Educao de Jovens e Adultos, Multisseriao e Recursos Didticos Digitais: uma tentativa de dilogo

Young People and Adult Education, Multigraded Teaching and Digital Learning Resources: an attempt dialogue

Gabriel Moreira Beraldi

Doutorando em Ensino de Biocincias e Sade (IOC-Fiocruz); Docente na SEEDUC-RJ e Escola Firjan SESI.

gabscj@yahoo.com.br http://orcid.org/0000-0001-8786-9179

 

Francisco Roberto Pinto Mattos

Doutor em Engenharia de Sistemas e Computao (UFRJ); Docente do ensino bsico, tcnico e tecnolgico e Coordenador do Mestrado Profissional em Prticas para a Educao Bsica no Colgio Pedro II e docente do Mestrado Profissional PROFMAT da UERJ.

francisco.mattos@gmail.com https://orcid.org/0000-0003-3760-4636

 

Aira Suzana Ribeiro Martins 

Doutora em Letras (UERJ); Docente do Ensino bsico, tcnico e tecnolgico e Supervisora do Programa de Residncia Docente no Colgio Pedro II.

airasuzana.ribeiromartins@gmail.com https://orcid.org/0000-0002-5917-1870

 

Recebido em 30 de setembro de 2018

Aprovado em 30 de outubro de 2019

Publicado em 17 de dezembro de 2019

 

RESUMO

O presente trabalho pretende responder seguinte pergunta de investigao: De que forma a Educao de Jovens e Adultos multisseriada, aliada ao uso de tecnologias, pode contribuir para o processo ensino-aprendizagem?. Para tanto, tem como objetivo investigar as contribuies da multisseriao e da utilizao de recursos didticos digitais no processo ensino-aprendizagem do aluno da EJA. Regulada por uma legislao especfica, a EJA tem sido difundida nos ltimos anos como importante ferramenta de incluso. Em algumas instituies, no entanto, ela est aliada realidade da multisseriao, que comporta alunos de diferentes sries em uma mesma sala de aula. Pesquisas recentes mostram os desafios dos docentes no trabalho em turmas da EJA. Esta pesquisa de cunho qualitativo e se utilizou de pesquisa bibliogrfica e entrevistas semiestruturadas em uma amostra de 20 alunos de Ensino Mdio multisseriado da modalidade EJA de uma das unidades da Escola SESI/RJ. As concluses apontaram para uma avaliao positiva da juno entre EJA, multisseriao e recursos didticos digitais.

Palavras-chave: Educao de Jovens e Adultos; Multisseriao; Recursos didticos digitais.

 

ABSTRACT

This paper aims to answer the following research question: "How can multigraded classes of the Youth and Adult Education, combined with the use of technologies, contribute to the teaching-learning process?. To do so, it aims to investigate the contributions of multigrade classes and the use of digital didactic resources in the teaching-learning process of the student of the Young and People Education. Regulated by specific legislation, Young People and Adult Education has been widespread as an important means of inclusion in recent years. However, in some institutions it is allied to the reality of multigraded teaching, which involves students from different grades in the same classroom. Recent research, shows the challenges faced by teachers in working Young People and Adult classes. This research is qualitative and it was used a bibliographic research and semi-structured interview in a sample of 20 high school students of multigraded classes of the Youth and Adult Education modality of one branch of the SESI/RJ School. The conclusions pointed to a positive evaluation of the junction between EJA, multiseriate and digital didactic resources.

Keywords: Young People and Adult Education; Multigraded teaching; Digital learning resources.

Introduo

Turmas de Educao de Jovens e Adultos (doravante EJA), mesmo tendo recebido nos ltimos anos grande ateno da legislao nacional (OLIVEIRA, 2011) so, por si s, desafiantes para docentes e discentes, uma vez que trazem consigo peculiaridades que necessitam ser compreendidas e enfrentadas. Segundo Candau (2007), esse paradoxo surge, por um lado, devido expanso da educao bsica nos ltimos anos; em contrapartida, ndices como os de evaso e repetncia persistem, sem que seja efetivamente problematizada a questo da qualidade educacional e da prpria valorizao do professor. De acordo com Jesus e Machado (2011), o termo Educao de Jovens e Adultos recente, mas uma preocupao mais refinada sobre a educao no pas remonta Campanha de Educao de Adultos, de 1947. A partir de fins da dcada de 1950, atravs da influncia de Paulo Freire, surgem reflexes sobre a questo do analfabetismo e do desejo de um novo paradigma pedaggico que se baseasse na viso de mundo e nos componentes socioculturais dos indivduos. Segundo o pesquisador, a leitura do mundo precede a leitura da palavra (FREIRE, 2003, p. 13). No incio da dcada de 1960 surge o Plano Nacional de Educao, interrompido pelo golpe de 1964, o que ensejou a interveno da UNESCO e, em 1967, criado o Movimento Brasileiro de Alfabetizao (MOBRAL), extinto em 1985. Mais tarde, em 1996 a Lei de Diretrizes e Bases da Educao Nacional (LDBEN n 9.394/96) institucionaliza a EJA.

