Universidade Federal de Santa Maria

Ci. e Nat., Santa Maria v.42, e83, 2020

DOI:10.5902/2179460X40357

ISSN 2179-460X

Received: 03/10/2019 Accepted: 11/05/2020 Published: 12/12/2020

Geociências

Determinação de equações de chuvas intensas para a encosta superior do nordeste do Rio Grande do Sul

Determination of intensive rainfall equations for the top of the northeast of Rio Grande do Sul

Taison Anderson BortolinI

Clauber CorsoII

Ludmilson Abritta MendesIII

Alan de Gois BarbosaIV

Vania Elisabete SchneiderV

Universidade de Caxias do Sul, Caxias do Sul, RS, Brasil - tabortol@ucs.br

II Universidade de Caxias do Sul, Caxias do Sul, RS, Brasil - clauber_corso@hotmail.com

IIIUniversidade Federal de Sergipe, Aracaju SE, Brasil - ludmilsonmendes@gmail.com

ivUniversidade Federal de Sergipe, Aracaju SE, Brasil - alan.1995.barbosa@gmail.com

v Universidade de Caxias do Sul, Caxias do Sul, RS, Brasil - veschnei@ucs.br

Resumo

A relação intensidade, duração e frequência é muito importante para o desenvolvimento de projetos de obras hidráulicas principalmente em regiões onde não há dados atualizados desse tipo de estudo. O objetivo deste trabalho foi determinar as curvas intensidade-duração-frequência para a Encosta Superior do Nordeste do Rio Grande do Sul, a fim de proporcionar ferramentas para dimensionamento de estruturas hidráulicas e estudos hidrológicos na região. Foi utilizada a distribuição estatística de Gumbel e log-normal para a determinação das precipitações para os períodos de retorno de 2, 5, 10, 20, 25, 50 e 100 anos, utilizando o Método das Relações de Durações de chuva para 20 postos pluviométricos. Para a verificação da aderência dos dados observados na distribuição de Gumbel, foram realizados os testes de aderência de Kolmogorov-Smirnov e Qui-Quadrado, ao nível de significância de 5%. Os coeficientes a, b, c e d da equação geral IDF foram obtidos através de regressão não linear e a qualidade do ajuste medida pelo coeficiente de determinação e erro padrão da estimativa. Com a metodologia aplicada foram obtidas diferentes curvas de chuvas intensas para a região, as quais apresentam um bom ajuste dos parâmetros, gerando uma importante e ágil ferramenta de estimativa de precipitações extremas.

Palavras-chave: Chuvas intensas; Equações IDF; Método das relações.

Abstract

The relationship intensity, duration and frequency is very important for the hydraulic project’s development, mainly in regions where there is no study updated data. This paper objective was to determine the intensity-duration-frequency curves at Rio Grande do Sul hillside, in order to provide tools for hydraulic structures design and hydrological studies in the region. For the return periods 2, 5, 10, 20, 25, 50 and 100 - year precipitation determination was used Gumbel’s and log-normal statistical distributions, using the Rain Relationship Duration Method for 20 rainfall stations. For Gumbel’s distribution data adherence verification, was used the Kolmogorov-Smirnov adhesion tests and Chi-Square adhesion, with, 5% significance level. The general IDF equation coefficients a, b, c and d were obtained through non-linear regression and the adjustment quality was measured by both determination coefficient and standard error. Different intense rainfall curves were obtained with the methodology applied, for the region, each one shows a good parameters adjustment, important tool for extreme precipitations estimating.

Keywords: Intense rainfall, IDF equations, relationship method.

1     Introdução

O projeto de diversas obras de engenharia como barragens, captações em mananciais e sistemas de drenagem urbana está relacionado com a previsibilidade de fenômenos da natureza, principalmente de vazão. De acordo com Damé et al. (2010), a aplicação adequada de modelos para previsão de máximos relaciona-se diretamente com a segurança do empreendimento além da boa utilização dos recursos públicos. Entretanto, devido à dificuldade na obtenção de registros suficientemente longos a respeito das vazões de determinado trecho, opta-se por determinar tais valores de maneira indireta, destacando-se o uso de modelos chuva-vazão (DAMÉ et al., 2010; RIBEIRO NETO et al., 2016; FAN et al., 2017).

A precipitação pluvial tem como uma de suas características principais a variabilidade tempo-espacial, e além disso, a variação de sua intensidade ao longo dos anos, que pode decorrer de diversos fatores climáticos naturais e ainda ser afetada pela ação antrópica no meio ambiente. Como essa variação exerce influência na vida útil dos sistemas hidráulicos, necessita-se da determinação e atualização periódica de ferramentas hidrológicas.

