Rev. Enferm. UFSM - REUFSM

Santa Maria, RS, v. 10, e90, p. 1-16, 2020

DOI: 10.5902/2179769241286

ISSN 2179-7692

 

Submissão: 23/11/2019    Aprovação: 19/08/2020    Publicação: 06/11/2020

Artigo Original

 

Complicações vasculares e fatores relacionados a sua ocorrência após procedimentos hemodinâmicos percutâneos

Vascular complications and factors related to their occurrence after percutaneous hemodynamic procedures

Complicaciones vasculares y factores asociados a su ocurrencia tras procedimientos hemodinámicos percutáneos

 

 

Ana Carolina Pessoa SantosI

Maria Letícia Bannwart AmbielII

Elaine Barros FerreiraIII

Priscilla Roberta Silva Rocha IV

 

I Enfermeira. Bacharel em Enfermagem, Universidade de Brasília, Faculdade de Ceilândia, Brasília, Distrito Federal, Brasil. E-mail: anacarol.pessoas@gmail.com, ORCID: https://orcid.org/0000-0003-3284-5414

II Enfermeira. Especialista em enfermagem cardiovascular, Hospital do Coração do Brasil, Brasília, Distrito Federal, Brasil. E-mail: maria.ambiel@hcbr.com.br. ORCID: https://orcid.org/0000-0001-8226-3848

III Enfermeira. Doutora em Enfermagem pela Universidade de Brasília, DF, Brasil. Professora Adjunta, Departamento de Enfermagem, Universidade de Brasília, Brasília, DF, Brasil. E-mail: elainebf@unb.br. ORCID:  https://orcid.org/0000-0003-0428-834X

IV Enfermeira. Doutora em Ciências da Saúde pela Universidade de Brasília, DF, Brasil. Professora adjunta do curso de enfermagem - Universidade de Brasilia - Faculdade de Ceilândia, Brasília, Brasil. E-mail: priscillarocha@unb.br. ORCID: https://orcid.org/0000-0002-2058-8548

 

Resumo: Objetivo: investigar as complicações vasculares em pacientes submetidos a procedimentos hemodinâmicos percutâneos e identificar fatores relacionados a sua ocorrência. Método: estudo retrospectivo em um hospital cardiológico, com pacientes que evoluíram com danos vasculares, entre janeiro de 2015 e dezembro de 2016. Os dados foram obtidos pela coleta em prontuários e analisados de forma descritiva e analítica. Resultados: foram incluídos 93 pacientes, a maioria idosos, do sexo masculino e portadores de hipertensão. A taxa de complicação vascular foi de 3%, o hematoma local foi o mais frequente (86%). O sexo feminino foi associado à ocorrência de danos vasculares mais graves como o hematoma retroperitoneal e o pseudoaneurisma (p=0,04). Conclusão: dentre as complicações vasculares, o hematoma foi o mais frequente e o sexo feminino foi fator preditor de risco, associado a injúrias mais graves.  Reconhecer os fatores preditores de risco auxilia a assistência direcionada às necessidades individuais do paciente.

Descritores: Intervenção coronária percutânea; Assistência ao paciente; Hematoma; Enfermagem cardiovascular; Fatores de risco

 

Abstract: Objective: to investigate vascular complications in patients undergoing percutaneous hemodynamic procedures and identify factors related to their occurrence. Method: retrospective study conducted in a cardiology hospital with patients who had vascular damage between January 2015 and December 2016. Data were collected from medical records and submitted to descriptive analysis. Results: the study included 93 patients, most of them elderly, male and with hypertension. The rate of vascular complication was 3%, local hematoma was the most common complication (86%). Women were found to have more serious vascular injuries such as retroperitoneal hematoma and pseudoaneurysm than men did (p = 0.04). Conclusion: hematoma was the most frequent vascular complication, and female gender was a risk predictor associated with more serious injuries. Recognizing risk predictors contributes to the delivery of care tailored to the needs of each patient.

