Takapau e Okará Assojabá: trânsitos entre o território e a Bienal de Veneza
DOI:
https://doi.org/10.5902/1983734895947Palavras-chave:
Bienal de Veneza, Artes indígenas, Takapau, Okará Assojabá, TerritórioResumo
O artigo investiga a relação entre as artes produzidas nos territórios indígenas e seus trânsitos nas instituições de artes visuais, no cruzamento entre a antropologia, a história da arte e as artes visuais. Procura contribuir para refletir sobre à seguinte questão: como o significado, a agência e a memória das produções indígenas operam ou se transmutam em duas obras produzidas por artistas indígenas, expostas na 60ª Bienal de Veneza? O recorte recai sobre as obras Takapau, do coletivo maori Mataaho, e Okará Assojabá, de Glicéria Tupinambá e Comunidade Tupinambá da Serra do Padeiro e Olivença, ambas ancoradas em conhecimentos coletivos e de grande valor cultural. Tais obras – agora expostas como arte contemporânea – dialogam com objetos que transitaram entre aldeias e museus etnográficos durante décadas ou mesmo séculos, povoando ao mesmo tempo os imaginários dos colonizadores europeus.
Downloads
Referências
ANDRADE, Edmárcia. A representação brasileira na bienal de arte de Veneza: da primeira participação em 1950 ao destaque para a edição de 1964. Dissertação de Mestrado. Programa de Pós-Graduação e Artes Cultura e Linguagens. Juiz de Fora, 2019. 237 páginas. Disponível em https://repositorio.ufjf.br/jspui/handle/ufjf/10295. Acesso em 25/09/2025
BANIWA, Denilson. Antes dos këhíripõrã, os desenhos dos sonhos não existiam. Cadernos SELVAGEM publicação digital da Dantes Editora Biosfera, 2023. Disponível em https://selvagemciclo.org.br/wp-content/uploads/2023/04/CADERNO67_DENILSONBANIWA.pdf acesso em 22/03/2026.
BARCELOS NETO, ARISTÓTELES. Processo criativo e apreciação estética no grafismo Wauja. Cadernos de Campo (São Paulo - 1991), São Paulo, Brasil, v. 12, n. 12, p. 87–110, 2004. DOI: 10.11606/issn.2316-9133.v12i12p87-110. Disponível em: https://revistas.usp.br/cadernosdecampo/article/view/53888. Acesso em: 22 fev. 2026.
BBC BRASIL. Onde estão os outros mantos tupinambás pelo mundo? Disponível em https://www.bbc.com/portuguese/articles/c06kr2e314ro. Acesso em: 01/09/2025.
BENITES, Sandra; EKMAN, Anita; RIBEIRO AMARO, Fernanda. A história da arte como histórias das florestas. Reflexões sobre protagonismo feminino a partir da exposição Ka’a Body : cosmovisões da floresta. MODOS: Revista de História da Arte, Campinas, SP, v. 8, n. 2, p. 728–737, 2024. DOI: 10.20396/modos.v8i2.8675009. Disponível em: https://periodicos.sbu.unicamp.br/ojs/index.php/mod/article/view/8675009. Acesso em: 22 mar. 2026.
BERBERT, Paula. Pedagogias da transformação. In Moquém Surarî: arte indígena contemporânea; São Paulo: Museu de Arte Moderna de São Paulo, 2021.
BIENAL DE VENEZA https://www.labiennale.org/en/history-biennale-arte. Acesso em 25/09/2025
BUTTAFUOCO, Pietrangelo. Foreigners Everywhere. La Biennale di Venezia Short Guide. 2024.
CABOCO, Gustavo. Baaraz Kawau. @impressaoindigena, 2020. Disponível em: https://www.premiopipa.com/wp-content/uploads/2022/04/picada-ind%C3%ADgena_baaraz-kawau_Gustavo-Caboco_2-Gustavo-Caboco.pdf
CABOCO, Gustavo. Manhaba’u: onde toca o invisível, 2024. Disponível em https://almeidaedale.com.br/exposicoes/manhabau-onde-toca-o-invisivel/ acesso em 22/03/2026.
