Rev. Enferm. UFSM - REUFSM

Santa Maria, RS, v. 10, e23, p. 1-20, 2020

DOI: 10.5902/2179769233476

ISSN 2179-7692

 

Submissão: 19/07/2018    Aprovação: 29/01//2020    Publicação: 01/04/2020

Artigo de Revisão

 

Desfechos perinatais em gestantes com síndromes hipertensivas: revisão integrativa

Perinatal outcomes in pregnant women with hypertensive syndromes: an integrative review

Resultados perinatales en mujeres embarazadas con síndromes hipertensivos: una revisión integradora

 

Alexandra do Nascimento CassianoI

Ana Beatriz Ferreira VitorinoII

Samara Isabela Maia de OliveiraIII

Maria de Lourdes Costa da silvaIV

Núbia Maria Lima de SousaV

Nilba de Lima SouzaVI

 

I Enfermeira. Mestra em Enfermagem. Universidade Federal do Rio Grande do Norte, Rio Grande do Norte, Brasil. E-mail: anc_enfa@hotmail.com. ORCID:  https://orcid.org/0000-0003-0475-5825

II Enfermeira. Mestra em Enfermagem. Secretaria Municipal de Saúde de Natal, Rio Grande do Norte, Brasil. E-mail: beatrizviitorino@gmail.com. ORCID: https://orcid.org/0000-0002-1320-1667

III Enfermeira. Mestra em Enfermagem. University of the People, Califórnia, Estados Unidos da América. E-mail: aramas.maia@gmail.com.   ORCID: https://orcid.org/0000-0001-7047-6504

IV Enfermeira. Doutora em Enfermagem. Universidade Federal do Rio Grande do Norte, Rio Grande do Norte, Brasil. E-mail: lurdinhafoc@hotmail.com. ORCID: https://orcid.org/0000-0001-7251-8966

V Enfermeira. Mestra em Enfermagem. Universidade Federal do Rio Grande do Norte, Rio Grande do Norte, Brasil. E-mail: nubiamlsousa@hotmail.com. E-mail: ORCID: https://orcid.org/0000-0001-7724-5661

VI Enfermeira. Doutora em Enfermagem. Universidade Federal do Rio Grande do Norte, Rio Grande do Norte, Brasil. E-mail: nilba.lima@hotmail.com. ORCID: https://orcid.org/0000-0002-3748-370X

 

Resumo: Objetivo: identificar na literatura os desfechos perinatais em gestantes com síndromes hipertensivas. Método: trata-se de uma revisão integrativa com coleta de publicações indexadas na LILACS¸ PUBMED, SCOPUS e WEB OF SCIENCE, durante janeiro de 2017. Os descritores utilizados foram: hipertensão induzida pela gravidez, assistência perinatal e neonatologia. Resultados: os desfechos perinatais de maior incidência foram: mortalidade perinatal, prematuridade, baixo APGAR no 1º e 5º minuto de vida, recém-nascidos pequenos para idade gestacional, admissão na unidade intensiva, restrição de crescimento intraútero e parto cesariano. Dentre as patologias investigadas, destacou-se a pré-eclampsia (80,6%) e 3% dos artigos abordaram a pré-eclampsia grave. Conclusões: a realização de investigações que analisem a exposição do feto/neonato à condição materna da pré-eclampsia grave e da hipertensão crônica sobreposta por pré-eclampsia, constitui-se como gaps de conhecimento.

Descritores: Hipertensão induzida pela gravidez; Assistência perinatal; Neonatologia; Enfermagem; Revisão


Abstract: Objective: to identify in the literature the perinatal outcomes in pregnant women with hypertensive syndromes. Method: it is an integrative review with collection of publications indexed in LILACS¸ PUBMED, SCOPUS and WEB OF SCIENCE, during January 2017. The descriptors used were: pregnancy-induced hypertension, perinatal care and neonatology. Results: the most frequent perinatal outcomes were: perinatal mortality, prematurity, low APGAR in the 1st and 5th minute of life, newborns small for gestational age, admission to the intensive care unit, intrauterine growth restriction and cesarean delivery. Among the pathologies investigated, pre-eclampsia stood out (80.6%) and 3% of the articles addressed severe pre-eclampsia. Conclusions: the realization of investigations that analyze the exposure of the fetus / neonate to the maternal condition of severe pre-eclampsia and chronic hypertension overlapped by pre-eclampsia, constitutes knowledge gaps.

