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Publicação: 31/08/2019

 

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Apresentação

 

Dossiê “Sabedoria Oriental”

 

Diana Chao Decock

Doutoranda em Filosofia pela Universidade de São Paulo.

Professora da Pontifícia Universidade Católica do Paraná.

decock.diana@gmail.com

 

É com imensa alegria que celebramos a 20ª edição da Revista Voluntas com um Dossiê dedicado à “Sabedoria Oriental”. Este Dossiê contempla uma série de artigos inéditos sobre diferentes temáticas à luz de saberes para além daqueles que pertencem ao que conhecemos como filosofia ocidental. Longe de evidenciar apenas contraposições ou comparações epistemológicas e ontológicas entre Ocidente e Oriente, promovendo uma caricatura leviana entre esses dois campos, matrizes ou esferas, nosso objetivo é enaltecer temáticas que às vezes passam despercebidas a pesquisas já consolidadas no âmbito filosófico. O Dossiê é um convite para se conhecer temáticas e pesquisas cuja fonte é o solo asiático, este que fez brotar as mais variadas tradições filosóficas.

O primeiro artigo deste Dossiê se intitula Sufismo e taoísmo: do xamanismo à formulação filosófica. Neste, Cecilia Cintra Cavaleiro de Macedo demonstra como dois movimentos sapienciais de origem xamânica, o sufismo e o taoísmo, originaram diferentes filosofias. Ao fazer uso do estudo comparativo de Toshihiko Izutsu, a pesquisadora apresenta reflexões fundamentais que acabam por evidenciar um olhar sobre a religião e a filosofia pelas lentes da mística.

Outra reflexão inédita sobre filosofia e religião é apresentada por Dilip Loundo em Individuação como filosofia prática: a clínica da “meia-idade” de C. G. Jung e a doutrina indiana dos Puruṣārthas. O autor reflete sobre as motivações e objetivos do projeto terapêutico e do sistema conceitual de Jung e recorre à doutrina pan-indiana dos puruṣārthas como suporte epistemológico. Além de apresentar aspectos centrais desta doutrina, o pesquisador demonstra o anseio de Jung por reativar a função religiosa e revitalizar uma filosofia soteriológica.

O terceiro artigo, Māyā: apropriação e influência, traz uma exímia pesquisa sobre a influência do pensamento indiano na filosofia de Schopenhauer. O estudo histórico-filosófico de Fábio Mesquita revela os diferentes usos do conceito Māyā na fase inicial da filosofia schopenhaueriana até a consolidação da sua teoria da representação, destacando a influência do conceito para a ideia de ilusão, própria do mundo como representação.

Eder Soares Santos e Symon Pereira de Moraes nos prestigiam com o artigo Pressupostos para o não-saber: do niilismo ao desfazimento do eu e a vacuidade em Nishitani. Os autores apresentam uma nova perspectiva, sob a ótica de Nishitani, sobre o niilismo e a possibilidade do desvelamento do próprio ser pelo encontro com o nada.

Por fim, finalizamos o Dossiê com o artigo Sobre a religião universal em Vivekananda. Neste, tenho o prazer de apresentar algumas ponderações sobre a proposta do pensador indiano de uma religião universal, procurando apresentar uma abordagem teórica cuja origem remete-se à filosofia Vedānta.

Agradeço enormemente as contribuições de cada pesquisadora e pesquisador, sem as quais não teríamos um Dossiê tão instigante. Aos pareceristas e à equipe do Portal de Periódicos da UFSM, meu muito obrigada. O trabalho de vocês é fundamental para a busca de qualidade contínua da Revista. E, é claro, toda minha gratidão ao Vilmar Debona por cuidar continuamente da Voluntas e fazer dela um dos principais meios de divulgação da pesquisa filosófica no Brasil. Obrigada, Vilmar, por idealizar este Dossiê, reconhecer e valorizar diferentes matrizes filosóficas, permitindo assim ao leitor e à leitora o contato com a “Sabedoria Oriental”.

 

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