Caracterização Geoambiental da Bacia Hidrográfica do Rio Verde, Mato Grosso do Sul (Brasil)
DOI:
https://doi.org/10.5902/2236499491694Palavras-chave:
Mudanças no uso da terra, Pressão antrópica, Impacto ambientalResumo
Neste estudo, é feita a caracterização geoambiental da Bacia Hidrográfica do Rio Verde, Mato Grosso do Sul, Brasil, com objetivo de avaliar suas condições ambientais e dar subsídios a partir dos dados gerados, ao planejamento territorial. A escolha do recorte espacial justifica-se principalmente pelo avanço da silvicultura de eucalipto na região, atividade que pode comprometer sua função de corredor ecológico entre o Rio Paraná e o Pantanal. Os dados geoespaciais utilizados foram obtidos no USGS (2020), CPRM (2006), IBGE (2021) e MapBiomas - coleção 9 (2024), e os softwares empregados na análise foram ArcGIS Pro e QGIS 3.22. Os resultados, revelaram um ambiente frágil naturalmente, com solos arenosos suscetíveis à erosão (Neossolos Quartzarênicos) e vulneráveis a arenização devido às práticas agrícolas intensivas que não consideram a aptidão agrícola; além da perda de 66,49% da vegetação original. As mudanças no uso da terra alteraram os ecossistemas terrestres e aquáticos da região, e confirmaram que a alta pressão antrópica (monoculturas, hidrelétricas, práticas de manejo inadequadas) sobre os recursos naturais potencializam os conflitos socioambientais, aumentando a vulnerabilidade das comunidades inserida na bacia hidrográfica.
Downloads
Referências
ALVARES, C. A. et al. Köppen’s climate classification map for Brazil. Meteorologische Zeitschrift, v. 22, n. 6, p. 711-728, 2014. DOI: 10.1127/0941-2948/2013/0507
ANA - Agência Nacional De Água (Brasil); Catálogo de Metadados da Ana. Brasília, DF. Disponível em: https://metadados.snirh.gov.br/geonetwork/srv/por/catalog.search#/home. Acesso: 17 de janeiro de 2025.
BRASIL. Decreto nº 5. 745 de abril de 2006. Regulamenta o art 21 da Lei nº 9.985 de julho de 2000 que dispõe sobre o Sistema Nacional de Unidades de Conservação da Natureza. Disponível em: https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2004-2006/2006/decreto/d5746. htm. Acesso 28 de março de 2025.
CAPOANE, V. Mapeamento dos pequenos reservatórios e análise dos impactos ambientais associados na bacia hidrográfica do córrego Guariroba, Campo Grande-MS. GEO, 39, 1-23, 2021. doi: 10.12957/geouerj.2021.51688
CAPOANE, V. Impactos do período seco e geadas no vigor da vegetação: estudo de caso para a bacia hidrográfica do córrego Guariroba, Campo Grande, Mato Grosso do Sul. Revista Cerrados, 20, 221-241, 2022. doi: 10.46551/rc24482692202225
CAPOANE, V. Características geoambientais da Bacia Hidrográfica do Rio Pardo, Mato Grosso do Sul: bases de conhecimento para fins de planejamento territorial. Revista DeMA Desenvolvimento e meio ambiente. Universidade Federal do Paraná. Vol. 62, p. 1439-1461, jul./dez. 2023. DOI: 10.5380/dma. v62i0.87262 e-ISSN 2176-9109
CAPOANE, V.; MESCOLOTTI, P. C.; FUSHIMI, M.; FONTANA, A.; KUPLICH, T. M.; SILVA, D. A. da. Detecção de focos de arenização na bacia hidrográfica do Córrego Guariroba, Campo Grande, Mato Grosso do Sul. Revista Brasileira de Geomorfologia, [S. l.], v. 25, n. 2, 2024.
