A dança como corpo-testemunho da história negra em Dunham, Acogny e Silvestre
DOI:
https://doi.org/10.5902/2357797593648Palavras-chave:
Danças Negras, Testemunho, Técnica Dunham, Técnica Acogny, Técnica SilvestreResumo
Este artigo investiga as técnicas de dança de Katherine Dunham, Germaine Acogny e a Técnica Silvestre, propondo o conceito de ‘corpo-testemunho’ como chave analítica para compreender a dança como inscrição histórica da experiência negra. O objetivo é compreender como essas práticas funcionam como arquivo corporal, veículo de memória, instrumento de resistência cultural e política e ferramenta de afirmação identitária na diáspora africana. A metodologia combina análise comparativa das técnicas com abordagem teórico-analítica, articulando conceitos de Estudos Culturais, epistemologias negras e teoria pós-colonial de autores como Stuart Hall, Homi Bhabha e Frantz Fanon, além das contribuições de Leda Maria Martins e Luciane Ramos Silva sobre corporeidade, memória e fabulação. Os resultados indicam que as técnicas estudadas não apenas preservam e resignificam tradições culturais, mas também produzem novas formas de enunciação, circulação de saberes e fabulação de futuros afrodiaspóricos. Observa-se a centralidade do corpo como locus de agência, resistência e criação, evidenciando a potência de mulheres negras na construção de técnicas híbridas e transnacionais que afirmam pertencimento e memória. Conclui-se que a dança negra contemporânea é simultaneamente prática artística, arquivo vivo e testemunho histórico, articulando memória, corporeidade e criatividade como estratégias de sobrevivência cultural e recriação identitária, oferecendo uma perspectiva política, poética e afrodiaspórica sobre a experiência e a presença do corpo negro no espaço global da dança.
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