Segundo Bertoni e Tucci (2007), a avaliação da precipitação pluvial máxima é uma das maneiras para se obter a vazão de enchente de uma bacia hidrográfica, já que as séries de dados fluviométricos são mais escassas. Ainda segundo o autor, o valor máximo pontual pode ser obtido de duas maneiras: pelas curvas intensidade-duração-frequência (IDF) e pela precipitação máxima provável (PMP). As curvas IDF compreendem umas das relações mais importantes e mais utilizadas pela hidrologia: intensidade, duração e frequência, pois a partir delas pode-se estimar precipitações máximas, vazões de projeto para pequenas bacias hidrográficas, erosão do solo, dentre outras, evitando perdas econômicas e problemas de saúde pública.

Porém, a adequada elaboração das curvas IDF está intimamente relacionada às séries históricas de precipitações longas e representativas, obtidas através de pluviógrafos, permitindo assim a conformação dessas equações por métodos tradicionais de determinação (SAMPAIO, 2011). Entretanto, devido a elevada extensão territorial brasileira, torna-se excessivamente dispendioso implantar e manter uma densa rede de monitoramento hidrológico. A ausência de dados é ainda maior em pequenas bacias hidrográficas, cuja maior dificuldade na determinação da vazão máxima está na ausência de postos de observação. A falta de informações oriundas de postos pluviográficos tem conduzido ao uso de equações desenvolvidas para localidades vizinhas e estas nem sempre possuem similaridades climáticas, o que pode acarretar em erros de projeto (FECHINE SOBRINHO et al., 2014).

A região da Encosta Superior do Nordeste gaúcho não possui equações de chuvas intensas atualizadas para utilização em estudos hidrológicos de vazões máximas. Para tanto, o dimensionamento de estruturas de micro e macrodrenagem na região ainda é realizado a partir dos dados obtidos por Pfafstetter (1982). Para Sampaio (2011), a região do Sul do país já possui estudos relacionados à análise de chuvas intensas como os de Pfafstetter (1982) e, mais recente, de Beltrame, Lanna e Louzada (1991).

Porém os estudos disponíveis podem ser considerados antigos, reforçando a necessidade de informações atualizadas sobre precipitações intensas, como afirma Simonovic et al. (2016). Neste sentido, esse trabalho vem preencher a lacuna ainda existente sobre as relações intensidade-duração-frequência das precipitações pluviais na ausência de informações sobre curvas IDF na Encosta Superior do Nordeste do Rio Grande do Sul, almejando proporcionar dados e ferramentas atualizadas para futuros estudos hidráulico e hidrológicos.

2     Região de estudo

Conforme Mandelli (2002), a Encosta Superior do Nordeste do Rio Grande do Sul está localizada entre as latitudes 28º15’S e 29º25’S e longitudes de 50º35’W e 52º30’W, a qual engloba 34 municípios. O clima é temperado e, conforme classificação climática de Köppen, do tipo Cfb (ALVARES et al. 2013; BECK et al., 2018). Toda a região está inserida nas bacias hidrográficas dos rios Caí e Taquari-Antas, pertencentes à Região Hidrográfica do Atlântico Sul, conforme apresentado na Figura 1.

Figura 1 - Localização da área de estudo

Fonte: Autores (2019)

3     Chuvas intensas

As chuvas intensas podem ser representadas por meio de equações matemáticas que correlacionam as três grandezas fundamentais da precipitação que são a intensidade, a duração e a frequência (ou período de retorno). Segundo Bertoni e Tucci (2007), as equações genéricas que expressam essa correlação são chamadas de equações IDF ou relações IDF e têm a seguinte forma:

(1)

 

em que i é a intensidade da precipitação (mm/h); T é o período de retorno (ano); t é a duração da precipitação (min); a, b, c e d são coeficientes a serem determinados para cada região.

