REMOA, Vol. 18 (2019), e5

DOI: http://dx.doi.org/10.5902/2179460X35572

Received: 09/11/2019 Accepted: 29/08/2019

 

by-nc-sa

 

Seo Prticas Educativas Ambientais

A relevncia da interdisciplinaridade para a compreenso dos danos causados pela indstria de confeco de Maring

 

Paula Piva LinkeI

IDoutoranda do Programa de Ps Graduao em Cincia Ambiental da Universidade de So Paulo, Brasil - paulapivalinke@usp.br

 

 

Resumo

Esse texto tem como objetivo discutir a forma como a cincia ps-normal e a interdisciplinaridade podem indicar caminhos para a reflexo cientifica acerca dos danos causados pela indstria de confeco de Maring. O texto est dividido em trs partes, inicialmente apresenta-se o conceito de sociedade de risco de Beck, em seguida a problemtica dos resduos slidos da confeco no municpio de Maring. Finalmente assinala-se a importncia da cincia ps-normal e da interdisciplinaridade como caminhos que podem contribuir no desenvolvimento e compreenso da complexidade desta questo. Os resduos slidos da indstria da confeco precisam ser observados sob diversos pontos de vista, considerando o meio ambiente por meio da sustentabilidade, as normativas legais por meio do governo e o ponto de vista do empresrio. No basta apenas a atuao do governo, mas uma participao mais ampla por parte dos empresrios e mesmo da comunidade envolvida com essa problemtica, portanto a interdisciplinaridade e a cincia ps-normal mostram-se ferramentas importantes que auxiliam na compreenso das variveis que fazem parte dessa questo.

 

Palavras-chave: Cincia; Confeco; Resduos

 

 

1. Apresentao

Maring considerado plo de moda do Sul do pas, sendo que sua alta produtividade causa danos ambientais e afeta a dinmica urbana. So produzidas aproximadamente sete milhes de peas por ms, produo distribuda entre as mais de 1600 empresas que compem o arranjo produtivo do municpio e geram entre 12% e 25 % dessa produo em resduos que impactam sobre o meio (SINDVEST, 2012).

A partir dessa perspectiva objetiva-se nesse texto, discutir a forma como a cincia ps-normal e a interdisciplinaridade podem indicar caminhos para a reflexo cientifica acerca dos danos causados pela indstria de confeco de Maring. Trata-se de uma pesquisa exploratria com o intuito de apresentar algumas questes fundamentais para se entender os impactos ambientais do setor da moda. Para tanto, o texto inicia com um panorama referente sociedade de risco e complexidade dos problemas enfrentados, citando como exemplo a problemtica referente ao setor de confeco na cidade de Maring, especificamente a questo dos resduos slidos da confeco. Em seguida a problemtica de pesquisa a ser desenvolvida no decorrer do meu doutorado. Posteriormente se aponta como ferramentas para compreender tais problemas a cincia ps-normal, conceito criado por Funtowicz e Ravetz, e a interdisciplinaridade como novos olhares sobre a cincia e a complexidade dos problemas que envolvem as questes ambientais.

Para a pesquisa a ser desenvolvida no decorrer do doutorado, a interdisciplinaridade fator fundamental para o sucesso da mesma. A interdisciplinaridade permite articular diferentes reas do conhecimento sob a tica da cincia ambiental, como por exemplo: administrao, engenharia de produo, gesto ambiental, gesto de resduos, moda e legislao (PHILIPPI, 2011).

 

 

2. Sociedade de risco

As atividades humanas, via de regra, causam perturbaes ao meio ambiente. Essas perturbaes variam conforme o tipo de atividade executada (DREW, 2002). As aes antrpicas no apenas degradam o meio, mas o alteram, portanto, o ambiente inclui no somente o meio natural, mas tambm o ambiente construdo (JAMIESON, 2010, p. 01). Ao considerar o ambiente como uma juno entre o meio natural e o meio alterado pelo homem percebe-se uma relao complexa na qual as aes humanas interferem diretamente sobre a natureza e as conseqncias variam em grau de intensidade, afetando a qualidade de vida da sociedade.

O processo de degradao do meio ampliou-se devido ao desenvolvimento e a intensificao do processo de industrializao (DREW, 2002). O autor prossegue afirmando ainda que face a esses acontecimentos, a partir da segunda metade do sculo XX, iniciou-se uma mobilizao que gerou uma srie de convenes e atitudes em relao ao meio ambiente, repensando o papel do mesmo na manuteno da vida. Foi a partir desse momento que surgiram conceitos como desenvolvimento sustentvel e sustentabilidade (DREW, 2002).

Embora algumas atitudes tenham sido tomadas em prol do ambiente, a degradao do meio trouxe conseqncias que se refletem em problemas de larga escala. Esse processo de reflexo sobre as questes ambientais que envolvem a sociedade levaram ao surgimento de vrias discusses. Uma dessas discusses refere-se s teorias do socilogo Ulrick Beck que desenvolveu o conceito de sociedade de risco (CURRAN, 2013).