Apesar dos avanos no campo da legislao, Sousa e Cunha (2010) apontam que o aluno da EJA ainda sofre com preconceito, discriminao e crticas. importante lembrar, entretanto, que esses estudantes tambm carregam conhecimentos prvios e sabedoria adquirida. Alm disso, muitos desses alunos possuem baixa autoestima devido a sucessivos fracassos escolares; outros, por sua vez, passaram longo tempo distantes da escola. Necessitam, tambm, muitas vezes, conciliar estudo e emprego e vale chamar ateno para o fato de que consideram essa modalidade de ensino condensada, rpida, sem qualidade e com baixo nvel de exigncia, como observam Caminha e Oliveira (2010).

Dessa forma, diversas pesquisas apontam para a discusso sobre a melhor forma de dialogar com o aluno da EJA, de modo a favorec-lo no processo ensino-aprendizagem. Sem dvida, h diversos meios que, adotados, podem contribuir para o processo. Neste artigo, pretende-se considerar duas ferramentas: a multisseriao e o uso de recursos didticos digitais.

Aliada s dificuldades da EJA encontra-se a multisseriao, muito comum em reas no urbanas e alvo de muitas crticas. Embora seja vista por muitos como uma forma de economizar recursos, j que alunos de diferentes sries so alocados em uma mesma classe, evitando, assim, a necessidade da contratao de professores para vrias turmas, pode ser tambm vista a partir de uma perspectiva inovadora. A hiptese deste trabalho aponta que essa modalidade de formao de turmas em consonncia com o uso de recursos didticos digitais tem o potencial de contribuir para o trabalho em turmas de jovens e adultos e favorecer o processo de ensino-aprendizagem. Em outras palavras, classes multisseriadas podem ser uma resposta deliberada aos problemas da Educao, bem como servir de incentivo ao professor que necessita de meios mais eficazes para atingir seu pblico-alvo, tais como uso dos recursos tecnolgicos disponveis, elaborao de estratgias especficas, produo de um currculo e de materiais didticos especficos e fomento integrao entre escola e comunidade, como acentua Berry (2010). Note-se que a maior parte dos materiais didticos disponveis foi elaborado com vistas a atender a demanda das classes seriadas. Muitas vezes, entretanto, ocorre a utilizao desse material nas classes multisseriadas. Segundo Berry (2010), tal procedimento um erro que acontece com frequncia. Tal material inadequado para classes multisseriadas, pelo fato de esse grupo ter particularidades muito especficas. Esse aspecto diferencial de turmas da EJA multisseriada contribui para que os materiais didticos se tornem rapidamente obsoletos. No se pode ignorar tambm que o tipo de recurso didtico produzido para uma realidade de multisseriao no pode ser apropriado por uma outra. Como vemos, cada grupo de alunos tem interesses prprios e os recursos e materiais didticos devem ser adequados para cada grupo especfico.

O sistema de ensino multisseriado tambm estimula o desenvolvimento social dos alunos, encorajando a cooperao em sala de aula. Em uma das pesquisas encontradas que defendem veementemente as classes multisseriadas, encontramos a contundente justificativa de Rosa (2008, p. 224-225):

A homogeneidade era, e ainda , em algumas escolas, a caracterstica esperada pelo educador para facilitar sua atuao em sala de aula. No entanto, o que podemos observar um problema histrico-cultural fundamentalmente poltico. Ao agrupar os alunos pela idealizao da homogeneidade, ou seja, pela abstrao do desejo de se trabalhar com alunos iguais, estamos permitindo a excluso de muitos do processo de ensino e aprendizagem, porque, historicamente, ao se separar por nveis de dificuldades, estamos mais uma vez excluindo aqueles com menores condies sociais e culturais.

A autora aponta para o fato de a seriao fragmentar o conhecimento e separar pessoas. Ademais, pode acomodar o professor que, muitas vezes, em todos os anos e em todas as sries, precisa apenas se preocupar em reproduzir as mesmas informaes e conceitos, sem considerar as peculiaridades de seus interlocutores.