4     Material e Métodos

A Encosta Superior do Nordeste do Rio Grande do Sul possui 41 postos pluviométricos com dados disponibilizados no Sistema de Informações Hidrológicas HidroWeb, da Agência Nacional de Águas (ANA, 2019). Para esse estudo, foram selecionados os postos que apresentassem no mínimo 15 anos de acompanhamento das precipitações diárias e com dados consistentes, seguindo o critério sugerido por Sampaio (2011), Caldeira et al. (2015) e Silva e Oliveira (2017). Apenas 20 postos pluviométricos atenderam ao critério e, portanto, adotados nesse estudo. Os dados sobre os postos encontram-se na Tabela 1 e sua localização é apresentada na Figura 2. Foi constituída, para cada posto, uma amostra formada pela maior precipitação diária de cada ano, obtendo-se, assim, para cada posto, uma amostra com, pelo menos, 15 elementos.

Tabela 1 – Postos pluviométricos utilizados

Município

Código

Nome do posto

Latitude

Longitude

Período

Antônio Prado

2851003

Antônio Prado

-28:51:12

-51:17:40

1943 - 2006

2851015

Linha Gomercindo

-28:50:00

-51:21:00

1952 - 1967

Bento Gonçalves

2951003

Bento Gonçalves

-29:9:00

-54:31:00

1935 - 1998

Casca

2851005

Casca I

-28:34:19

-51:58:23

1944 - 2012

2851022

Passo Migliavaca

-28:37:10

-51:52:00

1957 - 2006

Caxias do Sul

2950033

Seca

-29:4:19

-50:58:26

1944 - 2017

2951008

Caxias do Sul

-29:11:47

-51:11:11

1912 - 1998

2951022

Nova Palmira

-29:20:60

-51:11:25

1943 - 2006

Cotiporã

2951037

Cotiporã

-28:59:59

-51:42:00

1951 - 1978

Flores da Cunha

2951015

Flores da Cunha

-29:1:00

-51:10:00

1952 - 1978

Guaporé

2851011

Guaporé

-28:55:00

-51:54:00

1912 - 1980

2851044

Guaporé 2

-28:50:40

-51:52:45

1985 - 2006

Marau

2852005

PCH Capigui Barramento

-28:21:40

-52:12:53

1956 - 1982

2852016

Marau

-28:27:11

-52:11:51

1944 - 2012

2852028

PCH Capigui Jusante

-28:22:57

-52:15:30

1942 - 1982

2852031

Vila Três Passos

-28:28:00

-52:22:00

1959 - 2017

Nova Prata

2851024

Prata

-28:45:22

-51:37:42

1948 - 1996

Nova Roma do Sul

2851018

Nova Roma

-28:59:00

-51:24:00

1952 - 1978

Veranópolis

2851031

Veranópolis

-28:56:00

-51:33:00

1951 - 1978

Vila Flores

2851021

Passo do Prata

-28:52:39

-51:26:54

1957 - 2006

Fonte: Autores (2019)

Figura 2 - Localização dos postos pluviométricos utilizados

Fonte: Autores (2019)

Para a determinação das precipitações com períodos de retorno de 2, 5, 10, 20, 25, 50 e 100 anos com duração de um dia, as amostras foram ajustadas à distribuição de probabilidade de Fisher-Tippett de grau I, também conhecida como Gumbel. Estudos como os de Silva e Clarke (2004), Oliveira et al. (2005), Araújo et al. (2008), Santos et al. (2009), Sampaio (2011), Back e Bonetti (2014), Caldeira et al. (2015) e Silva e Oliveira (2017) comprovam a eficiência e o bom ajustamento da distribuição de Gumbel às precipitações brasileiras. Os parâmetros da distribuição de Gumbel foram ajustados pelo Método dos Momentos.

Para avaliar a qualidade do ajuste das amostras à distribuição de Gumbel, foram aplicados os testes não paramétricos de aderência do Qui-Quadrado e de Kolmogorov-Smirnov, sugeridos por Naghettini e Pinto (2007), considerando um nível de significância de 5%, conforme utilizado em estudos como os de Garcia et al. (2011), Alves et al. (2013), Aragão et al. (2013) e Back et al. (2016). Também, foi utilizada a distribuição empírica de Cunnane, apresentada na Equação 2, que tem bom desempenho para distribuições como a de Gumbel e a Log-Normal II Parâmetros.

 

(2)

 

em que T é o período de retorno, n é o tamanho da amostra e m é o número de ordem dos dados amostrais arranjados em ordem crescente.

