Trajetórias da cooperação em defesa: ZOPACAS e o Conselho de Defesa Sul-americano
DOI :
https://doi.org/10.5902/2357797598273Mots-clés :
Autonomia estratégica, Cooperação Sul-Sul, Regionalismo, MultilateralismoRésumé
Este artigo compara as trajetórias de dois mecanismos de cooperação em defesa nascidos sob a premissa de autonomia estratégica regional: a Zona de Paz e Cooperação do Atlântico Sul (ZOPACAS), criada em 1986, e o Conselho de Defesa Sul-Americano (CDS), criado em 2008 no âmbito da União de Nações Sul-Americanas (UNASUL). Entre 2018 e 2026, os dois mecanismos seguiram caminhos opostos, pois a ZOPACAS revitalizou-se após uma década de inatividade, culminando na IX Reunião Ministerial do Rio de Janeiro (2026), enquanto o CDS perdeu relevância política após a saída da maioria de seus membros fundadores da UNASUL. O objetivo é identificar os fatores institucionais e político-geográficos que explicam essa divergência. Adotou-se a metodologia de estudo de caso do tipo sistemas mais semelhantes, com base em revisão bibliográfica e levantamento documental. O grau de institucionalização formal, o grau de exposição a rupturas político-ideológicas domésticas e o grau de alinhamento extrarregional dos Estados-membros explicam parte relevante da divergência: mecanismos leves e de baixo comprometimento soberano, como a ZOPACAS, mostram-se mais resilientes a mudanças de governo, enquanto mecanismos densamente institucionalizados, como o CDS, tornam-se mais vulneráveis quando o alinhamento político que os sustenta se desfaz. Conclui-se que essa resiliência tem um custo: a mesma leveza institucional que permite à ZOPACAS sobreviver a longos períodos de inatividade limita sua capacidade de produzir compromissos substantivos em áreas tecnicamente exigentes, revelando um limite estrutural do projeto de autonomia estratégica no Sul Global.
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