Descriptors: Percutaneous coronary intervention; Patient care; Hematoma; Cardiovascular nursing; Risk factors

 

Resumen: Objetivo: investigar las complicaciones vasculares en pacientes sometidos a procedimientos hemodinámicos percutáneos, así como identificar factores asociados a su ocurrencia. Método: estudio retrospectivo en hospital cardiológico, con pacientes que evolucionaron con lesiones vasculares, entre enero de 2015 y diciembre de 2016. Se obtuvieron los datos en prontuarios y se los analizaron de forma descriptiva y analítica. Resultados: participaron 93 pacientes, la mayor parte ancianos, del sexo masculino y portadores de hipertensión. La taja de complicación vascular fue de 3%, el hematoma local fue el más frecuente (86%). Se asoció al sexo femenino la ocurrencia de lesiones vasculares más graves como el hematoma retroperitoneal y pseudoaneurisma (p=0,04). Conclusión: entre las complicaciones vasculares, el hematoma fue el más frecuente y el sexo femenino fue factor predictor de riesgo, asociado a lesiones más graves.  Reconocer los factores predictores de riesgo ayuda la asistencia a volverse a las necesidades individuales del paciente.

Descriptores: Intervención coronaria percutánea; Atención al paciente; Hematoma; Enfermería cardiovascular; Factores de riesgo

 

 

Introdução

As doenças cardiovasculares (DCV) apresentam alta incidência mundial, podendo acometer indivíduos em qualquer faixa etária. No Brasil, 20% dos óbitos registrados são decorrentes de DCV.1 A partir desse panorama, a Intervenção Coronariana Percutânea (ICP), procedimento para a visualização radiográfica dos vasos coronarianos após administração de contraste radiopaco, se tornou o processo hemodinâmico mais realizado no mundo como método de diagnóstico e de tratamento da Doença Arterial Coronária (DAC).2 Os avanços tecnológicos em intervenções invasivas permitiram não só o aumento do número de procedimentos, mas também a redução de custos, de complicações associadas e melhor acurácia terapêutica.2-3

A ocorrência de complicações vasculares4 dependem da eficácia, do tipo de intervenção realizada, do acesso vascular escolhido e do tempo médio de duração do procedimento.5 Dentre estes, o hematoma na região de inserção do cateter é a mais comum. Este é caracterizado por extravasamento sanguíneo no interstício que pode evoluir para abaulamento local e compressão de estruturas adjacentes, diferente da equimose que ocorre por uma infiltração mínima de hemácias no interstício.6 Além do traumatismo decorrente da cateterização e do vasoespasmo, ainda podem ocorrer danos mais graves: o pseudoaneurisma (PSA) é caracterizado por um hematoma encapsulado ligado à artéria; já o hematoma retroperitoneal (HRP) é caracterizado por extravasamento sanguíneo a uma área mais distante, normalmente na região do flanco;7 e com menor frequência pode ocorrer isquemia distal ao sítio de punção, em decorrência de embolizações.8

Apesar de relevantes, as lesões dos vasos não são frequentes (3,3%), podendo ser assintomáticas, entretanto podem inviabilizar a reutilização da via vascular.6 Quando as injúrias acontecem, estão normalmente associadas a fatores vasculares locais como a calcificação da artéria puncionada, bem como a fatores sistêmicos como obesidade, idade, sexo, Hipertensão Arterial Sistêmica (HAS) e uso de anticoagulantes.9 Por isso, o encerramento vascular ao final do procedimento hemodinâmico, compreendido pela compressão manual e/ou por meio do uso de dispositivos de hemostasia, deve ser realizado com eficácia e efetividade.6-7,10

Estudos apontam que as consequências das complicações vasculares na ICP podem se equiparar às consequências do Infarto Agudo do Miocárdio (IAM), sendo associadas ao aumento da morbimortalidade, ao maior tempo de internação e a desfechos clínicos desfavoráveis.11 Dessa forma, é importante para o gerenciamento da qualidade de assistência de enfermagem o reconhecimento das características clínicas associadas à ocorrência de fragilidade do sistema cardiovascular, para que os pacientes em maior risco sejam identificados e estratégias preventivas sejam implementadas.7

Assim, este estudo teve como objetivo investigar as complicações vasculares em pacientes submetidos a procedimentos hemodinâmicos percutâneos e identificar fatores relacionados a sua ocorrência.

