboratório de Estudos Avançados em Jornalismo (Labjor), do Núcleo de Desenvolvimento da Criatividade (Nudecri), da Universidade Estadual de Campinas. É professora do Programa de Pós-graduação em Divulgação Científica e Cultural (MDCC) do Labjor-IEL-Unicamp. É Editora-chefe da Revista ClimaCom. Coordena a Rede Latino-Americana de Divulgação Científica e Mudanças Climáticas (Rede DCMC) e é cocoordenadora da unidade científica Comunicação, cultura e arte do INCT de Segurança Hídrica Onseadapta.

Referências

BISPO DOS SANTOS, Antônio. A terra dá, a terra quer. São Paulo: UBU Editora/Piseagrama, 2023.

CABOCO, Gustavo. Gustavo Caboco - Pamüri - Arte e Pensamento Indígena. 9 de mai. de 2025.

CABOCO, Gustavo. Baaraz Kawau. Curitiba: Editorial Picada / Caderno Listrado, 2019.

CURY, Marília Xavier. Museus e indígenas - saberes e ética, novos paradigmas em debate: Introdução. In: CURY, Marília Xavier (Org.). Museus e indígenas: saberes e ética, novos paradigmas em debate. USP: São Paulo, Brodowski, 2016.

DIAS, Susana; FUREGATTI, Sylvia. Tierra: perceber-fazer-floresta diante do Antropoceno. Campinas, SP: Unicamp/ Instituto de Artes, 2024.

CÂMPERA, Luiz. Prefácio. In: BARRETO, Ivan Menezes; BARRETO, João Paulo Lima; GONÇALVES, Luiz Davi Vieira; PALANDI, Viviane. Diálogos: arte e Bahsesé - Ukuse: Bahse Merise. Manaus: Editora Mamoeiro, 2021.

BARBOSA, Rayane. Educação territorializada Kaingang: pedagogias que brotam do chão. Monografia. Faculdade de Educação da Universidade Estadual de Campinas, 2025. Disponível em: https://climacom.mudancasclimaticas.net.br/educacao-kaingang/

BARRETO, Ivan Menezes; BARRETO, João Paulo Lima; GONÇALVES, Luiz Davi Vieira; PALANDI, Viviane. Diálogos: arte e Bahsesé - Ukuse: Bahse Merise. Manaus: Editora Mamoeiro, 2021.

BERBERT, Paula. Moquém_Surarî: Uma exposição de arte indígena contemporânea no Museu de Arte Moderna de São Paulo. Modos: Revista de História da Arte, Campinas, SP, v. 8, n. 2, p. 444-477, mai.2024. Disponível em: https://periodicos.sbu.unicamp.br/ojs/index.

php/mod/article/view/8675211

KAIOWÁ, Valdelice Veron; GUIMARÃES, Silvia. Teko-vida, Tekoha- território. ClimaCom – Territórios e Povos indígenas [online], Campinas, ano 11, n. 26., Jun. 2024. Available from: https://climacom.mudancasclimaticas.net.br/teko-vida-tekoha-territorio/

KRENAK, Ailton. Futuro ancestral. São Paulo: Companhia das Letras, 2022.

KRENAK, Ailton. A cultura indígena não se encaixa no pensamento patrimonialista. Entrevista com Ailton Krenak. Instituto Humanas Unisinos, out. 2025. Disponível em: https://ihu.unisinos.br/categorias/657914-a-cultura-indigena-nao-se-encaixa-no-pensamento-patrimonialista-entrevista-com-ailton-krenak

MARBOEUF, Olivier. Fugas decoloniais: aquilombamentos nas margens das imagens. Rio de Janeiro: Oficinas Raquel, 2025.

MENEZES, Hélio. Exposições e críticos de arte afro-brasileira: um conceito em disputa. In: PEDROSA, Adriano; CARNEIRO, Amanda; MESQUITA, André. Histórias afro-atânticas: antologia. Ed Rev: São Paulo: MASP, 2022. pp. 697-718.

SANTOS, Gilton Mendes dos. Transformar as plantas, cultivar o corpo. In: OLIVEIRA, Joana Cabral de et al. Vozes vegetais: diversidade, resistências e histórias da floresta. São Paulo: UBU Editora/ IRD, 2020, pp.140-153.

TERENA, Naine (curadoria). Véxoa: nós sabemos. São Paulo: Pinacoteca do Estado de São Paulo, 2020. 182 p. (textos de Daniel Mundukuru,et al)

XAKRIABÁ, Célia. Amansar o giz. In: CARVENALLI, Felipe et al (Org.). Terra: antologia afro-indígena. São Paulo/Belo Horizonte: UBU Editora/ Piseagrama, 2023.

Downloads

Publicado

2026-07-24

Como Citar

Kaingang, R. B., Tomaz, A. C. M., Scornaienchi, V., & Dias, S. (2026). Artes, museus e povos indígenas: ocupar territórios e florescer novos sentidos e afetos em tempos brutais. Revista Digital Do LAV, 19(1), e17/01–21. https://doi.org/10.5902/1983734895984

Edição

Seção

Dossiê – Artes Indígenas Contemporâneas: acontecimentos de uma década anunciada