DUBOS-RAOUL, M.; DE ALMEIDA, R.. A chegada do eucalipto no município de Três Lagoas (MS) na percepção dos moradores das comunidades rurais de Arapuá e Garcias: entre a sujeição e a resistência territorial. Revista Nera, v. 25, n. 64, 2022.
FERNANDES, L. A.; COIMBRA, A. M. A Bacia Bauru (Cretáceo, 68(2), 195-206, 1996.
FERNANDES, L. A.; COIMBRA, A. M. Revisão estratigráfica da parte oriental da Bacia Bauru (Neocretáceo). Revista Brasileira de Geociências, v. 30, n. 4, p. 717-728, 2000. DOI: 10.25249/0375-7536.2000304717728
GAROFOLO, L.; RODRIGUEZ, D. A. Impacto observado das mudanças no uso e cobertura da terra na hidrologia de bacias com ênfase em regiões tropicais. Pesquisa Florestal Brasileira, [S. l.], v. 42, 2022. DOI: 10.4336/2022.pfb.42e201902069.
GRAVELIUS, H. Flusskunde. Goschen’sche Verlagshandlung, Berlin. Morphometry of drainage basins. Elsevier, Amsterdam, 1941.
GUERRA, A. J. T.; Experimentos e monitoramentos em erosão dos solos. Revista do Departamento de geografia, v. 16, p. 32-37, 2005.
HERNANI, L. C., DE FREITAS, P. L., PRUSKI, F. F., DE MARIA, I. C., CASTRO FILHO, C. D., LANDERS, J. N., ... & JOHN NICOLAS LANDERS, A. P. D. C. A erosão e seu impacto. Processos de Degradação das Terras, 2002.
HOFMANN, G. S.; Mudanças climáticas no Cerrado brasileiro: suas origens e impactos para biodiversidade / Gabriel Selbach Hofmann. -- 2024. 191 f. Orientador: Francisco Eliseu Aquino. Universidade Federal do Rio Grande do Sul.
HORTON, R. E.; Drainage-basin characteristics. Transactions, American geophysical union, v. 13, n. 1, p. 350-361, 1932.
HORTON, R. E. Erosional development of streams and their drainage basins; hydrophysical approach to quantitative morphology. Geological society of America bulletin, v. 56, n. 3, p. 275-370, 1945.
IBGE - Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. Bases cartográficas do mapa de localização. Rio de Janeiro, 2021.
IBGE - Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. Bacias Hidrográficas do Brasil BHB250. Rio de Janeiro, IBGE – Diretoria de Geociências, 2021.
IBGE - Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (2023). Produção da Extração Vegatal e da Silvicultura (PEVS, 2023). Tabelas 289, 291 e 5930. Disponível em: https://sidra.ibge.gov. br/pesquisa/pevs/quadros/brasil/2023. Acesso em: 04 de janeiro de 2025.
IMHOF, E. Cartographic relief presentation. Redlands, CA: ESRI Press, 2007.
LACERDA FILHO, J. V. D., ABREU FILHO, W., Valente, C. R., OLIVEIRA, C. C. D., & ALBUQUERQUE, M. C. D. Geologia e recursos minerais do estado de Mato Grosso. CPRM; Secretaria de Estado de Indústria, Comércio, Minas e Energia do Estado de Mato Grosso (SICME-MT), 2004.
LACERDA FILHO, J. V. et al. Geologia e recursos minerais do estado de Mato Grosso do Sul - Escala 1:1.000.000. CPRM, 2006
LAMOSO, L. P.; GOMES, T. N.. Implicações da Silvicultura no Eucalipto para o desenvolvimento regional no Mato Grosso do Sul. DA SILVA, WALTER GUEDES; SILVA, PFJ. Mato Grosso do Sul no início do século XXI: As Múltiplas Escalas do Desenvolvimento. Life, 2017
LANZA, D. A.; POTT, A.; SILVA, J. Vegetação e uso da terra na unidade de planejamento e gestão Rio Verde, Mato Grosso do Sul. Revista GeoPantanal, UFMS/AGB – Corumbá, 2014.