 

Método

Estudo retrospectivo, realizado em uma Unidade de Cardiologia Intervencionista de um hospital cardiológico privado do Distrito Federal, Brasil, no ano de 2017. O hospital tem capacidade de 12 leitos de terapia intensiva, 30 leitos de internação, unidade ambulatorial, unidade de diagnóstico por imagem, centro de hemodinâmica, centro cirúrgico e medicina nuclear.  A pesquisa foi desenvolvida de acordo com as diretrizes do STROBE.12

Foram incluídos pacientes maiores de 18 anos, submetidos a procedimentos hemodinâmicos por via percutânea entre janeiro 2015 e dezembro 2016 que evoluíram com desenvolvimento de alguma complicação vascular após o procedimento. Foram consideradas complicações: a formação de hematoma local, de HRP ou PSA. Pacientes com registros incompletos no prontuário foram excluídos da pesquisa.

Os dados secundários foram coletados a partir dos prontuários eletrônicos, por meio de instrumento semiestruturado elaborado pelos pesquisadores, o qual reuniu dados sociodemográficos e clínicos de cada paciente, a saber: identificação do paciente (registro eletrônico); variáveis demográficas (idade e sexo); variáveis clínicas (comorbidades preexistentes, medicamentos em uso, situação da alta); variáveis associadas ao procedimento hemodinâmico (sítio de punção, conduta clínica, exames de imagem utilizados para avaliar a extensão do hematoma, e/ou diagnóstico de PSA ou HRP) e o tempo de procedimento, sendo considerado o horário de início a partir da anestesia e o término a realização do curativo.

Os dados foram inseridos em planilhas do software Microsoft Office Excel e posteriormente tabulados e redirecionados ao programa estatístico Epinfo versão 7.2.2.6. A análise foi composta por duas etapas: (1) descritiva – caracterização dos pacientes incluídos por meio de cálculos de média, desvio padrão (DP) para as variáveis numéricas e de valores absolutos e percentuais, para as variáveis categóricas; (2) analítica – buscou-se identificar a associação das características estudadas (variáveis independentes/exposição) aos tipos específicos de complicações vasculares (variáveis dependentes/desfecho). A associação entre as complicações (desfecho) e as outras variáveis analisadas (exposição) foi representada pela razão de chances (odds ratios). Para a comparação entre os grupos (hematoma, HRP ou PSA) utilizou-se o teste Qui-quadrado para as variáveis categóricas e o teste t de student para as variáveis numéricas. Foi considerado significativo valor de p < 0,05.

De acordo com os padrões éticos exigidos, o estudo foi aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa da Fundação Oswaldo Cruz, sob parecer nº 1.709.243, Certificado de Apresentação de Certificação Ética 58249716.0.0000.8027, em 01 de setembro de 2016.

 

Resultados

Foram realizados 3120 procedimentos hemodinâmicos por via percutânea entre janeiro 2015 e dezembro 2016. Noventa e cinco pacientes evoluíram com pelo menos uma das complicações vasculares propostas na pesquisa (formação de hematoma local, de HRP ou PSA). Entretanto, 2 pacientes foram excluídos por dados incompletos no prontuário, assim 93 indivíduos foram considerados elegíveis para o estudo. A taxa de complicações vasculares foi de 3%.

A idade média dos pacientes foi de 67,7 (DP=10,6) anos e houve predomínio de indivíduos do sexo masculino (56%). A presença de comorbidades múltiplas foi frequente, 76,6% dos pacientes incluídos tinham HAS e 47,3% apresentaram algum tipo de dislipidemia. Apenas um paciente não fazia uso contínuo de algum medicamento (Tabela 1).

