Jaider, um encantado
Jaider, an Enchanted Being
Ronald Duarte[1]
Universidade Federal do Rio de Janeiro
Resumo
O texto aborda a trajetória e a produção de Jaider Esbell a partir da perspectiva do artista autor, destacando sua atuação na arte indígena contemporânea (AIC) como uma forma de atravessar o sistema da arte. A AIC é desenvolvida como um movimento coletivo e prático, que propõe outras formas de ver, produzir e pensar a arte, colocando em questão os parâmetros da história da arte ocidental. A partir de experiências diretas com o artista, o texto enfatiza a importância da cosmovisão de Esbell para compreender sua obra. Também são discutidas as presenças de Kanaimé e Makunaima como parte de um panorama que integra diferentes dimensões da vida.
Palavras-chave: Arte indígena contemporânea; Jaider Esbell; Cosmologia indígena; História da arte; Decolonialidade.
Abstract
The text addresses the trajectory and production of Jaider Esbell from the perspective of the artist-author, highlighting his role in contemporary Indigenous art (AIC) as a way of moving through the art system. AIC is presented as a collective and practical movement that proposes other ways of seeing, producing, and thinking about art, questioning the parameters of Western art history. Based on direct experiences with the artist, the text emphasizes the importance of Esbell’s cosmovision for understanding his work. It also discusses the presences of Kanaimé and Makunaima as part of a broader framework that integrates different dimensions of life.
Keywords: Contemporary Indigenous art; Jaider Esbell; Indigenous cosmology; Art history; Decoloniality.
Pensar em Jaider Esbell é lembrar a existência de um indígena que entrou no sistema, furou a bolha e usou de armadilha, como cunhado por ele, a arte indígena contemporânea (AIC).
Figura 1: Jaider Esbell, Sem título, 2011
Fonte: Ronald Duarte
Jaider foi um relâmpago, cuja existência no mundo atravessou o sistema, deixando a AIC como rastro. A arte é como uma arapuca; uma armadilha para poder entrar na estrutura e tentar uma forma de diálogo com a sociedade branca, disse ele em entrevista à revista Arte & Ensaios. Como, eu acrescento, um modo de, a partir de sua obra e cosmovisão, afirmar a existência da vida dentro da vida.
Dada a rapidez de sua passagem, não sei se ele acabou capturado pela própria armadilha ou se ela produziu o efeito que Jaider esperava. Em meio a isso, parecia também haver a percepção de que esta sociedade – a presente humanidade – não consegue reconhecer a dimensão dos muitos mundos que existem dentro de um mesmo mundo.
A ideia da AIC encontra esse conjunto de realizações e evidências, e se constitui enquanto movimento de resposta prática para as comunidades, porque não é exatamente uma teoria. A AIC não é uma sigla teórica, ela é tentativa de reunir, é o que nós vimos fazendo. Uma das coisas que eu tenho observado é que a AIC, quando tratada como deve ser tratada, nesse caráter coletivo, consegue colocar uma perspectiva bem interessante que é a comunidade se rever, e isso não deixa de passar por esse lugar do conflito. Porque para uma comunidade se rever, melhorar – vou usar essa palavra – ela precisa se movimentar internamente, e isso mexe com questões em que acaba prevalecendo essa natureza do conflito. Então isso pode ser também uma das armadilhas que a arte indígena contemporânea acaba trazendo à tona (Arte&Ensaios, Rio de Janeiro, v. 27, n. 41, p. 40).
Com ele entrei em contato com uma arte que é muito visceral e necessária, mais do que todas essas que são ovacionadas, ensinadas e hipervalorizadas. É a necessidade que ele tinha de a vida ser arte.
A AIC tem a natureza do conflito, é para estar em movimento, ou seja, mexer com tudo que está parado. Mas, ao mesmo tempo, ele cunhou essa expressão por conta da produção atual dessa comunidade. Todo mundo é artista na aldeia – como deveria ser em todos os espaços. Todos os seres têm necessidade de fazer arte como viver, é algo intrínseco ao ser humano.
Nós, artistas que herdamos alguma veia dessa linhagem, percebemos essa inquietação constante, essa necessidade de movimento, de especular, de procurar fazer alguma coisa. E esse fazer é o desenhar, o tecer, o esculpir, o ver, o ouvir, o sentir por outros sentidos além dos cinco da razão. Tentar perceber coisas que a razão não explica.
Figura 2: Jaider Esbell, Sem título, 2011.
Fonte: Ronald Duarte
É abrir os olhos para uma outra lógica, o que orientava antes já não sustenta mais. O olhar é outro, a perspectiva é outra, o colorido é outro. Tudo é outro, e é a partir desse deslocamento que se compreende o movimento que a AIC coloca em jogo.