No presente artigo, pretendemos justificar que recursos digitais, aliados ao cenrio da multisseriao, podem contribuir no processo ensino-aprendizagem na EJA. A relevncia dessa discusso se d pelo fato de vivermos em um mundo onde o virtual cada vez mais presente. Sendo assim, ao apontarmos para a importncia da presena de recursos digitais na escola, conjugados com classes multisseriadas, que tm no seu mago uma proposta pedaggica diferenciada, desfragmentada e inclusiva, acabamos por nos unir a modernas tendncias pedaggicas que direcionam para a construo do aluno como sujeito autnomo e participante, uma vez que o papel da escola deve ser o de fomentar pessoas capazes de ser sujeitos de suas vidas, conscientes de suas opes, valores e projetos de referncia e atores sociais comprometidos com um projeto de sociedade e humanidade (CANDAU, 2007, p. 13). Entendemos, portanto, que, na medida em que o aluno do sculo XXI, de forma muito natural, interage com as tecnologias vigentes, estas podem desempenhar o papel de ferramenta de interao com o mundo e a escola. Dessa forma, no possvel mais, nos dias de hoje, a postura pedaggica semelhante quela criticada por Behrens (1999, p. 384):

Salvaguardadas as excees, os docentes conservadores aliam a competncia ao autoritarismo. O professor bom aquele que conhece seu contedo, apresenta-se severo, exigente e no deve mostrar os dentes para os alunos. O silncio e a disciplina so essenciais para desencadear o ensino reprodutivo e conservador. A avaliao tem seu foco na memorizao e na assimilao, e, em algumas reas, o professor adquire credibilidade pelo nmero de alunos que so reprovados na sua disciplina.

Dessa forma, entendemos que o modelo pedaggico tido como conservador, no corresponde ao principal objetivo da Educao, que o de libertar e criar conscincia nas pessoas. Muitas vezes esse modelo apenas se preocupa em reproduzir contedos sem que o estudante reconhea a necessidade de aprend-los.

Este trabalho, portanto, pretende ampliar a discusso da EJA como importante forma de incluso. Alm disso, queremos inserir, nesse contexto, a questo da multisseriao e do uso de recursos didticos digitais em sala de aula, seus desafios e possibilidades. Pretendemos introduzir a questo das classes multisseriadas, no como uma realidade estanque, mas como proposta pedaggica, desfragmentada e inclusiva, que possibilite ao aluno descompartimentalizar o conhecimento, tendo sua disposio um leque de possibilidades. Nesse caso, as tecnologias so introduzidas como importante ferramenta de incluso, j que os alunos apreciam essa linguagem.

Nesse contexto, o presente artigo pretende, nas pginas que seguem, responder seguinte questo de pesquisa: De que forma a Educao de Jovens e Adultos multisseriada, aliada ao uso de tecnologias, pode contribuir para o processo ensino-aprendizagem? Para tanto, pretende atender ao seguinte objetivo: Investigar as contribuies da multisseriao e da utilizao de recursos didticos digitais no processo ensino-aprendizagem do aluno da EJA. A pesquisa de cunho qualitativo com a utilizao de entrevistas semiestruturadas em uma amostra de 20 alunos da EJA multisseriada da Escola SESI-RJ.

A Educao de Jovens e Adultos

A EJA uma forma de trabalho de incluso que procura combater, no s algumas distores de ordem educacional, mas tambm distores de ordem social e poltica, como deixam claro os artigos 37 e 38 da Lei de Diretrizes e Bases da Educao Nacional. No mbito educacional, dentre outros fatores, podemos citar a distoro idade/srie, muitas vezes motivada por inmeros fracassos escolares. Essa modalidade de ensino deve receber ateno das autoridades educacionais e da prpria comunidade escolar.   necessrio tambm considerar a situao daqueles que estiveram afastados da escola devido necessidade de trabalhar e sustentar a famlia. Na medida em que a oferta de escolarizao chega, por meio desse modelo, os alunos atendidos pelo programa EJA, portadores de novos conhecimentos, interagem com o mundo sua volta e com a sociedade. Tendo passado por mudanas, com uma nova viso de mundo, esses alunos constroem uma conscincia poltica e se posicionam perante as dicotomias sociais. Segundo Lemos (1999, p. 25), pode-se inferir que o maior motivo da procura da escola a necessidade de fixao de sua identidade como ser humano e ser social. Como vemos, o indivduo tem necessidade de uma formao institucional para sentir-se parte da sociedade.

