Takapau e Okará Assojabá: trânsitos entre o território e a Bienal de Veneza

Autores

DOI:

https://doi.org/10.5902/1983734895947

Palavras-chave:

Bienal de Veneza, Artes indígenas, Takapau, Okará Assojabá, Território

Resumo

O artigo investiga a relação entre as artes produzidas nos territórios indígenas e seus trânsitos nas instituições de artes visuais, no cruzamento entre a antropologia, a história da arte e as artes visuais. Procura contribuir para refletir sobre à seguinte questão: como o significado, a agência e a memória das produções indígenas operam ou se transmutam em duas obras produzidas por artistas indígenas, expostas na 60ª Bienal de Veneza? O recorte recai sobre as obras Takapau, do coletivo maori Mataaho, e Okará Assojabá, de Glicéria Tupinambá e Comunidade Tupinambá da Serra do Padeiro e Olivença, ambas ancoradas em conhecimentos coletivos e de grande valor cultural. Tais obras – agora expostas como arte contemporânea – dialogam com objetos que transitaram entre aldeias e museus etnográficos durante décadas ou mesmo séculos, povoando ao mesmo tempo os imaginários dos colonizadores europeus.

Downloads

Não há dados estatísticos.

Biografia do Autor

Larissa Menendez, Universidade Federal do Maranhão

Professora do departamento de Artes Visuais da Universidade Federal do Maranhão.Professora permanente do Programa de Pós-Graduação em Cultura e Sociedade da UFMA. Coordenadora Do Grupo de Estudos em Memória, Artes e Etnicidade (DEARTV/UFMA).Doutora em Ciências Sociais pela PUC- SP(2011), mestrado em Ciências Sociais pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (2005). Graduação em Licenciatura em Educação Artística (FAAP). Estágio pós-doutoral no PPGECCO_ UFMT, PNPD-CAPES. Tem experiência na área de Educação, com ênfase em Antropologia e Arte. Autora do livro ''Iconografias do Invisível: a arte de Feliciano e Luís Lana'', publicada pela editora Annablume em parceria com a FAPESP. Pesquisadora ,desenvolveu trabalho com povos indígenas Guarani (Estado de São Paulo) Desana e Paumari, Rio Negro e Purus, no Amazonas e com diversas etnias de Mato Grosso. Atualmente dedica-se aos estudos das artes indígenas dos povos do Maranhão.

Ilana Seltzer Goldstein, Universidade Federal de São Paulo

Mestre em Antropologia Social pela Universidade de São Paulo, Mestre em Mediação Cultural pela Universidade Paris 3 - Sorbonne Nouvelle e Doutora em Antropologia Social pela Universidade Estadual de Campinas, com estágios de pesquisa na Australian National University (2010) e na Sainsbury Research Unit, no Reino Unido (2026). Docente no Departamento de História da Arte da Universidade Federal de São Paulo - Unifesp e membro do Programa de Pós-Graduação em História da Arte, na mesma instituição. Co-coordenadora da Cátedra Kaapora, voltada aos conhecimentos e formas expressivas tradicionais e não-hegemônicos. Desde 2024, coordena o projeto de pesquisa financiado pelo edital universal do CNPq ''Ulupuwene: um ecomuseu no Alto Xingu e suas complexidades''. É também bolsista produtividade do CNPq desde 2025. Atuou como assessora cultural na Pró-Reitoria de Extensão e Cultura da Unifesp de 2015 a 2017. Foi vice-chefe do Departamento de HIstória da Arte em 2017 e 2018. De agosto de 2020 a junho de 2023, assumiu a vice-coordenação do Programa de Pós-Graduação em História da Arte. Anteriormente, foi coordenadora e professora no MBA Gestão de bens Culturais, da Fundação Getúlio Vargas (FGV-SP) de 2008 a 2013, e docente na Pós-graduação lato sensu Gestão cultural: cultura, desenvolvimento e mercado, do Centro Universitário SENAC, entre 2011 e 2013. Participou das curadorias das exposições Terra Paulista: História, Arte e Costumes (Sesc Pompeia, 2005); Connections - Brasil Australia (Portrait Gallery, Camberra); Jorge, amado, universal? (Museu da Língua Portuguesa e Museu de Arte Moderna da Bahia, 2012); Tempo dos Sonhos: a arte aborígene contemporânea da Austrália (Caixa Cultural, 2016, 2017 e 2018; Casa Fiat de Cultura, 2017) e Portos (Sesc Santos, 2021), tendo sido também membro do comitê consultivo de Tempos Fraturados (MAC - USP, 2023). É Conselheira da Casa - Museu do Objeto Brasileiro, membro do Fórum Permanente de Museus desde sua criação e foi uma das fundadoras da Proa - Revista de Antropologia e Arte.