CARDOSO, Maykson. Incongruências curatoriais na Bienal de Veneza. Arte Brasileiros, 26 de setembro de 2024. Disponível em: https://artebrasileiros.com.br/arte/critica/incongruencias-curatoriais-na-bienal-de-veneza/ . Acesso em 28/03/2026.
CARNEIRO, Amanda. Foreigners Everywhere. La Biennale di Venezia Short Guide. 2024.
CESARINO, P. DE N.. Os relatos do Caminho-Morte: etnografia e tradução de poéticas ameríndias. Estudos Avançados, v. 26, n. 76, p. 75–100, set. 2012. Disponível em https://www.scielo.br/j/ea/a/s56DzM3Nx5CSk86nBs6Lz8b/?lang=pt acesso em 22fev,2026.
CUSICANQIUI, Silvia Rivera. Sociologia da Imagem.Olhares ch’ixi a partir da história andina. Tradução Caroline Freitas. São Paulo, Elefante, 2025.
CYPRIANO, Fábio. Bienal de Veneza submerge em estratégias neoliberais. Arte Brasileiros, 28 de junho de 2024. Disponível em: https://artebrasileiros.com.br/arte/bienal-de-veneza-submerge-em-estrategias-neoliberais/Acesso em 28/03/2026
DE JESUS, Naine Terena. Manifestações estéticas indígenas: pensar o fazer arte indígena no Brasil. Revista Estado da Arte, [S. l.], v. 3, n. 2, p. 457–463, 2022. DOI: 10.14393/EdA-v3-n2-2022-66614. Disponível em: https://seer.ufu.br/index.php/revistaestadodaarte/article/view/66614. Acesso em: 25 mar. 2026.
ESBELL, Jaider. A arte indígena contemporânea como armadilha para armadilhas. Disponível em https://www.jaideresbell.com.br/site/2020/07/09/a-arte-indigena-contemporanea-como-armadilha-para-armadilhas/. Acesso em 05/02/2026.
GODELIER, M. O enigma do dom. [s.l.] Editora Record, 2001.
BAUMGARTEN, Jens and SPRICIGO, Vinicius. “Para o inglês ver – para o brasileiro acreditar”: Transcultural Histories of Art and Artisanal Epistemologies Knowledge to Be Made. Edited By Claire Farago, Susan Lowish, Baumgarten. Taylor & Francis, 2025.
CARNEIRO DA CUNHA, Manuela; VIVEIROS DE CASTRO, Eduardo. Vingança e temporalidade: os Tupinambá. Journal de la société des américanistes. No. 71, 1985, pp. 191-208. Disponível em: https://www.persee.fr/doc/jsa_0037-9174_1985_num_71_1_2262. Acesso em 28/03/2026.
JUNG, Liege. Bienal de Veneza. A chance perdida da Bienal de Veneza,
diretora da Dasartes compartilha suas considerações pessoais e desanimadas sobre uma Biennale carregada de clichês. Revista Dasartes 143, 2024. Disponíivel em https://dasartes.com.br/materias/bienal-de-veneza/acesso em 12/12/2025.
KA’APUERA, Nós somos pássaros que andam. Cartas. Catálogo da 60ª Bienal de Veneza. Disponível em: https://kaapuera.bienal.org.br/contribuicoes/cartas-a-instituicoes/ acesso em 12/12/2025.
KOYAMA, Erika Kimie. Artes indígenas no Brasil: um levantamento dos conceitos e termos mobilizados pelos indígenas a partir de 2013. Dissertação de Mestrado. Programa de Pós-Graduação em História da Arte, UNIFESP, 2024.
KRAUS, Ž. (org.). La Biennale di Venezia 1978: dalla natura all’arte, dall’arte alla natura: catálogo generale. Milão: Electa, 1978
LAGROU, Els. Arte indígena no Brasil: agência, alteridade e relação. Belo Horizonte: C/ Arte, 2009.
