Vozes do Limiar: Memória e Ensaio Fílmico entre os Tikmũ’ũn Maxakali

Autores

DOI:

https://doi.org/10.5902/1983734895739

Palavras-chave:

Filme-ensaio, Cinema Indígena, Maxakali

Resumo

Este estudo analisa o filme Nũhũ yãgmũ yõg hãmEssa terra é nossa! (2020), dirigido por Isael Maxakali, Sueli Maxakali, Carolina Canguçu e Roberto Romero, investigando como a narrativa em primeira pessoa do povo Tikmũ’ũn Maxakali articula subjetividade indígena e estética do filme-ensaio. O problema de pesquisa consiste em compreender de que maneira a direção colaborativa, os testemunhos orais e os cantos tradicionais funcionam como dispositivos de memória e como formas de contraposição às narrativas oficiais da história brasileira. O referencial teórico dialoga com estudos sobre filme-ensaio, cinema indígena e artes indígenas contemporâneas, mobilizando autores que discutem a dimensão reflexiva do cinema e a agência estética e política das produções indígenas. A metodologia adotada é analítico-reflexiva e interdisciplinar, combinando análise fílmica com aportes da história e da análise sonora. O filme é compreendido não apenas como registro documental, mas como um gesto situado de produção de conhecimento, no qual a narrativa em primeira pessoa, o canto Maxakali e os testemunhos orais funcionam como formas de arquivo vivo. Os resultados indicam que a obra articula estética ensaística e protagonismo indígena para produzir um cinema que atua como espaço de resistência cultural, elaborando memória histórica e reafirmando vínculos entre território, experiência coletiva e identidade.

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Biografia do Autor

Rafael de Almeida, Universidade Estadual de Goiás

Doutor em Multimeios pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), com estágio de doutorado na Universidad Complutense de Madrid, e pós-doutorado pelo Programa de Pós-Graduação em Arte e Cultura Visual da Universidade Federal de Goiás (UFG). Atua como professor no curso de Cinema e Audiovisual e no Programa de Pós-Graduação em Territórios e Expressões Culturais no Cerrado (PPGTECCER) da Universidade Estadual de Goiás (UEG). Sua pesquisa artística se desenvolve no cruzamento entre o cinema e as artes visuais, tendo a montagem como princípio central de pensamento e criação, a partir do reemprego de materiais de arquivo. Seu trabalho investiga o estatuto das imagens enquanto vestígios instáveis do passado, mobilizando arquivos reais e ficcionais, incluindo imagens geradas por inteligência artificial, como matéria para fabulações críticas, frequentemente articuladas a paisagens e territórios do interior do Brasil. Por meio de procedimentos híbridos que atravessam filme, vídeo, fotografia expandida, instalação e processos fotoquímicos, suas obras habitam uma zona ambígua entre vestígio e fabulação, tensionando noções de tempo, memória e evidência. Coordena o Entre-imagens - Laboratório Experimental de Cinema e Arte, no qual desenvolve orientação acadêmica, grupos de estudo e projetos de pesquisa. Exerce também atuação curatorial continuada em festivais de cinema, com destaque para a Goiânia Mostra Curtas e o Pirenópolis Doc - Festival de Documentário Brasileiro, participando da definição de recortes curatoriais, comissões e atividades formativas. Dirigiu e montou curtas-metragens com circulação continuada em festivais nacionais e internacionais, entre eles Tupananchiskama (2023), Arrorró (2022), Ainda ontem (2020), Real Conquista (2018), Carrossel (2016), Talvez seja o vazio (2011), A saudade é um filme sem fim (2009) e Impej (2007). Foi tutor de laboratório de roteiro para projetos documentais no FAVERA Festival Audiovisual Vera Cruz e no FICA - Festival Internacional de Cinema Ambiental. Tem experiência como diretor, montador, consultor criativo e curador. Seu trabalho foi apresentado em festivais de cinema e salões de arte no Brasil e no exterior, com participações no Salão Anapolino de Arte (2022), na Bienal do Sertão de Artes Visuais (2023), no Salão de Arte Contemporânea Luiz Sacilotto (2024) e no Salão de Arte de Ribeirão Preto (2024). Foi premiado no Salão de Arte em Pequenos Formatos do Museu de Arte de Britânia (2022), no Salão de Arte Contemporânea de Jataí (2023) e no Salão dos Artistas Sem Galeria (2025).Suas obras integram os acervos do Museu de Arte Contemporânea de Goiás (GO), Museu de Arte de Britânia (GO), do Museu da Imagem e do Som de Goiás (MIS GO), do Museu de Arte de Santa Maria (RS) e do Museu de Arte Contemporânea de Jataí (GO). Em 2025, realizou sua primeira exposição individual, Sob nossos cascos, em Goiânia (GO), com curadoria de Divino Sobral.