 

 

Tabela 1 – Características clínicas e demográficas dos 93 pacientes com complicações vasculares decorrentes de procedimentos hemodinâmicos percutâneos. Brasília, DF, Brasil, 2017.

Características

Frequência Absoluta

n = 93

Frequência relativa

(%)

 

Idade, Média (DP)

67,7 (10,6)

-

 

Sexo

 

 

 

Masculino

Feminino

52

41

56,0

44,0

 

Comorbidades

 

 

 

Hipertensão arterial sistêmica

72

76,6

 

Dislipidemias

44

47,3

 

Outros

33

35,4

 

Diabetes melitus

31

33,0

 

Infarto agudo do miocárdio

10

10,8

 

Hipotireoidismo

8

8,6

 

Hipertireoidismo

1

1,1

 

Medicamentos em Uso

 

 

 

Antiplaquetário

65

69,9

 

Trombolítico

43

46,2

 

Anti-hipertensivos

37

39,8

 

Anti-lipidêmico

29

31,2

 

Outros

29

31,2

 

Antidiabético

17

18,3

 

Antitireoidianos

9

9,7

 

Anticoagulante

6

6,5

 

 

 

 

O tempo médio da ICP foi de 67,5 (DP=54,6) minutos. A grande variação temporal decorreu do quadro clínico do paciente e da necessidade de nova intervenção hemodinâmica durante o procedimento. O local de punção mais frequente foi a artéria femoral, em 63,4% dos casos.

A ICP com fim diagnóstico ocorreu em 56% dos casos e com fim terapêutico em 44%. Alguns pacientes realizaram mais de um procedimento hemodinâmico (35,3%), sendo o cateterismo o mais frequente (41%), seguido de angioplastia transluminal coronária (ATC) (38,7%), angiografia (4,7%) e outras intervenções (15,5%). As demais técnicas realizadas são referentes à reserva do fluxo coronário (FFR), implante de endo prótese, filtro de veia cava, introdução de Shunt, estudo eletrofisiológico (EEF), aterectomia rotacional e tomografia de coerência óptica (OCT).

Dentre as complicações vasculares avaliadas, 86% desenvolveram hematoma local, caracterizada como complicação simples e 14% desenvolveram injúrias mais graves, como HRP ou PSA (Tabela 2). Para investigar e/ou confirmar a ocorrência de HRP e PSA, 23 pacientes foram submetidos à realização de exame de imagem, 14% realizaram Doppler e 10,8% tomografia computadorizada. Os demais pacientes não apresentaram necessidade de investigação por meio de exame de imagem. A conduta implementada para o tratamento da complicação vascular predominantemente foi a conservadora em 98,9% dos casos. Em apenas um caso houve a necessidade de intervenção cirúrgica (Tabela 2).

Quanto ao desfecho clínico, 95,7% dos pacientes receberam alta hospitalar, 4,3% apresentaram agravamento clínico e evoluíram para óbito, entretanto esse agravamento foi decorrente de complicações da doença de base e não do procedimento hemodinâmico (Tabela 2). Neste estudo não houve pacientes com registros de reinternação devido à complicação hemodinâmica. Os dados referentes às características relacionadas aos procedimentos hemodinâmicos são apresentados na Tabela 2.

 

Tabela 2 – Características Relacionadas aos Procedimentos Hemodinâmicos dos 93 pacientes com Complicações Vasculares. Brasília, DF, Brasil, 2017.

Tipo de Procedimento

Frequência Absoluta

n = 93

Frequência relativa

(%)

Tempo Procedimento (min), Média (DP)

67,5 (± 54,6)

-

Local de Punção

 

 

Femoral

59

63,4

Radial

30

32,3

Ambos

2

2,2

Jugular

2

2,2

Complicações Vasculares

 

 

Hematoma

80

86,0

Hematoma retroperitoneal

8

8,6

Pseudoaneurisma

5

5,4

Conduta Terapêutica

 

 

Conservador

92

98,9

Cirurgia

1

1,1

Desfecho Clínico

 

 

Alta

89

95,7

Óbito

4

4,3

 

Na segunda etapa do estudo, foi avaliada a existência de fatores associados (variáveis de exposição) às complicações vasculares estudadas (variáveis desfecho). A tabela 3 mostra a distribuição das características analisadas para os dois grupos.