LIYING, S. et al. A review on rill erosion process and its influencing factors. Chinese geographical science, v. 23, p. 389-402, 2013.
MELTON, Mark A. An analysis of the relations among elements of climate, surface properties, and geomorphology. 1957.
MANZANO, L. M. T. Estratigrafia e evilução tecnossedimentar da parte ociedental da Bacia Bauru/ Liliane Maia Tcacenco Manzano – Curitiba, 2022. 1 recurso online: PDF.
MARENGO, J. A. et al. Increased climate pressure on the agricultural frontier in the Eastern Amazonia–Cerrado transition zone. Scientific reports, v. 12, n. 1, p. 457, 2022.
MARIANO, A. J. de F.; TEIXEIRA, J. C. O avanço do atraso: a territorialização do agronegócio em Mato Grosso do Sul. Revista Ciência Geográfica, v. 26, n. 2, p. 968-1002, 2022.
MILLER, V. C. A quantitative geomorphic study of drainage basin characteristics in the Clinch Mountain area, Virginia and Tennessee. Columbia University, 1953.
MORGAN, R. P. C. Soil erosion and conservation. Oxford: Blackwell Publishing, 2005.
PAULINO, E. T.; DO ROCCIO KRÜGER, C.. Agricultura empresarial e produção camponesa no contexto das disputas territoriais recentes: o caso paranaense. Acta Scientiarum. Human and Social Sciences, v. 32, n. 1, p. 97-107, 2010.
PEDRON, F. A.; DALMOLIN, R. S. D.; FLORES, C. A. Gênese e morfologia dos solos arenosos do Bioma Pampa. In.: Pedron, F. A.; Dalmolin, R. S. D. (Orgs.). Solos arenosos do bioma Pampa brasileiro. Santa Maria: Editora UFSM, 2019. p. 51-95.
SANO, E. E.; BARCELLOS, A.O.;PEIXOTO, S.S.J., GUIMARÃES, L.P. and ALVES, R.G. Influence of eucalyptus plantations on benthic macroinvertebrate assemblages in neotropical springs. Acta Limnologica Brasiliensia, 2024, vol. 36, e24. https://doi.org/10.1590/S2179-975X8623
PERPETUA, G.; THOMAZ JÚNIOR, A. (2013). Dinâmica geográfica da mobilidade do capital na produção de celulose e papel em Três Lagoas (MS). Revista da Anpege. 9. 55-69. 10.5418/RA2013.0912.0004.
PITON, J.; OLIVEIRA, T. Impactos Ambientais Decorrentes da Construção de Barragens de Usinas Hidrelétricas: Reflexões e Desdobramentos Físico-Naturais. Ciências Ambientais: diagnósticos ambientais (pp.64-83), 2020.
POESEN, J. Soil erosion in the Anthropocene: Research needs. Earth surface processes and landforms, v. 43, n. 1, p. 64-84, 2018. doi:10.1002/esp.4250
SANO, E. Eyji et al. Mapeamento da cobertura vegetal do bioma cerrado. Embrapa. 2008.
SANO, E. E. et al. Cerrado ecoregions: a spatial framework to assess and prioritize Brazilian savanna environmental diversity for conservation. Journal of Environmental Management, 232, 818-828, 2019. Doi: 10.1016/j.jenvman.2018.11.108
REICHERT J.M, RODRIGUES M.F, PELÁEZ J.J.Z, LANZA R, MINELLA J.P.G, ARNOLD J.G, et al. Water balance in paired watersheds with eucalyptus and degraded grassland in Pampa biome. Agric For Meteorol 2017;237–238:282–95. https://doi.org/10.1016/j.agrformet.2017.02.014.
SCHUMM, S. A. Evolution of drainage systems and slopes in badlands at Perth Amboy, New Jersey. Geological society of America bulletin, v. 67, n. 5, p. 597-646, 1956.