MAUSS, Marcel. Ensaio sobre a dádiva. Forma e razão da troca nas sociedades arcaicas. Sociologia e antropologia. Tradução Paulo Neves. Cosac e Naif, 2003. Disponível em: https://share.google/VubhLMkGtDiwnOaO1. Acesso em 13/10/2025.
MEHINAKO, Epele. Fotografia de mapa desenhado. Disponível em: https://atom.unb.br/index.php/bgr-foto-i-00-1970. Acesso em 13/10/2025.
MOSTRA DO REDESCOBRIMENTO. Mantelete emplumado. Pernambuco. Penas de Guará. Material educativo, Brasil +500 Mostra do Redescobrimento, Artes Visuais, SESC São Paulo, 2000.
MUSEUM OF NEW ZEALAND, TE PAPA TONGA REA. Whariki Takapau (finely woven floor mat). Object | Part of Taonga Māori collection
disponível em https://collections.tepapa.govt.nz/object/65771?page=1&rtp=1&ros=1&asr=1&assoc=all&mb=c acesso em 17/02/2026
RIBEIRO, Darcy. Suma etnológica brasileira. Edição atualizada do Handbook of South American lndians. Darcy Ribeiro (Editor) et alia. Volume 3. Arte lndia. Disponível em https://etnolinguistica.wdfiles.com/local--files/suma%3Avol3p29-64/vol3p29-64.pdf. Acesso em 20/02/2026.
REWETI, Bridget. Watch: Mataaho Collective discuss their monumental installation Takapau. Disponível em: https://www.tepapa.govt.nz/discover-collections/read-watch-play/art/watch-mataaho-collective-discuss-their-monumental. Acesso em 01/10/2025.
ROQUETTI, Dunia. A estreia da arte brasileira na Exposição Internacional de Arte de Veneza (1950). ARS (São Paulo), [S. l.], v. 21, n. 47, p. 164–197, 2023. DOI: 10.11606/issn.2178-0447.ars.2023.205384. Disponível em: https://revistas.usp.br/ars/article/view/205384. Acesso em: 20 abr. 2026.
SILVA, Glicéria. O voo do Manto e o Pouso do Manto: uma jornada pela memória Tupinambá. MODOS: Revista de História da Arte, Campinas, SP, v. 8, n. 2, p. 294–333, 2024. DOI: 10.20396/modos.v8i2.8675041. Disponível em: https://periodicos.sbu.unicamp.br/ojs/index.php/mod/article/view/8675041. Acesso em: 9 set.2025.
SIMÕES. Gabrieli. Arte indígena no Pavilhão Brasileiro das Bienais de Veneza: do “falar por” ao “falar com”. MODOS: Revista de História da Arte, Campinas, SP, v. 9, n. 2, p. 54–82, 2025. DOI: 10.20396/modos.v9i2.8678055. Disponível em: https://periodicos.sbu.unicamp.br/ojs/index.php/mod/article/view/8678055. Acesso em: 13 out. 2025.
SOUZA, Arissana Braz B. A aranha vive do que tece. In Cadernos de Arte e Antropologia, Dossiê: Criatividade e protagonismo indígenas,vol2, 2, 2013. Disponível em https://journals.openedition.org/cadernosaa/413. Acesso em 22/03/2026.
THE SÁMI PAVILION. Disponível em https://oca.no/thesamipavilion, acesso em 22/02/2026
VELTHEM, Lúcia van. O Belo é a fera: a estética da produção e da predação entre os Wayana, tese de doutorado, Departamento de Antropologia da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras da Universidade de São Paulo, 1995. Disponível em https://app.docvirt.com/mi_bibliografico/pageid/279727. Acesso em 20/02/2026.
VIDAL, Lux (org.). Grafismo indígena: estudos de antropologia estética. 2ª ed. São Paulo: Studio Nobel: FAPESP: Editora da Universidade de São Paulo, 2000.

