Entre a continuidade e o vestígio: Zahy Tentehar, Siba Puri e regimes de presença nas artes indígenas contemporâneas
DOI:
https://doi.org/10.5902/1983734896494Palavras-chave:
Artes indígenas contemporâneas, Azira’i, Siba PuriResumo
O artigo investiga as transformações nas artes indígenas contemporâneas no Brasil, partindo do problema dos limites da noção de “regimes de visibilidade” para compreender a inserção dessas produções no campo artístico. Como objetivo, propõe-se ampliar essa noção para “regimes de presença”, a fim de analisar como diferentes trajetórias históricas indígenas produzem formas distintas de reconhecimento e atuação estética. O referencial teórico articula estudos sobre arte indígena, crítica decolonial e teoria da performance, mobilizando discussões sobre memória, identidade, corpo e linguagem, além de questionar critérios ocidentais de legitimação artística. Metodologicamente, trata-se de uma pesquisa qualitativa, interpretativa e comparativa, baseada na análise de obras e de seus contextos de circulação e recepção, com foco no espetáculo Azira’i e na produção musical de Siba Puri. Os resultados evidenciam que essas produções deslocam concepções tradicionais de arte ao integrar memória, ancestralidade e criação como dimensões indissociáveis. No primeiro caso, sobressai a continuidade cultural como elemento estruturante da presença cênica; no segundo, destaca-se a reconstrução de pertencimentos a partir de memórias fragmentadas. Conclui-se que as artes indígenas contemporâneas atuam como práticas de elaboração histórica e simbólica, produzindo novos modos de existência e contribuindo para a reformulação das categorias analíticas do campo artístico.
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