Corroboram essa viso Jesus e Machado (2011, p. 5) quando afirmam que:

A EJA uma modalidade de ensino que visa atender aos jovens e adultos que no tiveram oportunidade de conclurem os seus estudos em tempo normal, e possibilita ao educando no s uma proposta de linguagem escrita e o conhecimento bsico para o acesso a outros graus de ensino, mas a integrao social desse indivduo, se atendo s suas necessidades e objetivos.

Em outras palavras, a EJA no pretende apenas ser fonte de contedos, mas possui uma caracterstica de poltica de incluso. No apenas incluir no sentido bsico da palavra, mas dar voz e oportunidade de expresso queles que no a possuam anteriormente, dando a esses atores sociais a possibilidade de trocar informaes com a sociedade, transformando-as quando necessrio.

No Brasil, muitos esforos foram empreendidos, a partir da dcada de 1940, no sentido de dar oportunidades de estudo queles que tiveram pouca oportunidade de frequentar os bancos escolares. Ressalte-se, aqui, dentre outras tentativas, o Movimento Brasileiro de Alfabetizao (MOBRAL), de 1967, destinado populao analfabeta de 15 a 30 anos. Todos os movimentos que visavam formao de pessoas com pouca escolaridade, no entanto, tinham por prtica a repetio de mtodos presentes nas antigas cartilhas, sem qualquer preocupao em formar no aluno uma conscincia crtica e problematizadora.

Reconhecendo a importncia e as limitaes das propostas anteriores e, ainda, motivado pelas discusses da Conferncia Mundial de Educao para Todos, na Tailndia, no incio da dcada de 1990, o governo brasileiro estabeleceu metas para a educao bsica que, em 1996, culminaram na Lei de Diretrizes e Bases da Educao Nacional. Sua relevncia para a EJA est expressa no seguinte trecho (BRASIL, 1996, art. 37, 1):

[...] a educao de jovens e adultos ser destinada queles que no tiveram acesso ou oportunidade de estudos no ensino fundamental e mdio na idade prpria (e que) os sistemas de ensino asseguraro gratuitamente aos jovens e adultos, que no puderam efetuar os estudos na idade regular, oportunidades educacionais apropriadas, consideradas as caractersticas do alunado, seus interesses, condies de vida e de trabalho, mediante cursos e exames.

Importante notar, na passagem, a mudana de foco na questo do ensino. O objetivo no mais reproduzir contedos pr-estabelecidos, mas dar nfase ao interesse e s caractersticas do aluno. Deixa de ser uma reproduo para ser uma construo, em que o estudante torna-se capaz de fazer concatenaes entre os contedos e a sua realidade.

Dessa forma, a EJA contribui no somente com a incluso, mas tambm com a socializao da pessoa, uma vez que d a possibilidade de relacionar sua viso de mundo com os contedos escolares, transformando ou aperfeioando essa mesma viso. O aluno, por fim, reconhece-se como elemento central no processo ensino-aprendizagem, tendo condies de elevar sua autoestima, muitas vezes, abalada por insucessos anteriores na sua vida escolar.

A multisseriao e o uso de recursos didticos digitais no auxlio EJA

Classes multisseriadas aliadas modalidade EJA so desafiadoras para docentes e discentes. Por isso, urge haver uma discusso em torno da questo da multisseriao como uma possibilidade de contribuio EJA, pois permite a incluso do aluno em um processo de ensino-aprendizagem que no esteja necessariamente engessado pela seriao e, portanto, fragmentado. Dessa forma, torna-se importante abrir uma discusso acerca da multisseriao na EJA, a primeira, elaborada para suprir necessidades e carncias, sobretudo em reas afastadas e especialmente em zonas rurais, muitas vezes em condies precrias de funcionamento e com formao no apropriada aos docentes; a segunda, para reparar uma desigualdade histrica com aqueles que no tiveram condies de estudar quando da idade prpria. Entretanto, ambas as realidades esto hoje presentes nas grandes cidades; a EJA em grande nmero e com abundncia de pesquisas a respeito nas mais diversas realidades, e a multisseriao, ainda carente de pesquisas e material didtico apropriado, sobretudo quando falamos de sua aplicao nos grandes centros urbanos.

