Reggaeton como expressão cultural latino-americana: identidade, resistência e soft power
DOI:
https://doi.org/10.5902/2357797596205Palavras-chave:
Reggaeton, Cultura Latino-Americana, Identidade, Resistência, Soft powerResumo
O presente artigo analisa o reggaeton como expressão cultural latino-americana, compreendendo-o como um fenômeno social, artístico e político que articula identidade, resistência e soft power no contexto da globalização contemporânea. Inserido no campo das Relações Internacionais, o estudo dialoga com os eixos de cultura, poder simbólico e colonialidade, buscando compreender de que modo expressões musicais oriundas de contextos periféricos podem atuar como instrumentos de influência internacional. A partir de uma abordagem qualitativa, exploratória e descritiva, fundamentada em revisão bibliográfica e análise cultural, o trabalho se baseia nas teorias de Néstor García Canclini, Stuart Hall, Ángel Quintero Rivera, Deborah Pacini Hernández e George Yúdice para interpretar o reggaeton como produto da modernidade híbrida latino-americana. O artigo contextualiza a origem histórica do gênero, sua evolução estética e temática, bem como sua inserção na indústria musical global, destacando a valorização do idioma espanhol, dos sotaques regionais e das narrativas subalternizadas. Também são analisadas as tensões entre resistência cultural e mercantilização, evidenciando como o reggaeton, mesmo inserido no mainstream, mantém-se como espaço de disputa simbólica frente ao colonialismo moderno. Conclui-se que o reggaeton constitui uma forma relevante de afirmação identitária e de projeção cultural da América Latina no cenário internacional, contribuindo para ampliar o debate sobre cultura e poder nas Relações Internacionais.
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