Tabela 3 –Fatores associados às complicações vasculares dos 93 pacientes, Brasília, DF, Brasil, 2017.

Características

(n)

Hematoma

HRP* e PSA

OR(IC)

p valor

Frequência absoluta

(n =80)

Frequência

Relativa (%)

Frequência absoluta

(n =13)

Frequência

Relativa (%)

 

 

 

 

 

 

 

Idade (anos) ± DP

67,7 +10,35

-

67,8 +12,3

-

-

0,46§

Sexo (%)

 

 

 

 

 

 

Feminino

32

40

9

69,3

 

 

Masculino

48

60

4

30,7

0,29 (0,08-1,04)

0,04||

Presença de Comorbidades (%)

 

 

 

Diabetes melitus (sim)

27

33,8

4

30,8

0,87 (0,24-3,09)

0,83||

                      (não)

53

66,2

9

69,2

 

 

HAS (sim)

63

78,8

9

69,2

0,60 (1,16-2,21)

0,44||

   (não)

17

21,2

4

30,8

 

 

Uso de Medicamentos

 

 

 

Anticoagulante (sim)

4

5,0

2

15,4

3,45 (0,56-1,13)

0,15||

                    (não)

76

95,0

11

84,6

 

 

Antiplaquetário (sim)

57

71,2

8

61,6

0,64 (0,19-2,18)

0,47||

                    (não)

23

28,8

5

38,4

 

 

Trombolítico (sim)

37

46,3

6

46,2

0,99 (0,3-3,22)

0,99||

                 (não)

43

53,7

7

53,8

 

 

Tempo (médio min)

68,6 +55,6

-

60,8+49,5

-

-

0,10||

Desfecho

 

 

 

Alta

78

97,5

11

84,6

 

 

Óbito

2

2,5

2

15,4

0,14 (0,01-1,10)

0,03§

* hematoma retroperitoneal, pseudoaneurisma, odds ratio, § teste t student, ||teste Qui-quadrado

A idade, a presença de Diabetes Melitus (DM) e HAS, tempo de procedimento, bem como o uso de medicamentos que alteram a hemostasia (anticoagulantes, antiagregante plaquetários e trombolíticos) não foram significativamente associados à ocorrência de danos vasculares mais graves (HRP e PSA) (p > 0,05), conforme Tabela 3. O sexo feminino foi associado a injúrias mais graves (HRP e PSA) (p = 0,04). Observou-se também que as complicações mais graves (HRP e PSA) foram associadas a um pior desfecho clínico (óbito) (p = 0,03).

 

Discussão

Neste estudo, foram analisados pacientes que apresentaram complicação vascular após a realização de ICP, a fim de descrever sua ocorrência e os fatores associados a esse desfecho. A taxa de complicações (3%) foi inferior à descrita na literatura.9,13-14

A taxa de lesões vasculares encontrada na literatura oscila de 1% a 14%, essa variação pode ser explicada pelas diferentes características clínicas (preditoras de complicações) de cada grupo avaliado.13 Um estudo multicêntrico realizado no sul do Brasil com 2696 pacientes submetidos a procedimentos hemodinâmicos, relatou uma taxa de dano vascular geral de 8,8%.9

Dentre as complicações vasculares avaliadas nesta pesquisa, o hematoma local foi a condição mais frequente, o que comumente é visto em outros estudos.9,15-16 A ocorrência do hematoma pode estar associada às características de risco do paciente, mas também pode ser influenciada por cuidados pós-procedimento, como a retirada do introdutor e a compressão mecânica da artéria,9,15-16 reforçando a importância de uma equipe de enfermagem capacitada para o cuidado hemodinâmico especializado.17