As classes multisseriadas constituem-se naquelas que possuem realidades diversas em uma mesma sala de aula. Segundo o INEP (2007, p. 25), so aquelas que tm alunos de diferentes sries e nveis em uma mesma sala de aula, independentemente do nmero de professores responsveis pela classe. Elas podem existir em situaes de dificuldade, como nas zonas rurais, onde so mais comuns, quando no h professores e alunos suficientes. Estes so colocados, desse modo, em uma mesma classe, sob a tutela de um nico docente responsvel por lecionar todos os componentes curriculares previstos. Em reas urbanas, a multisseriao se observa no caso de haver uma intencionalidade pedaggica para a sua adoo. Embora essa proposta possa ser adaptvel realidade do campo, nosso enfoque est voltado para as classes multisseriadas, no como uma necessidade gerada pelas dificuldades apresentadas, mas como escolha pedaggica para o trabalho em turmas de Ensino Mdio que tm, via de regra, um docente para cada disciplina.

As classes multisseriadas no Brasil so alvo de muitas crticas quanto sua eficcia. No entanto, essas crticas no consideram a falta de estrutura das escolas e a formao dos docentes que trabalham nessa modalidade, j que a maioria absoluta destes formada para trabalhar na seriao. Desse modo, necessitam se adaptar nova realidade, uma vez que gerenciar uma sala de aula desse tipo exige uma srie de procedimentos diferentes da atuao em classes mais homogneas. Muitas vezes, inclusive, os professores atuam no multisseriado como se estivessem nas classes tradicionais seriadas e, com justia, reclamam que tm seu trabalho aumentado, pois, em um mesmo tempo de aula precisam ensinar para sries diferentes.

Apesar dos desafios inerentes multisseriao, Chris Berry (2010) defende sua adoo com vrios argumentos. Dentre eles, o fato de haver, em classes multisseriadas, faixa etria mista, o que estimula o desenvolvimento social das pessoas e encoraja a cooperao em sala de aula. Contudo, deve-se ter ateno especial ao currculo dessas classes, que, de um modo geral, no sofre modificaes, apresentando-se de maneira semelhante ao currculo das classes seriadas. O mesmo acontece, via de regra, com os materiais didticos utilizados; no sofrem modificaes. Quando h a produo de materiais especficos para a multisseriao, h de se levar em conta que, dificilmente, um material produzido para determinada realidade poder ser adequado outra. Acerca das prticas pedaggicas nessa modalidade de classes, Ferri alerta (1994, p. 106):

Para que a sala de aula, a classe multisseriada, seja um ambiente enriquecedor, onde os alunos possam apropriar-se ativamente da experincia humana acumulada e contribuir com a produo de novos conhecimentos preciso que o contedo escolar seja algo que faz sentido na vida pessoal e do grupo, que adquire significado e pertinncia quando til.

Percebe-se que a prpria atmosfera das classes multisseriadas diferente. evidente que, em algum momento pontual, o professor possa dividir os alunos de acordo com seus nveis ou sries com um objetivo especfico. No entanto, no da natureza do trabalho nesse tipo de classe que as atividades sejam feitas sempre com a diviso da turma de acordo com o nvel conhecimento. O ambiente multisseriado deve ser de cooperao e interao e, por isso, acreditamos que sirva de interesse EJA que, naturalmente, tem o histrico de trabalhar com faixas etrias diferentes e nveis de aprendizado diferentes. Em uma classe da mesma srie, muitas vezes, encontram-se alunos que ficaram distantes da escola muitos anos, trazendo, assim, certa heterogeneidade classe.

Outro importante recurso EJA so os digitais. Dar a devida ateno ao uso das novas tecnologias, em sala de aula, nos dias de hoje, imperioso. Mesmo aquelas pessoas que ignoram a existncia dessas novas linguagens acabam por sentir-se obrigadas a observ-las, pois muitos procedimentos do mundo atual exigem, no mnimo, uso e domnio, mesmo que elementar, das tecnologias. A prpria comunicao entre as pessoas estaria prejudicada, no fosse o uso das novas mdias.

Dessa forma, o uso de recursos didticos digitais na EJA facilita a interao do aluno com o mundo, uma vez que traz para a sala de aula uma realidade que lhe familiar. A prpria disciplina necessria ao estudo e ao aprendizado enriquecida com as tecnologias, pois, como o aluno da EJA, muitas vezes, divide seu dia entre a escola e o trabalho; seu tempo de estudo em casa reduzido e as tecnologias podem contribuir com a compreenso dos contedos. H tambm a possibilidade de, dependendo da mdia utilizada pelos professores, os estudantes poderem lev-la consigo, como por exemplo, no caso de aplicativo para celulares ou de pginas no Facebook. Esses recursos podem ser acessados, por exemplo, em casa, na conduo ou em uma pausa para descanso no trabalho.  