Beck afirma que a sociedade de risco surgiu a partir do momento em que incorporou o progresso como ideologia, pois degradou o capital natural de forma violenta e agora passa por um processo de auto-confrontao, tendo que conviver com riscos catastrficos (BECK, 2008). O autor prossegue afirmando que a sociedade industrial pode ser descrita como uma forma de sociedade que fabrica suas conseqncias negativas. [...] Ento, posto que suas instituies geram e legitimam perigos que no podem controlar, a sociedade industrial se v e se critica como sociedade de risco (BECK, 2008, p. 157).

Em outras palavras o processo industrial trouxe benefcios como a tecnologia, mas ao mesmo tempo conseqncias inesperadas. Portanto, argumentar que "modernizao reflexiva" envolve maior complexidade e feedback dos efeitos entre ao social e os resultados naturais uma reivindicao plausvel e importante (CURRAN, 2013, p. 48). Esse processo de auto-confrontao se d por meio da reflexo, na qual a sociedade comea a se tornar consciente dos agravos ambientais que vem enfrentando (BECK, 2008).

Embora a teoria de Beck seja criticada em alguns aspectos por alguns pesquisadores como Dean Curran, membro do Departamento de Sociologia da Queens Universit, h pontos positivos que devem ser destacados. Curran (2013) critica Beck por desconsiderar o conceito de classe na compreenso dessa nova realidade, a sociedade de risco.

No entanto, apesar dessa crtica, Curran aponta os aspectos positivos das teorias de Beck, reforando algumas questes. O autor salienta que os crescentes riscos dos efeitos colaterais de intervenes sobre a natureza vem a partir do crescimento do nosso poder para controlar e intervir na natureza (CURRAN, 2013, p. 47). Esse poder de interveno sobre a natureza causou e ainda causa riscos incalculveis.

Os problemas que aparecem na sociedade de risco existiam anteriormente, no entanto, agora eles assumem propores catastrficas e apresentam-se de forma extremamente complexa, variando na escala de tempo e espao principalmente no que se refere s questes ambientais. (BECK, 2008). Boa parte deles foram criados pelo processo de industrializao desenfreada e a expanso da cincia que transcendeu os laboratrios, criando novas tecnologias com impactos pesados sobre o meio natural (MARTINEZ ALIER, 2007).

Em outras palavras a tcnocincia promoveu a produo de problemas em larga escala, como conseqncia dos avanos tecnolgicos (ALVARENGA, 2011). Esses problemas que geram riscos e perigos so extremamente complexos e exigem uma reflexo sobre o papel da cincia, das instituies e do Estado como produtor desses riscos, ao passo que a sociedade herda passivos ambientais das tecnologias aplicadas antes dos testes (BECK, 2008).

As mudanas climticas so um exemplo, essa problemtica envolve no apenas a comunidade cientfica, mas as instituies, o Estado e a sociedade civil. A governana ambiental e as decises a serem tomadas devem levar em considerao os riscos e as conseqncias desses riscos que podem transforma-se em perigo para a sociedade (BECK, 2008). Mas para avaliar esses risos e perigos h a necessidade de conhecer as causas, os efeitos e a amplitude dos problemas de forma integrada e profunda, para que as decises tomadas possam de fato surtir algum efeito.

As questes ambientais envolvem uma srie de situaes com diversos graus de complexidade. Cito como exemplo, a problemtica que se refere questo ambiental relativa ao setor da confeco no municpio de Maring, mais especificamente os resduos slidos, retalhos de tecido. O setor de confeco traz benefcios como empregos, mas afeta o meio ambiente, em outras palavras envolve diferentes atores sociais com interesses prprios em torno da produo e destinao dos resduos slidos (empresrios e autoridades legais) como enfatiza Berlin (2012).

A confeco uma das fases finais de produo do vesturio, posteriormente ocorrem os acabamentos por meio das estamparias e lavanderias. A indstria da confeco responsvel pela montagem da roupa, seu arranjo produtivo inicia-se com o processo de desenvolvimento de coleo, escolha do material, modelagem, pilotagem, ajustes, enfesto, corte, montagem, acabamentos, reviso das peas e venda (BERLIM, 2012).

Os resduos desse setor variam de acordo com o segmento de produto, por exemplo, confeces de malhas ou tecidos planos apresentam insumos diferenciados, no entanto, os resduos normalmente so: papel, plstico, sobras de tecido, tubetes, retalhos de tecido, aparas de tecido, lixas de corte, embalagens de aviamentos, rebarbas de overloque, sobras de linha, fio, estopas e leo, papelo e peas defeituosas que no podem ser comercializadas (GUIMARES, MARTINS, 2010).