Referências

ANDRADE, Edmárcia. A representação brasileira na bienal de arte de Veneza: da primeira participação em 1950 ao destaque para a edição de 1964. Dissertação de Mestrado. Programa de Pós-Graduação e Artes Cultura e Linguagens. Juiz de Fora, 2019. 237 páginas. Disponível em https://repositorio.ufjf.br/jspui/handle/ufjf/10295. Acesso em 25/09/2025

BANIWA, Denilson. Antes dos këhíripõrã, os desenhos dos sonhos não existiam. Cadernos SELVAGEM publicação digital da Dantes Editora Biosfera, 2023. Disponível em https://selvagemciclo.org.br/wp-content/uploads/2023/04/CADERNO67_DENILSONBANIWA.pdf acesso em 22/03/2026.

BARCELOS NETO, ARISTÓTELES. Processo criativo e apreciação estética no grafismo Wauja. Cadernos de Campo (São Paulo - 1991), São Paulo, Brasil, v. 12, n. 12, p. 87–110, 2004. DOI: 10.11606/issn.2316-9133.v12i12p87-110. Disponível em: https://revistas.usp.br/cadernosdecampo/article/view/53888. Acesso em: 22 fev. 2026.

BBC BRASIL. Onde estão os outros mantos tupinambás pelo mundo? Disponível em https://www.bbc.com/portuguese/articles/c06kr2e314ro. Acesso em: 01/09/2025.

BENITES, Sandra; EKMAN, Anita; RIBEIRO AMARO, Fernanda. A história da arte como histórias das florestas. Reflexões sobre protagonismo feminino a partir da exposição Ka’a Body : cosmovisões da floresta. MODOS: Revista de História da Arte, Campinas, SP, v. 8, n. 2, p. 728–737, 2024. DOI: 10.20396/modos.v8i2.8675009. Disponível em: https://periodicos.sbu.unicamp.br/ojs/index.php/mod/article/view/8675009. Acesso em: 22 mar. 2026.

BERBERT, Paula. Pedagogias da transformação. In Moquém Surarî: arte indígena contemporânea; São Paulo: Museu de Arte Moderna de São Paulo, 2021.

BIENAL DE VENEZA https://www.labiennale.org/en/history-biennale-arte. Acesso em 25/09/2025

BUTTAFUOCO, Pietrangelo. Foreigners Everywhere. La Biennale di Venezia Short Guide. 2024.

CABOCO, Gustavo. Baaraz Kawau. @impressaoindigena, 2020. Disponível em: https://www.premiopipa.com/wp-content/uploads/2022/04/picada-ind%C3%ADgena_baaraz-kawau_Gustavo-Caboco_2-Gustavo-Caboco.pdf

CABOCO, Gustavo. Manhaba’u: onde toca o invisível, 2024. Disponível em https://almeidaedale.com.br/exposicoes/manhabau-onde-toca-o-invisivel/ acesso em 22/03/2026.