No Rio de Janeiro, a realidade da multisseriao e das tecnologias na EJA est presente na Escola SESI. Espalhada em vrias unidades por todo o Estado, ela dispe aos alunos turmas de EJA multisseriada nas categorias Ensino Fundamental e Ensino Mdio. No Ensino Fundamental, estudam em uma mesma sala de aula alunos do 6, 7, 8 e 9 ano. No Ensino Mdio, temos alunos da 1, 2 e 3 sries no mesmo espao. Todas as salas de aula dispem de uma lousa digital, computador com internet na mesa do professor (que pode ser projetado na lousa), datashow e netbooks. Os ltimos so disponibilizados aos alunos quando solicitado pelo professor. Alm disso, todas as unidades tm a Sala da Matemtica, ambiente exclusivo para o ensino dessa disciplina, com lousa digital, 40 netbooks com acesso internet, e diversidade de jogos digitais e demais recursos de apoio, alm de datashow.

Metodologia

A presente pesquisa foi de cunho qualitativo e se deu atravs de coleta de dados bibliogrficos e de entrevistas semiestruturadas no campo. A pesquisa qualitativa tem seu valor neste trabalho, pois no procura mensurar os resultados, mas compreender o fenmeno da multisseriao com o uso de recursos didticos digitais na EJA. O campo da pesquisa foi uma escola de EJA multisseriada que utiliza recursos didticos digitais. A importncia da pesquisa realizada no prprio campo atestada por Andrade (2007, p. 117), pois ela :

utilizada com o objetivo de conseguir informaes e/ou conhecimentos acerca de um problema, para o qual se procura uma resposta, ou de uma hiptese, que se queira comprovar ou, ainda, descobre novos fenmenos ou as reaes entre eles.

No processo de coleta de dados por entrevistas foi formulada aos alunos a seguinte pergunta inicial: De que forma a EJA multisseriada, aliada ao uso das tecnologias, contribui para o seu aprendizado?. A partir dessa primeira resposta foi travado um dilogo. As entrevistas foram realizadas em um conjunto de 20 alunos das turmas MC1 e MC2 do Centro de Estudos Santa Luzia, da rede SESI-RJ, e compreendeu apenas alunos de Ensino Mdio.

No foram identificados riscos aos participantes, uma vez que a participao foi voluntria e as identidades dos alunos foram preservadas. Apenas so mencionados idade e sexo, pois consideramos serem informaes relevantes. Alm disso, ao final, os registros da pesquisa foram apagados[1].

 

A palavra dos alunos

O objeto desta investigao a EJA multisseriada que se utiliza de recursos didticos digitais no processo ensino-aprendizagem. O Centro de Estudos Santa Luzia, da rede SESI-RJ, alm de oferecer esta modalidade de ensino, fomenta a utilizao de tecnologias em sala de aula. Dessa forma, os alunos entrevistados foram instados a avaliar as contribuies da multisseriao e das tecnologias em suas aprendizagens dentro da EJA.

Dos 20 alunos pesquisados, 12 so do sexo feminino e 8 do masculino. Ressalte-se que todos os alunos entrevistados so maiores de 18 anos. Na transcrio dos relatos, os alunos foram identificados como aluno A1 a A20, com informao do sexo e da idade de cada um. Alguns depoimentos procuram relacionar a EJA multisseriao e s tecnologias, no entanto, outros abordam apenas dois ou um dos itens. O primeiro relato desenvolve a questo da EJA com as tecnologias.

De maneira geral, os dilogos revelaram um sentimento quase que de gratido pela existncia da EJA, de respaldo importncia do uso de tecnologias e de desconfiana com relao multisseriao. Isso fica evidente nas falas abaixo:

A EJA recuperou a minha autoestima. Me sentia mal por no ter completado os estudos. Me culpava por isso. Me sentia incapaz. Agora me sinto completo. Um cidado. [...] Ainda fico um pouco confuso com esse lance das trs sries juntas, mas acho que vou me acostumar. [...] A EJA me ajuda bastante a aprender rpido e a aprender pela internet, afinal, hoje em dia tudo est na net, no mesmo? Eu consigo aprender da mesma forma que em uma escola normal; aqui eles s reduzem mais, mas ensinam da mesma forma, fazendo ser bem mais prtico e fcil de entender. (Aluno A10, mulher, 20 anos)

A EJA vista como a possibilidade de voltar a estudar e de recuperar o tempo perdido. Trata-se de um reconhecimento, ainda que inconsciente em muitos casos, do direito educao. Alm disso, pde-se perceber, mesmo de forma tmida, um sentido de incluso e de uma nova forma de pertena sociedade.