O problema no se refere somente ao montante de resduos produzidos, mas a suas composies, com fibras naturais, sintticas e artificiais, assim como uma densa variedade de corantes e fixadores. Dessa forma, esse material representa um risco ao meio ambiente. A complexidade do problema mostra-se alarmante devido a quantidade de variedade de composies dos tecidos, qumicos utilizados no seu beneficiamento e a segmentao de produo das confeces, material esse que provoca a contaminao do solo e mesmo perigo a sade quando contaminado com leo de mquina, por exemplo (MILAN. 2010).

Nesse caso a discusso em torno do problema envolve a comunidade de empresrios, o poder pblico, a populao e as empresas que fazem a coleta dos materiais e mesmo as ONGs que os utilizam na fabricao de artesanato. Os resduos circulam pela cidade causando impactos variados ao meio e a populao (MILAN. 2010).

Na seqncia apresento com mais clareza a importncia do setor da confeco para o municpio de Maring e suas dimenses. Apontando as normativas legais e ressaltando a importncia de aprofundar as pesquisas nesta temtica com a finalidade de compreender a complexidade do setor e a forma como ele impacta na cidade.

 

 

3. A problemtica da confeco no municpio de Maring

O Brasil um dos poucos pases que detm toda a cadeia produtiva no setor txtil, desde a produo da fibra produo de roupas (BERLIM, 2012). O pas engloba toda a cadeia de produo: produo da fibra, fiao, tecelagem, tinturaria, lavanderia, confeco e varejo.

De acordo com a ABIT (Associao Brasileira da Indstria Txtil), o pas possui em torno de 30 mil empresas no setor, que fazem do pas o 4 maior produtor de confeccionados do mundo, com uma produo mdia de 9,8 bilhes de peas por ano (ABIT, 2011).

Essa produo toda est distribuda pelos diversos estados e cidades brasileiras. Nesse setor, destaca-se o Paran, com o corredor da Moda formado pelas cidades de Cianorte, Maring e Londrina. O municpio de Maring considerado plo de moda do sul do pas, com uma produo de aproximadamente sete milhes de peas/ms, emprega cerca de um tero da populao no setor txtil direta ou indiretamente. Tal setor possui grande importncia para a cidade, contudo traz tambm problemas, pois seu sistema produtivo gera resduos que comprometem o meio ambiente (SINDVEST, 2012).

De acordo com LilIan Berlin (2012), Gabriel Sperandio Milan (2010) e Kate Fletcher (2011), os danos causados pela cadeia txtil referem-se principalmente contaminao do solo e da gua, alm do ar, pela gerao de odores. Em relao ao solo, essa se d pelo uso de agrotxicos, pelo despejo de material solidificado proveniente do beneficiamento e de retalhos de tecido originrios da confeco. A contaminao da gua ocorre em funo do despejo de efluentes procedentes do beneficiamento, geralmente carregados com corantes, fixadores e alvejantes (WALTERS. 2005). A contaminao ocorre em todo o processo industrial, desde o incio, com a produo da fibra (HERTWICH, 2010; MARTINUZZI, 2011).

Para melhor compreender os danos causados por tal indstria preciso mapear cada atividade e avaliar cautelosamente o seu desenvolvimento dentro da cadeia de produo (HERTWICH, 2010, MARTINUZZI, 2011 e MACIEL, 2012). Toda essa cadeia de produo engloba setores com produtos variados, no entanto, dentre esses produtos destaca-se a vestimenta, uma produo que ocupa um espao de distino entre os bens que consumimos e fabricamos (BERLIM, 2012, p. 20).

As roupas so produzidas por um processo especfico, a confeco, que consiste no desenvolvimento de produto, modelagem, pilotagem, planejamento de produo, produo, acabamentos, reviso e embalagem (SENAI, 2007). O processo de produo gera descartes em todas as fases, sendo uma das mais expressivas o processo de corte, que origina retalhos de tecidos (EPA, 1997; MACIEL, 2012). A eliminao total da gerao desses resduos invivel e, por essa razo, a reduo, o correto tratamento e destinao final de resduos adquirem especial importncia (CNTL, 2009).

A escolha do municpio de Maring justifica-se pelo fato de ser uma cidade plo na produo de moda do sul do pas (SINDVEST, 2012). O Estado do Paran possui cerca de 9% das indstrias confeccionistas do pas, conta com aproximadamente quatro mil estabelecimentos produtivos (VIDIGAL, 2009). Na regio de Maring, havia 1200 empresas em 2009, na atualidade h em torno de 1666 empresas que se localizam no municpio. O setor emprega cerca de 100 mil trabalhadores direta e indiretamente, produzindo aproximadamente sete milhes de peas por ms (SINDVEST, 2012). Esse montante de empresas demonstra a importncia do setor para o municpio que possui 357 mil habitantes, dos quais, praticamente um tero est empregado no ramo txtil.

