Violência sistêmica e produção de sentido: uma leitura enativa da questão Palestina

Autores

DOI:

https://doi.org/10.5902/2357797596087

Palavras-chave:

Palestina, Enativismo, Relações internacionais, Violência sistêmica, Sense-Making

Resumo

A violência sistêmica de larga escala em curso na Palestina evidencia a insuficiência dos marcos analíticos tradicionais das Relações Internacionais, centrados prioritariamente em estruturas estatais e institucionais em detrimento da experiência concreta e corporificada dos sujeitos. Este trabalho propõe tensionar essas limitações a partir do enativismo, abordagem segundo a qual a cognição emerge da relação situada entre organismos e ambiente. Nessa perspectiva, busca-se compreender a violência como um fenômeno que articula cognição corporificada, intersubjetividade e produção de sentido. O objetivo central consiste em analisar os limites e as potencialidades da teoria enativa diante de formas extremas de violência, tendo como caso concreto o extermínio da população palestina, tomando como eixo analítico o conceito de participatory sense-making. Tal conceito permite compreender a violência sistêmica como produto de acoplamentos materiais e discursivos que estruturam regimes de destruição e, simultaneamente, possibilitam formas imanentes de resistência. Ao integrar epistemologias críticas do campo das Relações Internacionais e a teoria enativa, o artigo propõe um deslocamento epistemológico na área, reinscrevendo o corpo, a vulnerabilidade e a experiência corporificada como dimensões analíticas relevantes para a compreensão da violência contra o povo palestino.

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Biografia do Autor

Alexandre Cassiano Planke Barth, Universidade Federal de Santa Maria

Graduando em Relações Internacionais pela Universidade Federal de Santa Maria, Santa Maria, RS, Brasil.

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Publicado

2026-06-01

Como Citar

Barth, A. C. P. (2026). Violência sistêmica e produção de sentido: uma leitura enativa da questão Palestina. InterAção, 17(2), e96087. https://doi.org/10.5902/2357797596087