O uso de tecnologias como recursos didticos reforam esse sentimento de incluso por trazerem para a sala de aula algo do cotidiano. A escola no mais vista como um espao separado do resto da sociedade, mas como parte dela. Os entrevistados tambm apontaram para o benefcio da utilizao de smartphones em sala de aula. Ou seja, os celulares, antes vistos como viles so explorados pelos professores como forma de auxlio no processo ensino-aprendizagem.

A minha opinio que, quando usamos o celular na aula, ela fica mais dinmica. Ainda mais aqui na EJA, que o tempo mais curto. A gente aproveita melhor o tempo e aprende usando algo que faz parte do nosso cotidiano. (Aluno A3, homem, 18 anos)

Na teoria a questo da tecnologia funciona. Porm, na prtica, no. Os professores so excelentes, mas so eles que fazem as aulas acontecerem. Claro que a tecnologia em sala de aula ajuda, porm no tudo. (Aluno A1, homem, 20 anos)

Por outro lado, algumas poucas, porm significativas, crticas s tecnologias foram tecidas; todas elas exceo de uma, feitas por alunos com mais de 30 anos. Uma preocupao recorrente deles o fato de, com os recursos digitais, escreverem menos. Uma hiptese para explicar esse fenmeno talvez seja uma viso tradicional, enraizada em nossa cultura escolar, de que s h aula quando h matria no caderno, desconsiderando, assim, a possibilidade de outras formas de aprendizagem.

A inteno boa, mas na prtica ruim. Como eu vou aprender Matemtica se eu no acompanhar o raciocnio que o professor vai passando no quadro? Existem matrias em que muito difcil aprender se no copiar a matria no caderno. Depois, como eu vou estudar para a prova? Fica difcil. Se fosse nas Humanas, at que a tecnologia pode ajudar, com vdeos etc. Em outras matrias acho que complica. (Aluno A19, homem, 39 anos)

O sistema EJA de uma maneira geral uma boa opo para muitos estudantes que deixaram os estudos e tem pressa em conclu-los. O tempo o maior inimigo da EJA; h contedo, mas pouco tempo para ser alcanado. O fato de haver vrios equipamentos em sala de aula favorece a qualidade do ensino, porm, diminui o contedo escrito. A digitalizao trouxe uma comodidade e uma banalizao ao ensino de tempos atrs. Pouco se l e se escreve [...]. Infelizmente se perde o hbito de ler o contedo e fazer sua prpria anlise dos fatos [...]. (Aluno A13, mulher, 39 anos)

Sobre as classes multisseriadas, os depoimentos se mostraram muitas vezes confusos, sobretudo, pelo fato de os alunos no compreenderem, com clareza, a proposta da modalidade. Muitas crticas foram tecidas instituio que sediou a pesquisa, pelo fato de no esclarecerem satisfatoriamente o prprio significado do termo multisseriao e sua funcionalidade. Tais crticas foram encaminhadas referida instituio como forma de feedback.

Por outro lado, trs entrevistados pontuaram possveis vantagens da multisseriao, como a aprendizagem colaborativa a partir do contato com colegas de sries mais avanadas. Em contrapartida foi sinalizada a dificuldade de alguns docentes em organizar as aulas e a prpria disposio dos alunos em sala.

Eu at entendo que legal a classe ser multisseriada, mas tem que organizar melhor. Eu gosto quando nos juntamos para trabalhos em grupo. Um ajuda o outro. Mas s vezes, nem o professor consegue organizar direito a sala. Divide o quadro em trs e d aula como se fosse pra uma srie s. A seria melhor no juntar (as trs sries em uma sala). (Aluno A7, homem, 28 anos)

Esse sistema facilita a vida da pessoa pelo fato de terminar duas sries em um ano. [...] Acho bom que tenha todos os anos em uma turma; conhecemos mais pessoas e tambm vamos aprendendo matrias mais avanadas. [...] legal ter uma sala especfica para certas matrias. (Aluno A17, homem, 21 anos)

O sistema de ensino EJA, para mim, um sistema que me ajuda muito. A questo multisseriada nos permite interagir com pessoas com pensamentos variados e nos permite ter ideias e ensinamentos diferentes. Os recursos tecnolgicos, creio que sejam importantes para desenvolvermos outras formas de aprendizagem, alm do que a tendncia no futuro serem ainda mais utilizados em sala de aula. (Aluno A15, homem, 31 anos)

Em seguida apresentamos o relato de dois alunos que elogiam a EJA e o uso de tecnologias em sala de aula, fazendo crticas questo da multisseriao.