Descriptors: Hypertension, Pregnancy-Induced; Perinatal Care; Neonatology; Nursing; Review 

 

Resumen: Objetivo: identificar en la literatura los resultados perinatales en mujeres embarazadas con síndromes hipertensivos. Método: es una revisión integradora con una colección de publicaciones indexadas en LILACS® PUBMED, SCOPUS y WEB OF SCIENCE, durante enero de 2017. Los descriptores utilizados fueron: hipertensión inducida por el embarazo, atención perinatal y neonatología. Resultados: los resultados perinatales más frecuentes fueron: mortalidad perinatal, prematuridad, APGAR bajo en el primer y quinto minuto de vida, recién nacidos pequeños para la edad gestacional, ingreso a la unidad de cuidados intensivos, restricción del crecimiento intrauterino y parto por cesárea. Entre las patologías investigadas, se destacó la preeclampsia (80,6%) y el 3% de los artículos abordó la preeclampsia grave. Conclusiones: la realización de investigaciones que analizan la exposición del feto / recién nacido a la condición materna de preeclampsia severa e hipertensión crónica superpuesta por preeclampsia, se constituye como lagunas de conocimiento.

Descriptores: Hipertensión Inducida en el Embarazo; Atención Perinatal; Neonatología; Enfermería; Revisión


 

 

Introdução

De acordo com o guidelines da American College of Obstetrians and Gynecologists (ACOG), as Síndromes Hipertensivas na Gestação (SHG) são classificadas de acordo com a época de surgimento, entre a 20ª semana de gestação e 12ª semana do pós-parto, além da presença da proteinúria e dos sinais de gravidade. Com base nisso, suas tipologias se dividem em: Hipertensão Arterial Crônica (HAC), Hipertensão Crônica com Pré-eclampsia Sobreposta (HCPES), Pré-eclâmpsia isolada (PE), Pré-eclampsia com sinais de gravidade (PEG) e a eclampsia.1

A hipertensão durante a gestação é a primeira causa de mortalidade materna no mundo, ocorrendo em 6 a 17% das gestantes nulíparas e em 2 a 4% das multíparas, das quais, 20 a 50% progridem para a PE.2 No Brasil, em 2014, a mortalidade materna pelas SHG foi representada pelo coeficiente de 10,8 mortes a cada 100 mil nascimentos.3 Paralelo aos dados de mortalidade materna, a taxa de mortalidade neonatal precoce por causas evitáveis, dentre as quais incluem os casos referentes à hipertensão durante a gestação, foi de 2,7 óbitos para uma proporção de 100 mil nascidos vivos, no ano de 2014.4 Observa-se que a prematuridade se destaca como umas as principais causas de óbitos neonatais,5 sendo estes desfechos recorrentes nos casos de mulheres que desenvolvem as SHG.6

Estudo realizado com gestantes que apresentavam diagnóstico de síndromes hipertensivas possuíam risco elevado de terem um recém-nascido (RN) com índice de APGAR abaixo de sete no primeiro (RR= 2,33, p<0,001) e quinto minuto (RR= 2,96, p=0,003, caracterizando-se como hipóxia fetal; além de maior risco relativo para prematuridade (RR=2,06, p=0,017, baixo peso ao nascer (RR=2,33, p=0,009, morte fetal (RR=2,36, p=0,03) e parto cesáreo com desfecho desfavorável (RR=4,41, p<0,001).7

Os dados chamam atenção enquanto problema de saúde pública, principalmente, por se tratar de complicações preveníveis por meio de uma adequada atenção durante o pré-natal e parto, com ações de promoção à saúde que visem à prevenção das SHG, detecção precoce e acompanhamento da saúde materno-fetal. O conhecimento e discussão sobre as pesquisas realizadas acerca da temática, especialmente, no que diz respeito à identificação de elementos como: país de origem, delineamento, nível de evidência produzida, e os desfechos perinatais investigadas, torna-se relevante para aprofundar a base teórica sobre o assunto e para contribuir com a identificação de gaps de conhecimento. Com isso, torna-se possível instigar a elaboração de novos estudos que preencham as lacunas existentes afim de produzir evidências que subsidiem a tomada de decisões clínicas e que contribuam com o avanço da ciência.