 

Maring movimenta mais de R$ 140 milhes no mercado nacional e internacional. Parte do que confeccionado tambm fomenta o setor atacadista da cidade, que engloba quatro shoppings atacadistas [...] que recebem 15 mil compradores todo ms (SINDVEST, 2012, p. 01).

 

A alta produtividade do setor e seu crescimento no se fazem sem danos ambientais identificados por Generoso de Angelis Neto e Patrcia Cardoso (2011). Esses autores destacam os danos causados pelo descarte de retalhos de tecido devido ao seu alto poder de inflamabilidade e no montante, que geram grandes volumes [...] esgotando rapidamente espaos e contaminando os solos (CARDOSO, ANGELIS NETO, 2011, p. 01).

No caso das confeces, os resduos so formados ao longo da ao produtiva que gera diferentes subprodutos (SENAI, 2007), resultando em impactos ambientais e sociais ao longo do ciclo de vida das roupas (DAFRA, 2010, p. 02).

A variedade de resduos descartada de forma incorreta, ou ainda, destinada a entidades sociais que nem sempre conseguem aproveitar todo o material e depositam o que no aproveitam em locais inadequados (LIMA JNIOR, 2010). Em uma cidade como Maring, em que a produtividade chega a aproximadamente sete milhes de peas/ms, a quantidade de resduos gerados exorbitante, em mdia 12% a 25% do montante produzido (SINDVEST, 2012).

Em se tratando do municpio de Maring, que faz parte do principal aglomerado industrial (cluster) do Estado do Paran (LIMA JUNIOR, 2010), h a necessidade de analisar com mais preciso os impactos ambientais causados pelo descarte de resduos. Portanto, busca-se analisar o processo de produo da indstria de confeces de vesturio em Maring, PR, em especial o descarte de materiais decorrentes do processo de corte e verificar em que medida possvel adotar mecanismos de Produo mais Limpa (P+L) aplicados modelagem, enfesto e corte nas empresas selecionadas. Deste modo, busca-se avaliar se no municpio de Maring, as confeces utilizam tecnologias limpas capazes de tornar a empresa menos agressiva.

Para responder a esse questionamento foram levantadas as seguintes hipteses: os procedimentos que envolvem a produo mais limpa e a gesto ambiental podem tornar a confeco menos agressiva ao meio ambiente; a falta de tecnologias, mo-de-obra qualificada e processos adequados promovem maior gerao de resduos; Os resduos da confeco tornam-se mais perigosos quando contaminados, impedindo o reaproveitamento e ou a reciclagem.

Deve-se lembrar que esta produo txtil est inserida na dinmica urbana e que se espera que a mesma seja capaz de se adequar s demandas ambientais, com programas que diminuam os resduos, ampliem o gerenciamento, reaproveitamento e reciclagem dos mesmos. Isso porque tais resduos no so apenas um problema do empresrio, mas de todo o municpio, que tem que adotar polticas pblicas para controlar tais problemas (RAMOS, 2009).

No se pode ignorar que h normas ambientais que regulam como deve ser o descarte de resduos slidos. Pode-se citar a Constituio Brasileira em seu Artigo 225, que dispe sobre a proteo ao meio ambiente; a Lei 6.938/81, que estabelece a Poltica Nacional de Meio Ambiente; a Lei 6.803/80, que dispe sobre as diretrizes bsicas para o zoneamento industrial em reas crticas de poluio. H tambm outras regulamentaes como as resolues do Conselho Nacional do Meio Ambiente - CONAMA 257/263 e 258, os Captulos 19, 20 e 21 da Agenda 21

Alm de tais leis h tambm as normas da ABNT NBR 10004:2004, que discute exclusivamente a questo dos resduos slidos, sua periculosidade e classificao para que possam ser gerenciados corretamente.

Recentemente outras leis foram estabelecidas, dentre elas, a Lei Federal n 10.165/2000: todas as empresas que exercem atividades potencialmente poluidoras e utilizadoras de recursos naturais passaram a ser contribuintes da TCFA - Taxa de Controle e Fiscalizao Ambiental. Outra lei que teve impacto direto sobre o setor txtil a Lei n 12.305, de 02 de agosto de 2010 que Institui a Poltica Nacional de Resduos Slidos, que dispe, sobretudo a respeito das diretrizes relativas gesto integrada e ao gerenciamento de resduos slidos.

Face s regulamentaes vigentes, o municpio de Maring apresenta normatizaes para controlar a produo e a correta destinao destes resduos. O Termo de Referncia (2009) foi preparado pela Secretaria Municipal do Meio Ambiente e emitido s empresas do APL pela Prefeitura Municipal de Maring, o qual foi elaborado com base nas legislaes Municipal, Estadual e Federal e nas normas tcnicas vigentes para o gerenciamento de resduos. Em sntese, o termo trata aspectos gerais sobre a elaborao do Plano de Gerenciamento Integrado de Resduos (PGIR).