CARDOSO, Maykson. Incongruências curatoriais na Bienal de Veneza. Arte Brasileiros, 26 de setembro de 2024. Disponível em: https://artebrasileiros.com.br/arte/critica/incongruencias-curatoriais-na-bienal-de-veneza/ . Acesso em 28/03/2026.

CARNEIRO, Amanda. Foreigners Everywhere. La Biennale di Venezia Short Guide. 2024.

CESARINO, P. DE N.. Os relatos do Caminho-Morte: etnografia e tradução de poéticas ameríndias. Estudos Avançados, v. 26, n. 76, p. 75–100, set. 2012. Disponível em https://www.scielo.br/j/ea/a/s56DzM3Nx5CSk86nBs6Lz8b/?lang=pt acesso em 22fev,2026.

CUSICANQIUI, Silvia Rivera. Sociologia da Imagem.Olhares ch’ixi a partir da história andina. Tradução Caroline Freitas. São Paulo, Elefante, 2025.

CYPRIANO, Fábio. Bienal de Veneza submerge em estratégias neoliberais. Arte Brasileiros, 28 de junho de 2024. Disponível em: https://artebrasileiros.com.br/arte/bienal-de-veneza-submerge-em-estrategias-neoliberais/Acesso em 28/03/2026

DE JESUS, Naine Terena. Manifestações estéticas indígenas: pensar o fazer arte indígena no Brasil. Revista Estado da Arte, [S. l.], v. 3, n. 2, p. 457–463, 2022. DOI: 10.14393/EdA-v3-n2-2022-66614. Disponível em: https://seer.ufu.br/index.php/revistaestadodaarte/article/view/66614. Acesso em: 25 mar. 2026.

ESBELL, Jaider. A arte indígena contemporânea como armadilha para armadilhas. Disponível em https://www.jaideresbell.com.br/site/2020/07/09/a-arte-indigena-contemporanea-como-armadilha-para-armadilhas/. Acesso em 05/02/2026.

GODELIER, M. O enigma do dom. [s.l.] Editora Record, 2001.

BAUMGARTEN, Jens and SPRICIGO, Vinicius. “Para o inglês ver – para o brasileiro acreditar”: Transcultural Histories of Art and Artisanal Epistemologies Knowledge to Be Made. Edited By Claire Farago, Susan Lowish, Baumgarten. Taylor & Francis, 2025.

CARNEIRO DA CUNHA, Manuela; VIVEIROS DE CASTRO, Eduardo. Vingança e temporalidade: os Tupinambá. Journal de la société des américanistes. No. 71, 1985, pp. 191-208. Disponível em: https://www.persee.fr/doc/jsa_0037-9174_1985_num_71_1_2262. Acesso em 28/03/2026.

JUNG, Liege. Bienal de Veneza. A chance perdida da Bienal de Veneza,

diretora da Dasartes compartilha suas considerações pessoais e desanimadas sobre uma Biennale carregada de clichês. Revista Dasartes 143, 2024. Disponíivel em https://dasartes.com.br/materias/bienal-de-veneza/acesso em 12/12/2025.

KA’APUERA, Nós somos pássaros que andam. Cartas. Catálogo da 60ª Bienal de Veneza. Disponível em: https://kaapuera.bienal.org.br/contribuicoes/cartas-a-instituicoes/ acesso em 12/12/2025.

KOYAMA, Erika Kimie. Artes indígenas no Brasil: um levantamento dos conceitos e termos mobilizados pelos indígenas a partir de 2013. Dissertação de Mestrado. Programa de Pós-Graduação em História da Arte, UNIFESP, 2024.

KRAUS, Ž. (org.). La Biennale di Venezia 1978: dalla natura all’arte, dall’arte alla natura: catálogo generale. Milão: Electa, 1978

LAGROU, Els. Arte indígena no Brasil: agência, alteridade e relação. Belo Horizonte: C/ Arte, 2009.