Diante do exposto, o estudo objetiva identificar na literatura os desfechos perinatais em gestantes com síndromes hipertensivas.

 

Método

Trata-se de uma revisão integrativa, fundamentada na síntese e análise dos resultados de pesquisas científicas publicadas, a qual segue as seguintes etapas de construção: elaboração do protocolo de revisão integrativa; coleta dos dados com inclusão de publicações que trouxeram contribuições e respostas pertinentes à questão de pesquisa; extração das informações contidas no estudo; análise e interpretação dos dados; e, por último, apresentação e discussão da revisão.8

Para elaboração da questão norteadora, utilizou-se a estratégia PICO conforme recomendação do Reporting Items for Systematic Reviews and Meta-Analyses (PRISMA): Paciente: gestantes com síndromes hipertensivas; Intervenção: não se aplica; Comparação: não se aplica; e Outcomes (desfecho): desfechos perinatais. Com a questão de revisão: quais os desfechos perinatais em gestantes com síndromes hipertensivas evidenciados na literatura?

Foram investigadas as publicações científicas indexadas nas respectivas bases de dados: LILACS¸ PUBMED, SCOPUS e WEB OF SCIENCE. Cada base de dados foi acessada por dois pesquisadores simultaneamente, em computadores diferentes, com o intuito de garantir fidedignidade ao estudo e coletar o maior número de artigos pertinentes. Não foram adicionados filtros de busca como ano de publicação, país ou revista.

A coleta foi realizada em janeiro de 2017, com uso de descritores selecionados nos Descritores em Ciências da Saúde (DECs) e no Medical Subject Headings (MESH): 1#Hipertensão induzida pela gravidez/Hypertension, Pregnancy-Induced; 2#Assistência perinatal/Perinatal Care; 3# Neonatologia/Neonatology. Os cruzamentos utilizados na busca não controlada foram: (1# AND 2#); (1# AND 3#) e (1# AND 2# AND 3#). Foram incluídos os artigos completos disponíveis nas bases de dados selecionadas; artigos que evidenciem os desfechos perinatais em gestantes com síndromes hipertensivas. Foram excluídas as publicações em formato de editoriais, cartas ao editor, resumos, opinião de especialistas, revisões, capítulos de livro, teses e dissertações ou que não abordassem o tema de pesquisa.

Em relação à definição do nível de evidência do estudo, utilizou-se a classificação de nível de evidência científica,9 a qual estabelece a seguinte classificação: nível I (evidências oriundas de revisões sistemáticas ou meta-análise de relevantes ensaios clínicos); nível II (evidências derivadas de pelo menos um ensaio clínico randomizado controlado bem delineado); nível III (ensaios clínicos bem delineados sem randomização); nível IV (estudos de coorte e de caso-controle bem delineados); nível V (revisão sistemática de estudos descritivos e qualitativos); nível VI (evidências derivadas de um único estudo descritivo ou qualitativo); e nível VII (opinião de autoridades ou relatório de comitês de especialistas. Segundo a mesma classificação os níveis I e II são consideradas evidências fortes; níveis III e V como moderadas e os níveis VI e VII são tidas como evidências fracas.

A seleção das publicações foi iniciada por meio da leitura dos títulos e resumos. Posteriormente foram retirados os estudos não disponíveis na íntegra, duplicados e os que possuíam dados insuficientes para responderem à questão de pesquisa, obtendo-se o total de 31 publicações. A figura 01 apresenta o fluxograma da seleção dos artigos.