Para os postos em que os testes não indicaram boa aderência da amostra à distribuição de Gumbel, foi utilizada a distribuição Log-Normal II Parâmetros, a qual, conforme Naghettini e Pinto (2007) e os estudos de Back (2001) e Back e Bonetti (2014), também apresenta bom ajuste a séries de extremos. A partir das precipitações máximas diárias para cada período de retorno, os valores encontrados foram submetidos à aplicação do Método das Relações das Durações (DAEE; CETESB, 1979). Por esse método, a duração diária foi desagregada em durações de 5, 10, 15, 20, 25, 30, 60, 360, 480, 600, 720 e 1440 minutos por meio de coeficientes, apresentados na Tabela 2, aplicados diretamente em cada elemento da amostra de precipitação máxima diária.

Tabela 2 – Relação entre chuvas de diferentes durações

Relação entre durações

Relação entre alturas pluviométricas

 

Relação entre durações

Relação entre alturas pluviométricas

5 min/30 min

0,34

 

1 h/24 h

0,42

10 min/30 min

0,54

 

6 h/24 h

0,72

15 min/30 min

0,70

 

8 h/24 h

0,78

20 min/30 min

0,81

 

10 h/24 h

0,82

25 min/30 min

0,91

 

12 h/24 h

0,85

30 min/1 h

0,74

 

24 h/1 dia

1,14

Fonte: Back (2013)

Os dados de intensidade para determinado período de retorno e determinada duração foram inseridos no software SPSS® para que, por regressão não linear, fossem determinados os coeficientes a, b, c e d da Equação 1. O erro padrão de estimativa (EPE), dado pela Equação 3, foi utilizado como indicador de qualidade para comparar as intensidades obtidas na série histórica com as obtidas pelas equações IDF determinadas pela regressão não linear. Quanto menor a diferença entre as intensidades comparadas, mais próximo de zero é o valor de EPE.

 

(3)

 

em que  é a intensidade desagregada,  é a intensidade obtida pela equação IDF e n é o número de durações utilizadas.

Para a construção das isolinhas, foi utilizado o software QGis® com o emprego de um algoritmo interpolador do inverso da potência da distância (IDP). Assim, o dado é ponderado de forma que a influência de um ponto – neste caso, o posto pluviométrico – decresce com a distância, conforme comentam Silva, Quintas e Centeno (2007).

5     Resultados e Discussões

O teste de aderência de Kolmogorov-Smirnov mostrou que a distribuição de Gumbel ajustou-se bem a todos os postos, exceto ao posto 02851003, para o qual foi aplicada a distribuição Log-Normal II com bom ajuste por Kolmogorov-Smirnov. Em todos os postos foi obtido um valor-p menor que o nível de significância α = 0,05 adotado. O teste do Qui-Quadrado, por ser mais rígido que o de Kolmogorov-Smirnov (BLAIN; BRUNINI, 2007), rejeitou três postos. Os resultados obtidos seguem os encontrados por Silva e Clarke (2004), Oliveira et al. (2005), Araújo et al. (2008), Santos et al. (2009), Sampaio (2011), Back e Bonetti (2014), Caldeira et al. (2015) e Silva e Oliveira quanto ao bom ajustamento à distribuição de Gumbel. Já os trabalhos de Back (2001) e de Back e Bonetti (2014) relatam os resultados quanto ao ajuste à distribuição Log-Normal II. Os resultados do valor-p para os testes de Kolmogorov-Smirnov e Qui-Quadrado para todos os postos podem ser observados na Tabela 3.

Tabela 3 – Resultados dos testes estatísticos aplicados para os postos pluviométricos

Município

Posto

p-valor (α = 0,05)

Kolmogorov-Smirnov

Qui-Quadrado

Antônio Prado

02851003*

0,1533

0,0002

02851015

1,0000

0,7532

Bento Gonçalves

02951003

0,9890

0,7108

Casca

02851022

0,6521

0,0356

02851005

0,8445

0,1754

Caxias do Sul

02851022

0,9990

0,6685

02950033

0,9475

0,0942

02951008

0,9675

0,2086

Cotiporã

02951037

0,9936

0,1993

Flores da Cunha

02951015

0,9999

0,1605

Guaporé

02851044

1,0000

0,6816

02851011

0,9991

0,2300

Marau

02852016

0,9442

0,0646

02852031

0,9646

0,0000

02852005

0,9919

0,4973

02852028

0,7237

0,2666

Nova Prata

02851024

0,7558

0,0924

Nova Roma

02851018

0,9919

0,0758

Veranópolis

02851033

0,9053

0,0710

Vila Flores

02851021

0,9999

0,3902

*Ajuste pela distribuição Log-Normal II

Fonte: Autores (2019)

Os coeficientes das equações IDF para cada posto, obtidos por regressão não linear, são apresentados na Tabela 4. Os altos valores do coeficiente de determinação R² obtidos em todos os postos, sempre acima de 0,997, são comparáveis aos valores acima de 0,947 obtidos por Oliveira et al. (2005), e acima de 0,99 obtidos por Santos et al. (2009), Garcia et al. (2011), Aragão et al. (2013) e Silva e Oliveira (2017). Aragão et al. (2013) observam que os altos valores de R² sinalizam que este pode ser um indicador tendencioso para avaliar o ajuste da equação (1) aos dados amostrais.

