Base Industrial de Defesa Brasileira: vetor estruturante da soberania, da inovação tecnológica e do aumento da competitividade industrial
DOI:
https://doi.org/10.5902/2357797596176Palavras-chave:
Base Industrial de Defesa, Política industrial, Inovação tecnológica, Soberania nacional, Desenvolvimento econômicoResumo
Este artigo analisa a Base Industrial de Defesa (BID) brasileira como um sistema estratégico importante para a Soberania Nacional, o desenvolvimento econômico e a inovação tecnológica. A partir de uma abordagem metodológica que combina análises qualitativas e quantitativas, o estudo examina a estrutura produtiva, o perfil das empresas, os modelos de negócios, a governança e os desafios regulatórios do setor. A pesquisa identifica um núcleo da BID dedicado de aproximadamente 985 empresas. Os resultados evidenciam que a BID brasileira possui capacidades relevantes em áreas estratégicas, como aeronáutica, sistemas navais, cibersegurança e tecnologias críticas, mas enfrenta desafios estruturais relacionados à dependência externa, à fragmentação institucional, à baixa previsibilidade de políticas públicas e à fragilidade das cadeias produtivas. O estudo destaca o papel central do Estado como indutor da demanda, financiador e regulador, bem como a importância de instrumentos de política industrial, como compras públicas, encomendas tecnológicas e compensações comerciais, industriais e tecnológicas (offset). Conclui-se que o fortalecimento da BID requer políticas públicas coordenadas, de longo prazo e orientadas por missões, capazes de promover autonomia tecnológica, adensamento produtivo e integração entre defesa, ciência, tecnologia e indústria, posicionando o setor como vetor estratégico da reindustrialização e da competitividade nacional.
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