Do coiote ao algoritmo: tecnologia e contrabando de migrantes nas fronteiras brasileiras
DOI :
https://doi.org/10.5902/2357797598404Mots-clés :
Contrabando de migrantes, Migração, Tecnologia, Fronteiras, Segurança internacionalRésumé
A digitalização das migrações internacionais transformou também redes de contrabando de migrantes. Aplicativos de mensagens, redes sociais, serviços de viagem e meios financeiros digitais passaram a integrar recrutamento, negociação e coordenação de rotas. Este artigo analisa como essas tecnologias modificam a organização do contrabando relacionado ao Brasil e quais desafios apresentam para inteligência e segurança no Sul Global. A pesquisa é qualitativa e documental, com corpus composto exclusivamente por documentos oficiais publicados entre 2017 e agosto de 2026 por órgãos brasileiros e organizações intergovernamentais. A análise temática utiliza cinco categorias: recrutamento e confiança; comunicação digital; logística e divisão funcional; fluxos financeiros; e cooperação e inteligência. Como estudo de caso, examina-se a Operação Siblings, deflagrada em 2025 contra uma rede baseada em Governador Valadares, Minas Gerais, ligada ao deslocamento irregular de brasileiros aos Estados Unidos via México. Os resultados indicam uma infraestrutura híbrida na qual relações interpessoais coexistem com plataformas digitais, permitindo ampliar alcance, acelerar comunicações e distribuir tarefas. Propõe-se o conceito de coiote digital para descrever essa reconfiguração. Conclui-se que a resposta brasileira deve combinar inteligência digital, investigação financeira, cooperação internacional e proteção dos migrantes, sem criminalizar a mobilidade.
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