Mesmo com tais regulamentaes vigentes, h ainda problemas srios referentes ao municpio de Maring. As empresas precisam aprender a diminuir seus impactos e resduos, assim como gerenci-los de forma correta. Francisco Rodrigues Lima Jnior realizou em 2010 uma pesquisa junto a 08 empresas no municpio de Maring, verificando a situao dos resduos.

 

[...] somente 25% das empresas possuem um local especfico para armazenagem de resduos. A maioria das empresas armazena os resduos no cho de fbrica e em locais de armazenagem de outros materiais, somente 50% das empresas entrevistadas possuem um PGRS e 50% ofereceu treinamento aos funcionrios com relao aos procedimentos de separao, armazenagem e transferncia de resduos (LIMA JNIOR, 2010, p. 08).

 

Os dados mostram as deficincias na armazenagem, gerenciamento e correta destinao dos resduos slidos, que muitas vezes so depositados em lixes ou terrenos baldios, no raras vezes indo parar em corpos dgua, afetando assim a qualidade de vida dos indivduos e mesmo a dinmica urbana (CARDOSO, ANGELIS NETO, 2011).

Deve-se lembrar que o processo de circulao dos resduos contraria o disposto no Plano de Gerenciamento de Resduos Slidos estabelecido pelo municpio. Mesmo que a Poltica Nacional de Resduos Slidos, Lei n. 12.305/2010, que em seu Art. 3, inciso XI, apresente a gesto integrada de resduos slidos, ainda h resistncias por parte do setor da confeco em cumprir as determinaes legais. A gesto integrada um conjunto de aes voltadas para a busca de solues para os resduos slidos, de forma a considerar as dimenses poltica, econmica, ambiental, cultural e social, com controle social e sob a premissa do desenvolvimento sustentvel. Essa apenas uma das ferramentas a serem utilizadas, outras opes seriam a produo mais limpa, o eco design e a gesto ambiental, por exemplo.

Para que a produo seja limpa, necessrio que todo o processo o seja: isso implica pensar no que fazer com a grande quantidade de retalhos de tecido gerados pelo processo de confeco. Tais resduos so gerados no setor de corte, onde ocorre, na maioria das vezes, grande desperdcio devido falta de tecnologia que auxiliem no encaixe de moldes (EPA, 1997; ARAJO, 1996). No basta apenas pensar o resduo, mas a gesto de todo o processo, preciso pensar as entradas e sadas da empresa.

Isso significa que no basta apenas melhorar os processos para que se tornem menos agressivos, mas sim adotar procedimentos e atitudes que envolvam maior sensibilidade com a causa ambiental por parte dos empresrios e colaboradores da empresa.

Por essas razes, em se tratando da indstria de confeces de Maring, h a necessidade de melhor otimizar o processo de produo no somente para reduzir o volume de resduos gerados, como tambm para minimizar os danos ambientais causados particularmente pelo descarte desse material.

Para desenvolver essa pesquisa preciso pensar em metodologias que englobem no apenas um nico campo do conhecimento, mas necessrio englobar questes polticas, sociais e culturais relacionadas ao meio ambiente e produtivas relacionadas a engenharia de produo e moda.

 

 

4. Novos caminhos para a pesquisa

O sistema produtivo da confeco gera uma variedade de resduos, o mais impactante nesse caso, seria o retalho de tecido. A composio, a colorao e os acabamentos que esses retalhos recebem os fazem assumir caractersticas particulares o que dificulta, por exemplo, pensar em um processo de reciclagem que junte todo tipo de tecido. Alm dessas questes, cabe destacar a conscientizao do empresrio em seguir as normativas e trinar seus funcionrios para gerenciar esses resduos.

Outro fator importante o arranjo produtivo e composio dos tecidos que muda a cada nova coleo. A quantidade de variveis que est presente nesse sistema produtivo bastante ampla. Portanto, pensar essa problemtica requer um olhar mais amplo, no apenas referente administrao de produo, moda, ou mesmo ambiental, mas sim a integrao entre essas reas do conhecimento.

Cabe lembrar ainda que alm do ambiente interno, o ambiente externo tambm influencia a confeco, como por exemplo, polticas pblicas, tecnologias e mesmo os sindicatos do setor. Portanto, a meu ver, pensar essa problemtica exige repensar nas formas de aplicar metodologias e mesmo de conceber a produo do conhecimento.

Assim sendo, a complexidade dos problemas atuais exige novas fermentas de pesquisa e novos olhares sobre a forma de fazer cincia.

 

Ao discutir os desafios que a complexidade coloca cincia moderna, Edgar Morin permite que observemos como a mesma se apresenta como questo nuclear na atualidade por apontar, de um lado, os limites do conhecimento disciplinar e de outro, a importncia da busca de novas formas de entendimento da realidade (ALVARENGA, 2011, p. 18).