 

Figura 01: Fluxograma da seleção dos artigos baseado nas etapas de identificação, triagem, elegibilidade e inclusão. Natal, Rio Grande do Norte, 2017.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

                               Fonte: Dados coletados pelo autor.

 

Resultados

A caracterização dos artigos quanto as variáveis: revista e ano de publicação, autor, título e os desfechos perinatais identificados nos estudos, estão apresentadas no Quadro 01. As publicações iniciaram em 1998 e seguiram até 2016, com produção média de dois artigos ao ano. Quanto ao idioma, um foi escrito na língua chinesa, dois em português e os demais em inglês. Dos estudos, quatro foram multicêntricos e os demais tiveram os seguintes países de origem: Brasil, Estados Unidos, China, Taiwan, África do Sul, Holanda, Tanzânia, Reino Unido, Paquistão, Austrália, Gana, Singapura, Nigéria, Turquia, Israel, Japão, Argentina, Egito, índia, Peru, África do Sul e Vietnam.

Em relação ao nível de evidência, mais da metade (51%) foi classificada como nível VI, seguido do IV (45%) e II (3%). Dentre os delineamentos adotados, predominou os estudos transversais (51%), e, em menor número, foram identificados coortes (25%), casos-controles (19%) e apenas um ensaio clínico (3%).

Observou-se que, no Brasil, o quantitativo de pesquisas da temática é limitado (três estudos), dos quais, dois foram desenvolvidos com base em um delineamento transversal e uma coorte. Verificou-se a inexistência de publicações vinculadas à revistas de enfermagem.

Em resposta ao questionamento da presente revisão, obteve-se como resultados que, os desfechos perinatais de maior incidência na vigência das SHG, foram a mortalidade perinatal (A1-2, 4, 6, 8-9, 12-15, 17, 20, 22-30), prematuridade (A4, 6, 8-10, 12-15, 18, 22-25, 27-31) e baixo APGAR no 1º e 5º minuto de vida (A2, 4, 6, 8-10, 12, 16-17, 20-22, 27, 29-31). Igualmente, foram verificados desfechos como RN Pequenos para Idade Gestacional (PIG) (A1, 4, 10, 13-23, 25-31), maior ocorrência de admissão na Unidade de Terapia Intensiva Neonatal (UTIN) (A2, 4, 8-9, 15, 18-20, 22, 27), Restrição de Crescimento Intra-uterino (RCIU) (A3, 9, 16-17, 20, 24, 26) e parto cesariano (A4, 14, 16-18, 27, 29, 31).

Seguido aos desfechos citados, também foram identificados resultados como a sepse neonatal (A10, 12, 26), Taquipneia Transitória do RN (TTRN) (A19, 26), hemorragia intraventricular (artigos 10, 19), Síndrome de Aspiração Meconial (SAM) (A3, 10, 21) e Síndrome da Angústia Respiratória (SAR) (A10, 21). Os resultados perinatais identificados com menor frequência foram: hemorragia pulmonar (A21), neutrofilia (A7), aumento do Ácido Tiobarbitúrico (TBARS) (A5), hipotensão neonatal (A11), pneumonia (A26), icterícia (A18), encefalopatia isquêmica (A21), hipoglicemia (A19) e Enterocolite Necrozante (ECN) (A19).

Nos trabalhos, os resultados perinatais em gestantes com diagnóstico de PEG foram citados em 25 pesquisas (80,6%), enquanto que em três foram pontuadas a identificação de tais desfechos nos casos que evoluíram com gravidade. Nos demais artigos foram identificados os resultados perinatais em gestantes com HG (12), HAC (11), Eclampsia (08), Síndrome HELLP (04) e HCPES (01). Ressalta-se que em alguns estudos, um mesmo trabalho investigou, concomitantemente, as consequências perinatais em grupos de gestantes com diferentes subtipos de SHG.

Quadro 01: Caracterização dos artigos quanto a identificação, título e os desfechos perinatais identificados nos estudos. Natal, Rio Grande do Norte, Brasil. 2017.

Fonte: Dados coletados pelo autor.

 

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Prematuridade; PIG/Baixo peso ao nascer; Baixo APGAR; Cesariana

*A: Artigo

Fonte: Dados coletados pelo autor.