O HRP e o PSA são consideradas complicações vasculares mais complexas,16-17 e nesta pesquisa foram relatadas com menor frequência. A ocorrência de PSA (5,4%) foi maior quando comparada a um outro estudo, que evidencia uma ocorrência de 2,6%.14 Do mesmo modo, a ocorrência de HRP foi superior a outro relato.18 O HRP pode decorrer da difícil compressão mecânica, enquanto o PSA, devido a sua ligação direta com a artéria, pode estar associado à idade, sexo, presença de comorbidades, obesidade, tempo de procedimento, manipulação excessiva do vaso, bem como a calcificação da artéria.9,16-17

É sabido que a via femoral aumenta o risco de sangramento e complicações vasculares quando comparada com a via radial.8,11 Em uma pesquisa realizada no sul do Brasil, o uso da artéria femoral em ICP ocorreu em 95% dos casos. Neste estudo a via femoral foi utilizada em 60% dos procedimentos. A escolha frequente do acesso femoral pode ser explicada pela elevada presença de arteriosclerose e calcificação de vasos de pequeno e médio calibre em pacientes com idade avançada, uma vez que o uso do acesso radial implicaria em insucessos de acesso vascular, prolongando o tempo de procedimento, podendo aumentar a necessidade do uso de contraste no paciente, expondo-o a mais radiação e toxicidade farmacológica.19

A idade é um fator predisponente para ocorrência de danos vasculares.20  Pesquisas apontam que a idade entre 40 e 70 anos é fator de risco para lesões vasculares, dentre elas o sangramento, hematoma, HRP e PSA.20-22 Neste estudo, a média de idade foi 67,7 (±10,58) anos, caracterizando uma população idosa, contudo não se associou significativamente à gravidade da injúria vascular (p = 0,46). A média de idade observada foi consonante com o contexto atual da pirâmide populacional, em que se percebe o aumento do envelhecimento e da expectativa de vida, maior incidência de DCV e do maior uso dos avanços tecnológicos terapêuticos.21 

As complicações vasculares associadas à ICP são mais incidentes e graves no sexo feminino,22 o que pode ser justificado pela fragilidade cardiovascular decorrente das alterações hormonais relacionadas ao climatério e menopausa.23 Em concordância ao encontrado na literatura, a frequência de complicações menos graves foi maior entre os homens, sendo o sexo masculino associado a uma menor chance de complicações graves (OR = 0,29; IC 95% = 0,08-1,04; p = 0,04).

Em relação a presença de comorbidades, a HAS e o DM foram as comorbidades clínicas mais frequentes, entretanto não se apresentaram como fatores associados ao agravamento das injúrias vasculares (p = 0,44 e p = 0,83 respectivamente). Todavia, sabe-se que as comorbidades podem estar relacionadas aos danos, pois são responsáveis por desencadear e/ou agravar o quadro do paciente, demandando o uso de alguns medicamentos como antiplaquetários e trombolíticos, os quais podem aumentar o risco de sangramento.21,24-26

Sobre as medicações de uso contínuo, o Ácido Acetil Salicílico (AAS) foi o antiplaquetário de maior uso e durante a ICP o uso de trombolíticos foi frequente. Esses medicamentos são recomendados pela Diretriz Brasileira de Antiagregantes Plaquetários e Anticoagulantes em Cardiologia, contudo sabe-se que a dose-resposta varia de acordo com o risco de sangramento do paciente. A dupla antiagregação plaquetária é necessária para a realização da ICP, seu uso está associado ao maior risco de sangramento no pós-procedimento, de modo que, quando não puder ser evitado, medidas específicas devem ser tomadas nos cuidados ao paciente.27 O uso desses medicamentos não foi significativamente associado ao agravamento das complicações vasculares (p > 0,05).