Tabela 4 – Coeficientes das equações IDF

Município

Posto

 

Coeficientes

 

a

b

c

d

Antônio Prado

02851003

 

879,044

0,173

9,791

0,724

 

0,997

02851015

 

766,729

0,179

9,791

0,724

 

0,997

Bento Gonçalves

02951003

 

743,903

0,158

9,791

0,724

 

0,998

Casca

02851022

 

832,224

0,148

9,791

0,724

 

0,998

02851005

 

893,400

0,150

9,791

0,724

 

0,998

Caxias do Sul

02851022

 

803,109

0,159

9,791

0,724

 

0,998

02950033

 

783,214

0,165

9,791

0,724

 

0,998

02951008

 

745,711

0,150

9,791

0,724

 

0,998

Cotiporã

02951037

 

749,987

0,163

9,791

0,724

 

0,998

Flores da Cunha

02951015

 

786,483

0,147

9,791

0,724

 

0,998

Guaporé

02851044

 

901,203

0,172

9,791

0,724

 

0,998

02851011

 

829,151

0,151

9,791

0,724

 

0,998

Marau

02852016

 

873,356

0,160

9,791

0,724

 

0,998

02852031

 

880,678

0,138

9,791

0,724

 

0,999

02852005

 

839,957

0,149

9,791

0,724

 

0,998

02852028

 

772,144

0,157

9,791

0,724

 

0,998

Nova Prata

02851024

 

829,082

0,187

9,791

0,724

 

0,997

Nova Roma

02851018

 

677,977

0,137

9,791

0,724

 

0,999

Veranópolis

02851033

 

747,369

0,176

9,791

0,724

 

0,997

Vila Flores

02851021

 

756,820

0,154

9,791

0,724

 

0,998

Fonte: Autores (2019)

O coeficiente a, que variou de 677,977 a 901,203, apresentou um baixo coeficiente de variação (7,62%), decorrente da relativa similaridade do regime de chuvas dos postos da Encosta Superior do Nordeste. A variação encontrada nesse estudo foi menor do que a obtida por Aragão et al. (2013), que analisaram postos situados em regiões climatológicas com marcadas diferenças entre si, como o litoral úmido e no sertão semiárido de Sergipe. Conforme a Figura 3, os postos com valores mais altos do coeficiente a situam-se na região noroeste da área de estudo (postos 02851044-Guaporé e 02851003-Antônio Prado), enquanto que para o restante da região foram observados valores menores.

O coeficiente b variou de 0,137 a 0,187, apresentando também pequeno coeficiente de variação (8,47%). A distribuição espacial do coeficiente b, apresentada na Figura 4, não demonstrou guardar relação com a variação do coeficiente a e da intensidade, resultado distinto do obtido no estudo de Campos et al. (2014), em que os postos com coeficiente b menor e coeficiente a maior obtiveram as intensidades mais altas.

Analogamente aos estudos de Oliveira et al. (2005), Santos et al. (2009) e Aragão et al. (2013), foram obtidos, para todos os postos, valores constantes para os coeficientes c e d (neste estudo, 9,971 e 0,724 respectivamente). Aragão et al. (2013) atribuem esta ocorrência à desagregação de chuvas diárias pelo Método das Relações, uma vez que tal tendência não é relatada em estudos que utilizam dados de pluviógrafos.

Figura 3 - Variação espacial do coeficiente a

Fonte: Autores (2019)

Figura 4 - Variação espacial do coeficiente b

Fonte: Autores (2019)

Os valores de EPE obtidos entre a comparação da intensidade desagregada pelo Método das Relações e a intensidade obtida pelas equações IDF para cada tempo de retorno são apresentados na Tabela 5. Observa-se um padrão comportamental para todos os postos, com valores mais altos para períodos de retorno de 2 e de 100 anos e valores mais baixos para períodos de retorno intermediários.