Geórgia Cynara Coelho de Souza, Universidade Estadual de Goiás

Doutora (2018) e pós-doutora (2023) em Meios e Processos Audiovisuais pela Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo (ECA/USP). Graduada em Comunicação Social/Jornalismo pela Universidade Federal de Goiás-UFG (2005), especialista em Cinema e Educação pelo Instituto de Filosofia e Teologia de Goiás (2010) e mestre em Comunicação/Mídia e Cultura pela UFG (2012). Atua nas áreas de Comunicação, Música, Audiovisual, Cinema e Educação. É jornalista, curadora cinematográfica, musicista (violino/bandolim) e compositora de músicas para cinema, audiovisual e discos. Integra o Conselho Deliberativo (2023-2025) da Sociedade Brasileira de Estudos de Cinema e Audiovisual (SOCINE), tendo sido uma das coordenadoras (2020-2022) do Seminário Temático Estilo e Som no Audiovisual da mesma entidade. É docente colaboradora do Programa de Pós-Graduação em Performances Culturais da UFG. É docente efetiva do curso de Bacharelado em Cinema e Audiovisual, da Pós-Graduação Lato Sensu em Cinema e Audiovisual: Linguagens e Processos de Realização e do Programa de Pós-Graduação Interdisciplinar Stricto Sensu em Territórios e Expressões Culturais no Cerrado (TECCER), todos na Universidade Estadual de Goiás (UEG). É coordenadora do LUMINAV - Laboratório Universitário de Memória Audiovisual da UEG.

Poliene Soares dos Santos Bicalho, Universidade Estadual de Goiás

Graduação (2000) e Mestrado (2003) em História pela Universidade Federal de Goiás, Doutorado em História pela Universidade de Brasília (2010) e Pós-Doutorado em Antropologia Social pela Universidade de Brasília (2015). Docente de Ensino Superior - Adjunto da Universidade Estadual de Goiás, professora do Curso de História da Unidade de Ciências Socioeconômicas e Humanas Prof. Nelson de Abreu Júnior - Campus Central da UEG e do Programa de Pós-Graduação Stricto Sensu Interdisciplinar em Territórios e Expressões Culturais no Cerrado. Tem experiência nas áreas de História e Antropologia indígena, bem como na área Interdisciplinar, com ênfase, principalmente, nas seguintes temáticas de pesquisa: Povos Indígenas, Movimento Indígena, Cerrado brasileiro, Ditadura Civil-Militar e Indígenas, Saberes Indígenas no Cerrado. Líder do Grupo de Pesquisa SABERES, SOCIEDADE E NATUREZA NO CERRADO, espelho: dgp.cnpq.br/dgp/espelhogrupo/9541477719587651.

Luca Fraietta, Universidade Estadual de Goiás

Luca M. Fraietta, formado em Cinema e Audiovisual pela Universidade Estadual de Goiás UEG, nasceu em 2002, em Goiânia. Foi, duas vezes, bolsista de Iniciação Científica do PIBIC/CNPq (título: Arquivos domésticos encontrados e filme-ensaio: a propósito de diálogos possíveis, e Por Uma Estética Do Fragmento: Pensamento Ensaístico E Montagem No Filme-Ensaio). Atualmente é mestrando pelo Programa de Pós-Graduação em Territórios e Expressões Culturais no Cerrado (TECCER) da Universidade Estadual de Goiás (UEG);Atuou nos projetos audiovisuais: Skate 62 (2022), exibido na mostra 12 Mostra de Cinema e Audiovisual UEG MAU 2022, como diretor e editor; Carrego numa mochila o sonho e a raiva. projeto aprovado pela LPG/2024, ainda em execução, como diretor de fotografia; BENDITO SEJA O BECK (2024), exibido em 2 Mostra de Cinema Negro de Londrina, Power24 International Film Festival, dentro outros; SONHO QUE VIVIA ACORDADO (2025) exibido em 23 Goiânia Mostra Curtas e First-Time Filmmaker Sessions Volume 8; DONGOO (2025), exibido em FICSAMAS - FESTIVAL INTERNACIONAL DE CINEMA DE SÃO MATEUS DO SUL; FLOR ARTIFICIAL NA MÁQUINA DA MORTE (2025) exibido em FAROLETE - Mostra de Artes do Vídeo;

Referências

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Publicado

2026-07-28

Como Citar

Almeida, R. de, Souza, G. C. C. de, Bicalho, P. S. dos S., & Fraietta, L. (2026). Vozes do Limiar: Memória e Ensaio Fílmico entre os Tikmũ’ũn Maxakali. Revista Digital Do LAV, 19(1), e18/01–22. https://doi.org/10.5902/1983734895739

Edição

Seção

Dossiê – Artes Indígenas Contemporâneas: acontecimentos de uma década anunciada