           

 

Discussão

Embora a publicação de pesquisas sobre o tema tenha sido contínua nos últimos 15 anos e em diferentes países, o conhecimento acerca dos desfechos perinatais na vigência das SHG, especialmente, no contexto brasileiro, permanece enquanto uma área ainda pouco explorada pelas ciências, incluindo a enfermagem. Há, portanto, a necessidade de fomentar o desenvolvimento de estudos que abordem tal assunto, haja vista a significativa incidência da hipertensão em gestantes e a gravidade da mesma para mãe e o feto/neonato.10

Nessa revisão, a mortalidade perinatal foi identificada como o resultado negativo de maior ocorrência nas mulheres diagnosticadas com algum tipo de síndrome hipertensiva, que pode ser verificada nos estudos A1-2, 4, 6, 8-9, 12-15, 17, 20 e 22-30. No Brasil, as afecções originadas no período perinatal, dentre as quais se incluem aquelas decorrentes dos transtornos hipertensivos maternos, despontam como a principal causa de mortalidade durante o período,11 apesar de essas serem consideradas como condições passíveis de redução por meio uma adequada atenção à mulher na gestação, parto e ao RN.12

Atendendo o exposto acima, são consideradas afecções originadas no período perinatal os transtornos respiratórios e cardiovasculares; sepse neonatal; desordens relacionadas à duração da gestação e ao crescimento fetal, a exemplo do baixo peso ao nascer e a prematuridade; bem como as complicações maternas que interfiram na evolução habitual da gravidez, trabalho de parto e parto.11,13 Desfechos esses recorrentes na evolução da gravidez de mulheres com hipertensão.

No contexto do Sistema Único de Saúde (SUS) são estimadas como causas evitáveis de óbito perinatal, aquelas que seriam preveníveis pelo acesso e garantia de uma assistência qualificada dos serviços de saúde durante o ciclo gravídico-puerperal.12 Portanto, a síntese dos estudos demonstra que a mortalidade perinatal se apresenta enquanto resultado que persistente na realidade, mesmo diante do avanço das tecnologias assistenciais e das políticas públicas de atenção à saúde da mulher.

Especificamente em relação à ocorrência do OFIU, um estudo do tipo caso-controle, realizado no município de Cuiabá, Mato Grosso do Sul (MG), Brasil, de 2006 a 2010, concluiu que os transtorno maternos hipertensivos foram a segunda causa responsável pela mortalidade fetal, antecedida, apenas, pelas causas não especificadas.14

Seguida da mortalidade perinatal, a prematuridade (A 4, 6, 8-10, 12-15, 18, 22-25, 27-31) se coloca como a segunda consequência mais recorrente em gestantes hipertensas, corroborando com os achados de outros estudos, nos quais, o nascimento pré-termo esteve significativamente associado a elevação de níveis pressóricos e, mais frequentemente, à pré-eclampsia.7, 15-16

As condições ao nascimento, representadas pelo Índice de APGAR, parecem ser piores a depender da tipologia da SHG segundo verificado nos artigos A2, 4, 6, 8-10, 12, 16-17, 20-22, 27 e 29-31. Dessa forma, neonatos de mães com eclampsia, apresentam scores baixos de APGAR até no 5° minuto,17 ao passo que, aqueles nascidos de gestantes com HG e PEG também nasceram hipóxicos, porém em menor frequência.15,18 Mesmo diante das evidências encontradas, um estudo não identificou diferença quanto ao APGAR entre grupos de RN de mães hipertensas e normotensas, e, a partir de tal resultado, buscou ressaltar que o índice sofre interferência da prematuridade e de anomalias congênitas.6

No presente trabalho, 43,7% dos estudos relataram em seus resultados uma associação entre a elevação dos níveis pressóricos maternos e a presença da PEG com o baixo peso ao nascimento e o tamanho PIG (A 1, 4, 10, 13-23, 25-31)2,18. Em consequência a tais desfechos adversos a admissão na UTIN (A2, 4, 8-9, 15, 18-20, 22, 27) para cuidados especiais, principalmente em decorrência da asfixia e da prematuridade, é constatada com considerável incidência nos casos de gestantes hipertensas.17-18