 

A realidade atual extremamente complexa e exige novos olhares sobre os objetos de pesquisa. A cincia ps-normal e a interdisciplinaridade podem auxiliar na compreenso de problemas com maior grau de complexidade e da realidade que os engloba. A cincia dita tradicional apresenta restries no que se refere compreenso de alguns dos fenmenos atuais, como afirmam Funtowicz e Ravetz (2003).

 

A mentalidade cientfica tradicional 'normal' fomenta expectativas de regularidade, simplicidade e certeza nos fenmenos e nas nossas intervenes. Mas estes podem inibir o crescimento de nossa compreenso dos novos problemas e de mtodos adequados para a sua soluo (FUNTOWICZ; RAVETZ, 2003, p.02).

 

Muito mais do que mtodos de pesquisa para solucionar problemas, Van De Hove (2007) aponta que a cincia, na linguagem cotidiana, refere-se a um mtodo especfico para descobrir e criar novos conhecimentos, sendo cada conhecimento enquadrado em diferentes ramos da cincia. Esses diferentes ramos das cincias, que no interagem entre si, nem sempre so capazes de responder a certas problemticas isoladamente.

Por exemplo, ao trabalhar com as questes referentes aos resduos slidos da confeco, utilizar apenas a engenharia de produo como base no possibilita uma compreenso mais ampla das dificuldades, pois muitas vezes a situao encontrada no se refere apenas a processos produtivos, mas sim a formas de pensar. Ao usar apenas a gesto da produo nem sempre possvel mapear os danos causados pelos retalhos ou conscientizar os empresrios. Alguns objetos exigem a integrao de diferentes reas do conhecimento para que possam ser explorados e compreendidos face a sua complexidade.

O autor prossegue afirmando que:

 

[...] a cincia tambm um processo social, inserida em um contexto social, envolvendo atores e instituies. Estas mltiplas facetas da "cincia" sugerem que, durante a pesquisa para os domnios de interseco entre cincia e poltica, vemos sucessivamente nas sadas da cincia, seus processos, seus atores e seu contexto (VAN DE HOVE, 2007, p. 809).

 

Portanto, a partir do momento em que a cincia normal incapaz de lidar com a complexidade e a escala dos problemas ambientais atuais de forma integrada, houve a necessidade de se pensar em novas formas de se fazer cincia, uma dessas novas formas seria a cincia ps-normal. O conceito de cincia ps-normal foi desenvolvido por Funtowicz e Ravetz, representa um grande avano no sentido de um entendimento diferente da cincia e, em particular, as suas relaes com a poltica" (VAN DE HOVE, 2007, p. 807-808). De acordo com Funtowicz e Ravetz cincia ps-normal (PNS) :

 

[...] uma nova concepo de gesto de questes complexas relacionadas com a cincia. Ele se concentra em aspectos da resoluo de problemas que tendem a ser negligenciadas em pesquisas tradicionais da prtica cientfica: a incerteza, agregamento de valores , e uma pluralidade de perspectivas legtimas. PNS[1] considera estes elementos como parte integrante da cincia (FUNTOWICZ; RAVETZ, 2003, p.01).

 

Em outras palavras, a cincia ps-normal possibilita maior integrao entre o conhecimento e as pesquisas desenvolvidas e a resoluo de problemas por meio da tomada de deciso e participao da sociedade civil ou de instituies, havendo assim maior integrao entre a sociedade e a cincia.

Van De Hove (2007) acrescenta afirmando que a cincia se desenrola no mbito social e natural, havendo uma interdependncia entre eles, visto que em muitos casos a cincia influencia ou influenciada pelos ambientes sociais e naturais. Outra questo a ser explorada no que diz respeito cincia ps-normal e a valorizao de conhecimentos que no so considerados cientficos. PNS fornece um fundamento em que este conhecimento tradicional utilizado, harmonizado, melhorado e validado novamente (FUNTOWICZ; RAVETZ, 2003, p.07).

Ao considerar o conhecimento tradicional como contribuinte na construo do conhecimento a cincia ps-normal abre portas para a experimentao. No caso da confeco isso fundamental, principalmente no que se refere s confeces de pequeno porte, pois em muitos casos, mais do que a aquisio de novas tecnologias necessrio reavaliar processos, tradicionais, recriando-os por meio de testes e experimentaes para adequ-los a realidade da empresa.

A cincia ps-normal busca pensar os problemas de forma integrada, levando em considerao a cincia, os conhecimento tradicional e a resoluo de problemas. Em uma sociedade de risco onde a complexidade dos problemas cada vez maior, h a necessidade de olh-los de forma interativa. Os problemas atuais no so necessariamente complicados, mas apresentam maior grau de complexidade, pois envolvem sistemas interligados e muitas vezes interdependentes em variados nveis e escalas (FUNTOWICZ; RAVETZ, 2003).

