Entre a continuidade e o vestígio: Zahy Tentehar, Siba Puri e regimes de presença nas artes indígenas contemporâneas

Autores

DOI:

https://doi.org/10.5902/1983734896494

Palavras-chave:

Artes indígenas contemporâneas, Azira’i, Siba Puri

Resumo

O artigo investiga as transformações nas artes indígenas contemporâneas no Brasil, partindo do problema dos limites da noção de “regimes de visibilidade” para compreender a inserção dessas produções no campo artístico. Como objetivo, propõe-se ampliar essa noção para “regimes de presença”, a fim de analisar como diferentes trajetórias históricas indígenas produzem formas distintas de reconhecimento e atuação estética. O referencial teórico articula estudos sobre arte indígena, crítica decolonial e teoria da performance, mobilizando discussões sobre memória, identidade, corpo e linguagem, além de questionar critérios ocidentais de legitimação artística. Metodologicamente, trata-se de uma pesquisa qualitativa, interpretativa e comparativa, baseada na análise de obras e de seus contextos de circulação e recepção, com foco no espetáculo Azira’i e na produção musical de Siba Puri. Os resultados evidenciam que essas produções deslocam concepções tradicionais de arte ao integrar memória, ancestralidade e criação como dimensões indissociáveis. No primeiro caso, sobressai a continuidade cultural como elemento estruturante da presença cênica; no segundo, destaca-se a reconstrução de pertencimentos a partir de memórias fragmentadas. Conclui-se que as artes indígenas contemporâneas atuam como práticas de elaboração histórica e simbólica, produzindo novos modos de existência e contribuindo para a reformulação das categorias analíticas do campo artístico.

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Biografia do Autor

Felipe Moratori, Universidade Federal de Juiz de Fora

Doutorando em educação,  mestre em Artes Cênicas pela Universidade Federal de Ouro Preto e licenciado em Letras pela Universidade Federal de Juiz de Fora, é ator, dramaturgo, diretor e professor de teatro. Fundador da Sala de Giz, companhia de repertório autoral, é puri em retomada e integra o coletivo indígena Krauma. 

Francione Oliveira Carvalho, Universidade Federal de Juiz de Fora

Professor da Faculdade de Educação e do Programa de Pós-Graduação em Educação da UFJF. Professor do Programa de Pós-Graduação em Humanidades, Direitos e Outras Legitimidades da USP. É líder do MIRADA - Grupo de Estudo e Pesquisa em Visualidades, Interculturalidade e Formação Docente.

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Publicado

2026-08-04

Edição

Seção

Dossiê – Artes Indígenas Contemporâneas: acontecimentos de uma década anunciada