O maior valor obtido para o EPE foi 0,122 para o tempo de retorno de 2 anos no posto Nova Prata, este valor é menor que os valores encontrados por Aragão et al. (2013), que obtiveram valores de EPE entre 1,184 e 3,014. Dada a pequena variação do erro entre as intensidades estimadas e as intensidades desagregadas, nota-se a boa qualidade dos ajustes dos parâmetros das equações com os dados da série histórica.

Tabela 5 – Erro Padrão da Estimativa (EPE) para diferentes períodos de retorno

Município

Posto

 

T (anos)

 

2

5

10

20

25

50

100

Antônio Prado

02851003

 

0,116

0,031

0,034

0,032

0,031

0,034

0,055

02851015

 

0,112

0,031

0,033

0,032

0,031

0,033

0,054

Bento Gonçalves

02951003

 

0,091

0,031

0,031

0,031

0,030

0,034

0,051

Casca

02851022

 

0,083

0,031

0,031

0,030

0,030

0,033

0,048

02851005

 

0,084

0,032

0,031

0,030

0,030

0,034

0,050

Caxias do Sul

02851022

 

0,092

0,031

0,031

0,031

0,030

0,034

0,051

02950033

 

0,098

0,031

0,032

0,031

0,031

0,033

0,050

02951008

 

0,084

0,032

0,031

0,030

0,030

0,034

0,050

Cotiporã

02951037

 

0,096

0,032

0,031

0,031

0,030

0,035

0,053

Flores da Cunha

02951015

 

0,082

0,031

0,031

0,030

0,030

0,034

0,048

Guaporé

02851044

 

0,105

0,031

0,032

0,032

0,031

0,033

0,052

02851011

 

0,085

0,031

0,031

0,031

0,030

0,034

0,049

Marau

02852016

 

0,093

0,032

0,031

0,031

0,030

0,034

0,052

02852031

 

0,075

0,031

0,030

0,030

0,030

0,034

0,046

02852005

 

0,084

0,031

0,031

0,030

0,030

0,034

0,048

02852028

 

0,090

0,032

0,031

0,031

0,030

0,034

0,051

Nova Prata

02851024

 

0,122

0,031

0,034

0,033

0,031

0,033

0,055

Nova Roma

02851018

 

0,074

0,032

0,030

0,030

0,030

0,035

0,049

Veranópolis

02851031

 

0,109

0,031

0,033

0,032

0,031

0,033

0,052

Vila Flores

02851021

 

0,088

0,031

0,031

0,031

0,030

0,034

0,049

Fonte: Autores (2019)

6     CONCLUSÃO

O estudo foi realizado através da obtenção das séries históricas com ao menos 15 anos de monitoramento obtidas por postos pluviométricos contidos na Encosta Superior do Nordeste do Rio Grande do Sul. Para a grande maioria dos postos estudados foi utilizado a distribuição de probabilidade de Gumbel com parâmetros ajustados pelo método dos momentos. Para o posto o qual a distribuição de Gumbel não obteve aderência foi utilizado a distribuição Log-Normal de dois parâmetros, e dessa forma, foi aceito pelo teste Kolmogorov-Smirnov.

A partir dos testes de aderência de Kolmogorov-Smirnov e Qui-quadrado aplicados percebeu-se um bom ajuste aos dados calculados aos dados obtidos. O ajuste dos parâmetros da equação foi determinado pelo coeficiente de determinação (R²), onde foram obtidos ótimos resultados, comprovando a qualidade das equações apresentadas.

Foi gerada a relação espacial para os parâmetros “a” e “b” das equações IDF, sendo possível formular equações para outros postos da área de estudo que não foram contemplados. Assim, foram elaborados mapas de isolinhas para os parâmetros “a” e “b”, isoietas de precipitação máxima com duração de 24h e isoietas de intensidades máximas de duração de 5 min aos tempos de retorno de 5, 10, 50 e 100 anos para a área de estudo, gerando uma importante e ágil ferramenta de estimativa de precipitações extremas.

Considerando os objetivos desejados, a metodologia proposta, a análise dos resultados e sua discussão, pode-se concluir que a proposta se mostrou factível e obteve resultados satisfatórios. Dessa maneira, o desenvolvimento desse trabalho abre diversas possibilidades para estudos posteriores como: comparação entre curvas IDF de diferentes distribuições de probabilidades, comparação entre curvas IDF por diferentes métodos de desagregação de chuvas, análise comparativa dos parâmetros das equações IDF determinados por regressão linear e regressão não linear e identificação dos principais fatores que influenciam na formação de precipitações na região.

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