Os autores afirmam ainda que PNS foi desenvolvido como a metodologia adequada para a integrao com os sistemas naturais e sociais complexos (FUNTOWICZ; RAVETZ, 2003, p.02). Busca-se, portanto, uma maior interao entre a cincia e a poltica, principalmente no que se refere governana ambiental.

A complexidade das aes humanas afeta o meio, deve-se lembrar que a governana ambiental ou polticas voltadas para o meio ambiente no envolvem apenas o poder pblico, mas a sociedade civil que afetada diretamente por ela, em muitos casos os empresrios tem grandes responsabilidades pois devem se adequar as novas demandas. O mesmo ocorre com a confeco, os empresrios devem se adequar as normativas legais e tornar suas empresas menos impactantes. O ambiente poltico-legal corresponde ao macro ambiente que interfere nas aes e tomadas de deciso dentro das empresas. Portanto, compreender a problemtica da confeco envolve os ambientes externos e internos e sua inter-relao, principalmente por que envolvem a tomada de deciso onde os valores assumem papel fundamental na forma como as empresas vem as questes ambientais.

 

As idias e conceitos pertencentes a gide do PNS testemunham o surgimento de novas estratgias de resoluo de problemas em que o papel da cincia apreciado em seu contexto total da complexidade e incerteza dos sistemas naturais e da relevncia dos compromissos e valores humanos (FUNTOWICZ; RAVETZ, 2003, p. 01).

 

As novas estratgias de resoluo de problemas, no que se refere cincia ps-normal, incorpora tambm a tomada de deciso e a interao entre aqueles que tomam tais decises e a cincia (VAN DE HOVE, 2007).

Martinez Alier (2007) compartilha dessa viso ao afirmar que a cincia pode ser aplicada a temas polticos como as estratgias de resoluo de problemas. O desenvolvimento de novas metodologias aplicadas cincia implica na qualidade da informao analisada sob diversos pontos de vista. A frase incerteza transmite o problema, no diz respeito descoberta de algum fato, mas a compreenso ou de gesto de uma realidade intrinsecamente complexa (MARTINEZ ALIER, 2007, p. 37).

Os problemas atuais, que fazem parte da sociedade de risco, apresentam-se em escalas diversas e com alto grau de complexidade exigindo da cincia e dos cientistas novos olhares e perspectivas. Alm da cincia ps-normal, outras perspectivas podem ser aplicadas a cincia. Uma dessas perspectivas compreender que os problemas no so isolados, mas suas causas e efeitos possuem origens variadas, o que exige uma viso mais completa e holstica do mesmo. Para dar conta desse tipo de dificuldade muitas vezes necessrio incorporar elementos pertencentes a outros campos do conhecimento.

 

Uma interao circular vai assim estabelecendo-se entre a cincia e as tcnicas como espao de surgimento de novos conceitos, novos paradigmas, desejos e projetos dos indivduos e das sociedades que dispem de meios sempre mais eficientes para torn-los realidade; e, enfim, as prprias reaes no previstas, inesperadas dos sistemas fsico-maturais modificados, que fazem emergir novas questes, novos desafios, cincia, s tcnicas e s sociedades (PHILIPPI, 2011, p. 72).

 

Uma das formas de lidar com a complexidade dos problemas do mundo atual utilizar a interdisciplinaridade como ferramenta que auxilia a compreender a relao dos problemas e os diversos conhecimentos que o compem. A interdisciplinaridade se prope a:

 

[...] operar nas fronteiras disciplinares e na re-ligao de saberes, tendo como finalidade ltima dar conta dos fenmenos complexos de diferentes naturezas. [...] busca responder a problemas gerados pelo prprio avano da cincia moderna disciplinar (ALVARENGA, 2011, p. 21).

 

A afirmativa de Alvarenga nos permite compreender as dificuldades e os problemas da cincia convencional, no entanto, a interdisciplinaridade no deve se tornar uma nova exigncia para toda e qualquer produo cientfica [...]. So certos objetos e assuntos que necessitam de colaborao entre diferentes disciplinas para serem adequadamente estudados (PHILIPPI, 2011, p. 87).

Algumas problemticas ou objetos de pesquisa exigem a colaborao entre as cincias sociais e naturais para que possam ser compreendidos de forma mais eficaz. A condio bsica do xito da colaborao entre as cincias sociais e as cincias naturais reside no reconhecimento, por cada grupo de disciplinas de pertinncia, at para responder a seu prprio questionamento, do que acontece no domnio da realidade explorado pelo outro grupo (PHILIPPI, 2011, p. 99).

