Agronegócio globalizado e uso do território no contexto de financeirização: o Grupo Cosan e o setor sucroenergético brasileiro
DOI:
https://doi.org/10.5902/2236499492767Palavras-chave:
Financeirização, Setor sucroenergético, Uso do território, Fundos públicosResumo
A financeirização permitiu a inserção de novos agentes no agronegócio globalizado brasileiro, especialmente fundos de investimentos, investidores privados e indivíduos de alta renda, que se somaram à tradicionais agentes na orientação das dinâmicas produtivas em território nacional, sobretudo a partir de 2000. Observando um exemplo empírico, muito expressivo dessa dinâmica - a saber o Grupo Cosan - a pesquisa procurou compreender como os usos do território efetivados pelo referido agente se relacionaram com o processo de financeirização. A análise indicou que, após abertura de capital em bolsa de valores, o Grupo Cosan empreendeu estratégias de expansão de suas atividades produtivas em território brasileiro com objetivo de crescimento econômico e valorização financeira, processo que também se conformou a partir da sustentação de ações estatais de disponibilização de fundos públicos. Tal processo se inseriu em um contexto de implicações socioespaciais diversas, analisadas na pesquisa a partir da superexploração do trabalho e da natureza e do processo de homogeneização da paisagem e do território. Concluiu-se que as estratégias de uso do território efetivadas pelo Grupo Cosan, no atual contexto de financeirização, foram pautadas principalmente pela necessidade de valorização financeira, o que ocorreu por meio da expansão territorial das atividades produtivas, com consequências socioespaciais para os lugares acionados.
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