MAUSS, Marcel. Ensaio sobre a dádiva. Forma e razão da troca nas sociedades arcaicas. Sociologia e antropologia. Tradução Paulo Neves. Cosac e Naif, 2003. Disponível em: https://share.google/VubhLMkGtDiwnOaO1. Acesso em 13/10/2025.

MEHINAKO, Epele. Fotografia de mapa desenhado. Disponível em: https://atom.unb.br/index.php/bgr-foto-i-00-1970. Acesso em 13/10/2025.

MOSTRA DO REDESCOBRIMENTO. Mantelete emplumado. Pernambuco. Penas de Guará. Material educativo, Brasil +500 Mostra do Redescobrimento, Artes Visuais, SESC São Paulo, 2000.

MUSEUM OF NEW ZEALAND, TE PAPA TONGA REA. Whariki Takapau (finely woven floor mat). Object | Part of Taonga Māori collection

disponível em https://collections.tepapa.govt.nz/object/65771?page=1&rtp=1&ros=1&asr=1&assoc=all&mb=c acesso em 17/02/2026

RIBEIRO, Darcy. Suma etnológica brasileira. Edição atualizada do Handbook of South American lndians. Darcy Ribeiro (Editor) et alia. Volume 3. Arte lndia. Disponível em https://etnolinguistica.wdfiles.com/local--files/suma%3Avol3p29-64/vol3p29-64.pdf. Acesso em 20/02/2026.

REWETI, Bridget. Watch: Mataaho Collective discuss their monumental installation Takapau. Disponível em: https://www.tepapa.govt.nz/discover-collections/read-watch-play/art/watch-mataaho-collective-discuss-their-monumental. Acesso em 01/10/2025.

ROQUETTI, Dunia. A estreia da arte brasileira na Exposição Internacional de Arte de Veneza (1950). ARS (São Paulo), [S. l.], v. 21, n. 47, p. 164–197, 2023. DOI: 10.11606/issn.2178-0447.ars.2023.205384. Disponível em: https://revistas.usp.br/ars/article/view/205384. Acesso em: 20 abr. 2026.

SILVA, Glicéria. O voo do Manto e o Pouso do Manto: uma jornada pela memória Tupinambá. MODOS: Revista de História da Arte, Campinas, SP, v. 8, n. 2, p. 294–333, 2024. DOI: 10.20396/modos.v8i2.8675041. Disponível em: https://periodicos.sbu.unicamp.br/ojs/index.php/mod/article/view/8675041. Acesso em: 9 set.2025.

SIMÕES. Gabrieli. Arte indígena no Pavilhão Brasileiro das Bienais de Veneza: do “falar por” ao “falar com”. MODOS: Revista de História da Arte, Campinas, SP, v. 9, n. 2, p. 54–82, 2025. DOI: 10.20396/modos.v9i2.8678055. Disponível em: https://periodicos.sbu.unicamp.br/ojs/index.php/mod/article/view/8678055. Acesso em: 13 out. 2025.

SOUZA, Arissana Braz B. A aranha vive do que tece. In Cadernos de Arte e Antropologia, Dossiê: Criatividade e protagonismo indígenas,vol2, 2, 2013. Disponível em https://journals.openedition.org/cadernosaa/413. Acesso em 22/03/2026.

THE SÁMI PAVILION. Disponível em https://oca.no/thesamipavilion, acesso em 22/02/2026

VELTHEM, Lúcia van. O Belo é a fera: a estética da produção e da predação entre os Wayana, tese de doutorado, Departamento de Antropologia da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras da Universidade de São Paulo, 1995. Disponível em https://app.docvirt.com/mi_bibliografico/pageid/279727. Acesso em 20/02/2026.

VIDAL, Lux (org.). Grafismo indígena: estudos de antropologia estética. 2ª ed. São Paulo: Studio Nobel: FAPESP: Editora da Universidade de São Paulo, 2000.

Downloads

Publicado

2026-08-04

Edição

Seção

Dossiê – Artes Indígenas Contemporâneas: acontecimentos de uma década anunciada