SCHUMM, S. A. Sinuosity of alluvial rivers on the Great Plains. Geological Society of America Bulletin, v. 74, n. 9, p. 1089-1100, 1963.
SILVA, M. S. L. Da. Estudos da erosão. EMBRAPA-CPATSA, 1995.
SILVA, J.V.F. Uso, ocupação e erosão dos solos: um estudo sobre erosão laminar na bacia hidrográfica do ribeirão Douradinho, no Triângulo Mineiro. Universidade Federal de Uberlândia. Programa de Pós-graduação em Geografia, 2021.
SILVA, I. D. S.; CAPOANE, V. Análise espaço-temporal do uso e cobertura da terra na bacia hidrográfica do Rio Verde-MS. Revista Pantaneira, v. 25, p. 26-37, 2024.
SILVA, C.H.R. Política Industrial Brasileira e as regiões Geoeconômicas de Mato Grosso do Sul. DA SILVA, WALTER GUEDES; SILVA, PFJ. Mato Grosso do Sul no início do século XXI: As Múltiplas Escalas do Desenvolvimento. Life, 2017.
SOARES, P. C.; LANDIM, P MB. Ensaio De Caracterização Estratigráfica Do Cretáceo. Revista Brasileira de Geografia, 1980, p 177-185.
SPERA, S. T; REATTO, A.; MARTINS, E. de S.; CORREIA, J. R.; CUNHA, T. J. F. Solos areno quartzosos no Cerrado: problemas, características e opções de uso. Planaltina: Embrapa Cerrados, 1999.
SPERA, S. T.; CORREIA, J. R.; REATTO, A. Solos do Bioma Cerrado: propriedades químicas e físico-hídricas sob uso e manejo de adubos verdes. In.: CARVALHO, A. M.; AMABILE, R. F. (EDs.). Cerrado: adubação verde. Planaltina, DF: Embrapa Cerrados, 2006. p. 41-70.
STRAHLER, Arthur N. Hypsometric (area-altitude) analysis of erosional topography. Geological society of America bulletin, v. 63, n. 11, p. 1117-1142, 1952.
STRAHLER, A. Quantitative Geomorphology of Drainage Basins and Channel Networks. In: Chow, V., Ed., Handbook of Applied Hydrology, McGraw Hill, New York, 1964, p 439-476. TILMAN, D. et al. Agricultural sustainability and intensive production practices. Nature, v. 418, n. 6898, p. 671-677, 2002.
TINÓS, T. M. et al. Técnicas de visualização de modelos digitais de elevação para o reconhecimento de elementos de análise do relevo. Geociências, 33(2), 2014.
TUCCI, C. E. M. Gestão da água no Brasil – Brasília: UNESCO, 2001. 156p.
WILLIAMS, Michael. Dark ages and dark areas: global deforestation in the deep past. Journal of historical geography. Journal of historical geography, doi: 10.1006/jhge.1999.0189. v. 26, n. 1, p. 28-46, 2000.
Publicado
Como Citar
Edição
Seção
Licença
Copyright (c) 2026 Geografia Ensino & Pesquisa

Este trabalho está licenciado sob uma licença Creative Commons Attribution-NonCommercial-ShareAlike 4.0 International License.
A revista Geografia Ensino & Pesquisa deterá os direitos autorais dos trabalhos publicados. Os direitos referem-se a publicação do trabalho em qualquer parte do mundo, incluindo os direitos às renovações, expansões e disseminações da contribuição, bem como outros direitos subsidiá¡rios. Os autores comprometen-se com a originalidade do trabalho, e no caso de desistência da submissão, os autores assumem a responsabilidade de comunicar à revista.
Após publicado os(as) autores(as) têm permissão para a publicação da contribuição em outro meio, impresso ou digital, em português ou em tradução, desde que os devidos créditos sejam dados à Revista Geografia – Ensino & Pesquisa.
A revista Geografia Ensino & Pesquisa utiliza em suas publicações uma Creative Commons Attribution-NonCommercial-ShareAlike 4.0 International License.


