Estupro e segurança internacional: o recorte de gênero na Segunda Guerra do Congo
DOI:
https://doi.org/10.5902/2357797596332Parole chiave:
Segunda Guerra do Congo, Estupro, Segurança internacional, GêneroAbstract
Este artigo investiga o uso do estupro como arma de guerra na Segunda Guerra do Congo, no contexto pós-Guerra Fria. Estima-se que, entre 1998 e 2003, cerca de 400.000 mulheres entre 15 e 49 anos tenham sido estupradas, consoante pesquisa realizada pelo American Journal of Public Health (2011). Assim, este trabalho considera as múltiplas motivações do conflito: instabilidade política, intervenção militar de países vizinhos, disputa por recursos minerais, impactos do genocídio de Ruanda, pobreza endêmica e guerras por procuração. Tais fatores, aliados à hipersexualização e objetificação do corpo feminino, levaram ao uso sistemático da violência sexual como estratégia militar. O estudo dialoga com as análises de gênero e militarismo de Cynthia Enloe e com as contribuições de Barry Buzan para os estudos de segurança internacional, contrastando perspectivas tradicionais e críticas. Portanto, o objetivo geral é analisar criticamente o uso sistemático do estupro como arma de guerra na Segunda Guerra do Congo, para demonstrar a insuficiência do enquadramento tradicional de segurança e propor a perspectiva de gênero como questão de segurança humana. A pesquisa, baseada em estudo de caso, revisando fontes primárias e secundárias, contribui para o reconhecimento da violência sexual em conflitos como questão central de segurança humana e internacional.
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