O reconhecimento entre os dois grupos permite o transito e a construo do conhecimento de forma integrada, no entanto deve-se salientar que reconhecer a importncia de outras reas do conhecimento ou trabalhar de forma interdisciplinar no significa de maneira alguma desconsiderar as cincias duras, pelo contrrio, para que novos avanos sejam alcanados ainda h a necessidade das cincias ditas duras, ou mais fechadas.

O que deve ocorrer uma maior integrao entre ambas, evitando rivalidades ou classificaes dos fenmenos e aes humanas, visto que as formas de pensar influenciam as formas de agir e o ambiente que o ser humano constri. Assim sendo, as cincias sociais devem reconhecer a natureza profundamente ambivalente da pessoa humana e das sociedades [...], ao mesmo tempo essencialmente ideacional ou imaterial e profundamente arraigada na matria, [...] a parte no social do social (PHILIPPI, 2011, p. 99). O autor prossegue afirmando que:

 

Por outro lado as cincias fsicas e naturais devem admitir que as produes da mente humana [...] no so meras fantasias que viriam enfeitar ou mascarar uma realidade, mais essencial e mais determinante, que seria a realidade da matria. Devem aceitar que a dimenso social, cultural, faz parte integrante da realidade e desempenha um papel determinante, tanto na histria das sociedades quanto nas dos ecossistemas que estudam (PHILIPPI, 2011, p. 99-100).

 

Em outras palavras as dimenses naturais e sociais esto conectadas, pois ambas so influenciadas pelas aes e formas de pensar que causam interferncias no mundo natural, material e intelectual. Transitar entre as diversas reas do conhecimento, em casos especficos, uma boa forma de compreender de forma ampliada a rede de conexes das problemticas que envolvem o ambiente.

Uma problemtica que demanda maior interao entre as cincias sociais e naturais refere-se aos impactos da indstria da confeco, visto que muitas vezes as questes ambientais no so exploradas ou contempladas nas decises empresariais. Para compreenso dessa temtica, mais do que compreender os impactos e as causas, necessrio observar como as decises so tomadas e como o empresrio e os colaboradores vem esse novo cenrio.

Em se tratando de um projeto que busca compreender os efeitos da indstria da confeco a interdisciplinaridade mostra-se como um facilitador, visto que necessrio uma viso mais ampla e o conhecimento de diferentes reas, como por exemplo, administrao, engenharia de produo, gesto ambiental, gesto de resduos, moda e legislao, o que permite uma viso mais completa da problemtica estudada.

No entanto cabe salientar que estes conhecimentos devem voltar-se para a compreenso de como o processo produtivo e os resduos da confeco afetam o meio ambiente, conseqentemente, uso tais conhecimentos como base para compreender e estabelecer conexes com a questo ambiental, olhando-os de uma perspectiva da cincia ambiental e no de forma isolada. Observa-se, nesse caso, uma problemtica que envolve diversos atores socais com interesses distintos.

 

 

5. Consideraes Finais

Com o objetivo de discutir a forma como a cincia ps-normal e a interdisciplinaridade podem indicar caminhos para a reflexo cientifica acerca dos danos causados pela indstria de confeces de Maring, a qual servir de base para propor caminhos que possam diminuir esses danos observa-se que a problemtica dos resduos slidos da indstria da confeco na cidade de Maring, PR mostra-se complexa, pois envolve diversos atores socais com interesses distintos.

Os resduos slidos da indstria da confeco precisam ser observados sob diversos pontos de vista, considerando o meio ambiente por meio da sustentabilidade, as normativas legais por meio do governo e o ponto de vista do empresrio. No basta apenas a atuao do governo, mas uma participao mais ampla por parte dos empresrios e mesmo da comunidade envolvida com essa problemtica.

Cabe ressaltar que esta problemtica faz parte de um problema gerado pelo desenvolvimento e ampliao da industrializao e da tecnologia, o que no envolve apenas questes de gesto de cho de fbrica, mas a viso dos empresrios e mesmo atitudes de governana ambiental. Esse problema vincula-se a sociedade de risco e mesmo a cincia ps-normal ao exigir uma interao em maior grau entre a cincia e poltica, No entanto, a interdisciplinaridade mostra-se como ferramenta fundamental para a compreenso da extenso do problema ao passo que possibilita a vinculao entre diferentes reas do conhecimento como: moda, gesto da produo, administrao, legislao e cincia ambiental, que possibilitam uma viso mais completa e integrada das variveis que envolvem essa questo.

A abordagem interdisciplinar no s contribui, mas fundamental para o desenvolvimento da pesquisa, j que so necessrias diferentes reas do conhecimento para a realizao e concluso da pesquisa, o que permite ao pesquisador uma abrangncia temtica do conhecimento, mais aberta e capaz de levar a uma reflexo mais profunda das diversas questes que afetam o meio ambiente, visto que no caso especfico dessa problemtica, h uma srie de processos, fatores culturais e sociais que afetam a dinmica da confeco e seus impactos.

 

 

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[1] PNS- Post-normal Science.



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