Reaparições e retomadas: agenciamentos historiográfico-poéticos das imagens e materialidades na arte indígena contemporânea
DOI:
https://doi.org/10.5902/1983734896012Palavras-chave:
Arte Contemporânea Indígena, História da Arte, Representação indígena, Cultura material, Memória coletivaResumo
Este artigo analisa a produção de Glicéria Tupinambá, Denilson Baniwa e Gustavo Caboco, investigando como suas práticas artísticas operam retomadas culturais e epistemológicas por meio da reativação de imagens e materialidades históricas. Parte-se da hipótese de que imagens produzidas desde o século XVI, fundamentais para a constituição colonial do “índio” como conceito-imagem, são contra-instrumentalizadas por esses(as) artistas, que as reinscrevem em agenciamentos histórico-poéticos. Ancorado na noção de agenciamento em Félix Guattari, o estudo compreende tais práticas como composições coletivas, processuais e politicamente situadas, que articulam imagens, corpos, territórios e saberes. A análise evidencia que essas produções não apenas citam o passado, mas o reativam como presença insistente, aproximando-se da noção de assombramento em Avery F. Gordon. As reaparições de imagens e objetos — como o Manto Tupinambá — operam, assim, como contra-imagens que desestabilizam narrativas coloniais baseadas na extinção, assimilação ou passividade indígena. Argumenta-se que tais práticas constituem uma política das imagens e das materialidades que reabre a história e reposiciona os povos indígenas como agentes contemporâneos na produção de conhecimento e memória. Ao mobilizar tecnologias ancestrais e mídias atuais, esses(as) artistas instauram outras temporalidades e disputam a hegemonia dos imaginários sobre o Brasil, configurando a arte como campo de ação historiográfica, política e cosmotécnica.
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