Notadamente, a tecnologia assistencial das unidades intensivas propiciaram a redução da mortalidade ao permitir a recuperação de RN graves. No entanto, a manipulação por profissionais e a submissão às intervenções acaba por expor o neonato a eventos adversos e riscos prejudiciais à saúde dos mesmos, sobretudo quando os períodos de internação são prolongados.19

Apesar da RCIU ser apresentada como o 6° desfecho mais citado pelas pesquisas, como nos trabalhos A3, 9, 16-17, 20, 24 e 26, é consenso na literatura que sua fisiopatologia tem estreita relação com os transtornos hipertensivos maternos. A PEG, por exemplo, promove insuficiência placentária severa, sujeitando o feto a hipóxia.12 Nos casos de HCPES a restrição do crescimento também é um achado comum.20

Não obstante, a interrupção da gravidez em gestantes hipertensas por meio de cesariana (A4, 14, 16-18, 27, 29, 31) eletiva persiste enquanto um assunto controverso na literatura, embora sua ocorrência seja significativa nos casos que evoluem com gravidade, a exemplo da PEG.6,15

Segundo conduta protocolada pelo Ministério da Saúde (MS) a resolução da gravidez é recomendada apenas nas situações em que há o agravamento das condições maternas e/ou fetal, devendo, preferencialmente, ser adotada as condutas conservadoras e/ou expectante até a 34 semana de gestação.21 Quando considerada as evidências disponíveis para basear a indicação de cesarianas em gestantes hipertensas, uma revisão sistemática apontou os respectivos critérios: “Frequência Cardíaca Fetal (FCF) não tranquilizadora”, “oligodrâmnia” e “centralização Fetal”, os quais são igualmente indicados pelas diretrizes ministeriais, e possuem grau de recomendação B.22

A sepse neonatal também correspondeu a uma descoberta associada à neonatos de mães com HG,2 identificada nos artigos A10, 12 e 26. Existe na literatura o consenso de que a etiologia da infecção durante esse período é multifatorial, abrangendo fatores relacionados à condições maternas e neonatais, a exemplo do trabalho de parto prematuro, ruptura de membranas com mais de 18 horas, infecção materna, baixo peso ao nascer, prematuridade, ventilação mecânica (VM) com Tudo Orotraqueal (TOT), cateter central ou umbilical e nutrição parenteral.23

Estudos identificaram que a vigência materna de HG e HAC aumentou o risco para a ocorrência de disfunções respiratórias como TTRN (A19, 26), SAM (A3, 10, 21), SAR (A10, 21), além da hemorragia e lesão pulmonar (A21) em RN pré-termos e com baixo peso.2,12 Observa-se que as intercorrências citadas acima tem estreita relação com a condição de prematuridade, uma vez que complicações dessa natureza são secundárias ao nascimento pré-termo, o qual se constitui como uma das principais complicações das SHG.

Achados neurológicos em RN prematuros de mães hipertensas são controversos e pouco frequentes nas pesquisas, sendo os mais incidentes, a hemorragia intraventricular (A21), a encefalopatia isquêmica e a leucomalácia periventricular.6 A frequência de complicações como a ECN (A19), neutrofilia (A7), aumento do TBARS (A5), hipotensão neonatal (A11), pneumonia (A21), icterícia (A18) e hipoglicemia (A19) foram menores, porém as consequências dessas para a saúde neonatal são de significativo impacto.