O sistema EJA de educao um grande projeto, pois facilita as pessoas que tm dificuldade em ir escola; possui um perodo mais curto que bem aproveitado, pecando apenas na questo da multisseriao, pois temos mais de uma srie em uma mesma sala de aula, deixando o aluno um pouco perdido no incio. A tecnologia uma coisa muito boa, pois ajuda alunos e professores. (Aluno A2, homem, 22 anos)

Um programa bom que acelera os estudos daqueles que deixaram de estudar por algum motivo pessoal, dando oportunidade de terminar os estudos e alcanar seus objetivos, dando uma nova chance para nunca desistir, pois nunca tarde. A multisseriao no ajuda muito, atrapalha demais. No acho certo colocar trs sries na mesma sala, pois o aprendizado no o mesmo. A ateno no a mesma, fica at um pouco complicado de aprender. A sala fica um pouco desorganizada, pois as sries so diferentes e os trabalhos, provas, no devem ser os mesmos. Ento s vezes dificulta; acharia melhor separar por sries [...]. (Aluno A14, mulher, 20 anos)

De modo geral, podemos perceber que os alunos se sentem muito confortveis e includos com a EJA. Podemos tambm perceber uma satisfao com o uso das tecnologias. A multisseriao, no entanto, divide opinies e necessrio que haja uma reflexo docente acerca do assunto. O professor deve deixar bem claro aos alunos como funciona essa metodologia e seus objetivos. Um erro muito comum, nesse caso, trabalhar nas classes multisseriadas como se trabalha nas seriadas, fragmentando o conhecimento e subdividindo a turma de acordo com as sries. Cabe aqui ressaltar que o objetivo deste trabalho no tirar concluses definitivas (nem seria possvel com um universo de pesquisa to restrito), mas fomentar discusses e reflexes acerca do tema proposto. Outro ponto importante o fato de no termos alunos idosos respondendo pergunta proposta. Nas turmas pesquisadas no havia alunos de idade avanada. Acreditamos que, sobretudo, na parte relacionada s novas tecnologias, poderamos ter relatos de natureza diversa.

Consideraes Finais

Na certeza de ser a Educao poderosa ferramenta inclusiva, a criao e ampliao da EJA, em nosso pas, tem a funo de acelerar esse processo, dando oportunidade queles que, por algum motivo, abandonaram a escola e, depois, na idade adulta, retornaram. Essa modalidade de ensino, no entanto, traz consigo uma srie de desafios e, para levar a cabo seu objetivo, necessita considerar no s os conhecimentos prvios do aluno como tambm sua viso de mundo.

Como forma de auxiliar a EJA na rdua tarefa de fazer o aluno dar sentido escola, procuramos discutir a importncia da multisseriao e das novas tecnologias. Para tanto, traamos um itinerrio que partiu da discusso acerca das caractersticas bsicas da EJA. Em seguida, inclumos na discusso as classes multisseriadas e os recursos didticos digitais, procurando analisar seus pontos positivos e sua contribuio EJA no processo ensino-aprendizagem. Por fim, apresentamos a viso dos alunos acerca da metodologia empregada.

Reiteramos nosso objetivo de no procurar respostas objetivas e definitivas, mas de estar atentos s demandas dos prprios alunos. No entanto, consideramos como sendo bem aceitas EJA o uso de tecnologias em sala de aula. Em relao multisseriao, acreditamos ser uma questo no muito esclarecida aos alunos e at mesmo aos professores, que, muitas vezes, ministram aulas como se estivessem em classes seriadas.

Dessa forma, propomos que o debate acerca da multisseriao seja ampliado com a presena de diversos atores: professores, alunos, pedagogos e as mais diversas comunidades escolares, a fim de que possamos entender melhor essa metodologia e melhor avaliar sua eficcia.

Referncias

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Correspondncia

Gabriel Moreira Beraldi Instituto Federal Colgio Pedro II 177, CEP 20921-903, So Cristvo, Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, Brasil.

 

Notas



[1] A presente pesquisa foi desenvolvida como parte da pesquisa de Mestrado de XXXXX, sendo aprovada pelo Comit de tica designado pela Plataforma Brasil sob o nmero de parecer 2.295.753.

 

 



CONTATO:

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ISSN Eletrônico: 1984-6444

DOI: http://dx.doi.org/10.5902/19846444

Qualis/Capes: Educação A1

Periodicidade: Publicação contínua

O recebimento de artigos caracteriza-se por fluxo contínuo sem que seja possível prever a data de sua publicação.

 

A Revista Educação (UFSM) agradece auxílio recebido por meio do Edital Pró-Revistas, da Pró-Reitoria de Pós-Graduação e Pesquisa, da Universidade Federal de Santa Maria. 

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