Assim, ao identificar sinais e sintomas sugestivos de complicações vasculares pós ICP, recomenda-se avaliação médica rápida e investigação clínica por meio de exames de imagem, quando necessário, para estabelecer a conduta terapêutica.17 Nesta pesquisa, o Doppler foi o exame mais utilizado para identificar e monitorizar a complicação. É um exame eficiente, tem baixo custo e pode ser realizado beira leito sem necessidade de anestesia ou contraste nefrotóxico, sendo excelente para diagnóstico e avaliação de complicações vasculares graves.28

Em relação ao desfecho final, a maioria dos pacientes evoluíram para alta hospitalar, o que condiz com o estudo a respeito do prognóstico de complicações vasculares quando identificadas e tratadas rapidamente.20 Entretanto, os óbitos registrados na pesquisa não podem ser atribuídos à ocorrência de injúrias vasculares (p = 0,03), mas sim a fatores como a doença base e agravamento do quadro clínico do paciente.  Dados estes corroborados por achados da literatura, uma vez que o óbito não é um desfecho frequente relacionado ao dano vascular, mas sim a refratariedade ao tratamento da DCV base.20,29 Os dados apresentados e discutidos neste estudo reforçam a importância da avaliação da equipe de enfermagem no momento pré-procedimento a fim de elencar fatores de risco existentes ou potenciais,28-29 e dessa forma propiciar um plano de cuidado e uma assistência qualificada e segura.

Foram identificadas como limitações do estudo a ausência de dados que permitissem a análise de características clínicas relevantes para o tema, a saber: dados relacionados ao introdutor (calibre), tempo de compressão após a retirada e dispositivo empregado (manual ou mecânico), bem como a ausência da estratificação de risco para sangramento.

 

Conclusão

A ocorrência de complicações vasculares após ICP ocorreu em 3% dos pacientes, com maior frequência de hematomas (86%). O sexo feminino foi associado a injúrias mais graves (p = 0,04) e estas foram associadas a um pior desfecho (p = 0,03).

De posse desses dados, percebe-se a necessidade de reconhecer os fatores preditores de risco de cada paciente para o desenvolvimento de complicações vasculares, auxiliando, assim, a equipe multiprofissional, em especial a equipe de enfermagem, a prover uma assistência direcionada às necessidades individuais do paciente. Embora os dados deste estudo reflitam características de uma população específica, estes podem oferecer subsídios para novas pesquisas.

 

Referências

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Editora Científica: Tânia Solange Bosi de Souza Magnago

Editora Associada: Alexa Pupiara Flores Coelho

Fomento/Agradecimento: Agradecemos ao Hospital do Coração do Brasil pela disponibilidade de campo de pesquisa.

 

 

Autor correspondente

Priscilla Roberta Silva Rocha

E-mail: priscillarocha@unb.br

Endereço: Faculdade de Ceilândia, Universidade de Brasília, Campus s/n, Centro Metropolitano, Brasília, Distrito Federal, Brasil, CEP: 72220-275

 

 

Contribuições de Autoria

1 – Ana Carolina Pessoa Santos 

Concepção ou desenho do estudo/pesquisa, análise e/ou interpretação dos dados, revisão final com participação crítica e intelectual no manuscrito

 

2 – Maria Letícia Bannwart Ambiel

Concepção ou desenho do estudo/pesquisa; (3) revisão final com participação crítica e intelectual no manuscrito

 

3 Elaine Barros Ferreira

Análise e/ou interpretação dos dados (3) revisão final com participação crítica e intelectual no manuscrito

 

4 – Priscilla Roberta Silva Rocha

Concepção ou desenho do estudo/pesquisa, análise e/ou interpretação dos dados, revisão final com participação crítica e intelectual no manuscrito

 

 

Como citar este artigo

Santos ACPS, Ambiel MLB, Ferreira EB, Rocha PRS. Complicações vasculares e fatores relacionados a sua ocorrência após procedimentos hemodinâmicos percutâneos. Rev. Enferm. UFSM. 2020 [Acesso em: Anos Mês Dia]; vol.10, e90: 1-16. DOI:https://doi.org/10.5902/2179769241286



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