Posto isso, a ECN acomete de maneira especial prematuros de baixo peso, constituindo-se como a mais comum emergência clínica/cirúrgica e a maior causa de morbimortalidade de RN em UTIN no mundo.24 Sua etiologia é desconhecida, mas, possui fatores associados como prematuridade, peso ao nascer, asfixia, sepse, choque, ventilação mecânica, além de evidências que sugerem sua associação com a HG.25

Chama atenção alterações bioquímicas como neutrofilia, elevação do TBARS e hipoglicemia. Um caso controle realizado com lactentes de mães com PE e normotensas, revelou a ativação de neutrófilos proporcionalmente à gravidade da doença hipertensiva;26 enquanto que, em relação a elevação do TBARS, a detecção do mesmo na urina de RN de mães com HG se constutui enquanto biomarcador que avalia a exposição do feto a hipóxia intrauterina crônica.27

A hipoglicemia é comumente verificada em RN macrossômicos e filhos de mães diabéticas, apesar disso, um estudo identificou uma expressiva incidência da hipoglicemia em neonatos de mães com HG.28 Quanto a hipotensão neonatal, esse é um problema comum nas UTIN, maiormente em RN prematuros, e, mais recentemente, a PE materna foi associada a sua ocorrência.29 Por fim, RN prematuros de mães hipertensas apresentam associação com o diagnóstico neonatal de icterícia,30 uma vez que, dentre os fatores de risco para hiperbilirrubinemia neonatal, encontra-se um dos desfechos considerados recorrentes nas SHG, a prematuridade.

Destarte, as repercussões das SHG para os desfechos perinatais são de significativo impacto, sejam elas diretas, como no caso da mortalidade perinatal, do parto cesariano e da prematuridade; ou indiretas, a exemplo dos desfechos secundários a prematuridade como o baixo peso ao nascer, admissão na UTIN, sepse e demais citados.

 

Conclusões

Os desfechos perinatais mais incidentes na vigência das SHG foram: mortalidade perinatal, prematuridade, baixo APGAR no 1º e 5º minuto de vida, RNPIG, maior ocorrência de admissão na UTIN, RCIU e parto cesariano.

Dentre as síndromes hipertensivas investigadas, destacou-se o quantitativo de estudos com gestantes diagnosticadas com PE, porém, verificou-se um menor número de trabalhos com o objetivo analisar os desfechos perinatais em gestantes com PEG e HCPES. Portanto, a realização de investigações que analisem a exposição do feto/neonato à condição materna de ambas síndromes, constitui-se como gaps de conhecimento. Outras tipologias das SHG foram pesquisadas como a HG, HAC, Eclampsia e HELLP.

Tendo em vista o ínfimo número de estudos realizados no Brasil, recomenda-se o desenvolvimento de pesquisas com delineamentos de maior nível de evidência, as quais objetivem investigar as repercussões das SHG no contexto nacional. Isso porque o perfil socioeconômico das mulheres brasileiras é congruente a elementos considerados como fatores de risco para as SHG, a exemplo da primiparidade em mulheres abaixo de 20 anos, cor negra, baixa escolaridade e renda.

A revisão apresenta como limitações o número de bases de dados pesquisadas, a indisponibilidade de artigos não gratuitos e a não utilização de instrumentos para avaliação dos artigos científicos.

 

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Autor correspondente

Alexandra do Nascimento Cassiano

E-mail: anc_enfa@hotmail.com

Endreço: Campus Universitário, Lagoa Nova, Natal, Rio Grande do Norte, Brasil

CEP: 59. 078-970

 

 

Contribuições de Autoria

 

1 – Alexandra do Nascimento Cassiano

Concepção e planejamento, obtenção e análise dos dados, redação e revisão crítica.

2 – Ana Beatriz Ferreira Vitorino

Obtenção dos dados e revisão crítica.

3 – Samara Isabela Maia de Oliveira

Obtenção dos dados e revisão crítica.

4– Maria de Lourdes Costa da silva

Planejamento, obtenção dos dados e revisão crítica.

5– Núbia Maria Lima de Sousa

Obtenção dos dados e revisão crítica.

6– Nilba de Lima Souza

Concepção, planejamento e revisão crítica.

 

 

Como citar este artigo

Cassiano AN, Vitorino ABF, Oliveira SIM, Silva MLC, Sousa NML, Souza NL. Desfechos perinatais em gestantes com síndromes hipertensivas: Uma revisão integrativa. Rev. Enferm. UFSM. 2020 [Acesso em: Anos Mês Dia]; vol.10 e23: 1-20. DOI:https://doi.org/10.5902/2179769233476



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