A AIC deve obrigatoriamente ser tratada num caráter coletivo, ela consegue colocar uma perspectiva interessante na horizontalidade, a comunidade, portanto, consegue se rever, em especial, a ocidental. Quando esse olhar é proposto, ele retira as eleições de captura do poder do capital, isso significa que todo mundo tem lugar ao sol. E como consequência, prevalece a natureza do conflito porque é preciso rever o seu próprio entendimento de história da arte. Talvez o termo não seja “rever”, e, sim, ver.
Conheci em seu ateliê a potência de seu traço, da linha – era uma força intrínseca, independente de qualquer referência acadêmica. E, como também nunca fui completamente formado pela academia, me identifiquei muito mais com o trabalho de Jaider do que com muitos clássicos.
Não estamos preocupados com sombra e luz. Não são esses os parâmetros. É a força e a certeza do traço, quase como uma caligrafia. Não há esboço, não há defeito, não há julgamento de bonito ou feio, certo ou errado. É outra lógica. É esse o encantamento da arte indígena contemporânea – a liberdade de produzir como respirar, sem amarras.
Figura 3: Jaider Esbell, Sem título, 2014.
Fonte: Ronald Duarte
Existe em seus desenhos algo que chama atenção – muitos não têm fundo. São planos, mas ao mesmo tempo constroem vários mundos que se cruzam. Não há frente ou verso, não há composição no sentido clássico. São planos coexistindo, subvertendo a lógica da física; dois corpos não ocupam o mesmo espaço? Ali ocupam. Não só dois, mas vários. Ele quebrou essas leis com poesia.
O destaque está na potência de seu traço, essa força que invade antes mesmo de você racionalizar. É algo que atravessa. E o que resta é afirmar aquilo que você sente.
Quando Jaider fala do conflito que a arte indígena contemporânea traz, é justamente o confronto com a ordem estabelecida, com aquilo que nela não cabe. Vejo que essa arte é uma armadilha pessoal. Cada um tem a sua. Ele tinha a dele, e quem a vê tem também. Essa arte abre espaço para que cada um construa sua própria armadilha, e isso é de muita inteligência.
Figura 3: Jaider Esbell, Sem título, 2011.
Fonte: Ronald Duarte
A obra de Jaider me mostra que a vida existe e “reexiste” no próprio ato de viver. E é o que eu também pensava. Por isso acho que nossa amizade foi tão forte, por conta dessa certeza de que a vida não acaba aqui, que continua e que é cíclica, contínua, circular e eterna. Acho que Jaider veio me dar a esperança de que a vida continua. Ele me trouxe vários mundos e possibilidades – todos ao mesmo tempo, como se apresentam a floresta e seus seres. São diversos encantados que coexistem e que estão em nós mesmos. Somos como a grande árvore, como galho, como terra, como água, como pedra.
A montanha cresce, Jaider me disse certa vez. E é verdade. A montanha cresce, assim como a árvore, os rios e toda a natureza. Nessa ideia, há uma unicidade do ser, e essa totalidade é imortal. Essa natureza não é só a paisagem que vemos; é todo o mistério que existe por trás, que ninguém detecta, ninguém percebe, ninguém dá atenção.
Figura 4: Jaider Esbell, Sem título, 2012.
Fonte: Ronald Duarte
Existe um diálogo constante entre os seres; um espinho que fura o pé e que não vemos – talvez porque, não andando descalços, não nos expomos a essa natureza que possa nos avisar. E Jaider sabia disso. Ele me confidenciou um dia que viver lá – nesse mundo – era mais leve, mais suave. Dizia que lá era possível transitar entre os mundos com mais facilidade, enquanto este mundo em que estamos é mais pesado. Parecia que ele me via. Quer dizer, ele me via no mundo dele.
Então, falar de Jaider é entrar um pouco nesse mundo que ele propunha quando começava a falar. Era uma viagem maravilhosa, muito próxima de seus desenhos – aquela quantidade de informação e de detalhes que te integra.
É notória a unicidade, o coletivo, esse todo que ele era. Jaider não era uma pessoa só, era o coletivo. Ele tinha que voltar para falar com todos os avós dele, com o jabuti, com a serpente, com a grande cobra, com os pássaros – com os pássaros que aparecem em todos os seus desenhos, suas pinturas.
Devo lhe avisar que estas estórias são parte da minha vida e que realmente Makunaima é meu avô; isso é um fato. Makunaima e muitos outros vovôs são daqui do extremo norte da Amazônia. Nós temos uma história e uma geografia. Somos parentes diretos. É uma relação biológica, genética, material e uma parte substancial em espírito, ou energia. Eu, quando assumo e reivindico o meu laço familiar com Makunaima, estou convidando a ir ao além no discutir decolonização ou colonização. Quando tomo isso como um argumento quero dizer que é parte minha querer que em todas as partes estejam algum extrapolar dos discursos (Esbell, Jaider, Makunaima, o meu avô em mim! Iluminuras, Porto Alegre, v. 19, n. 46, jan.-jul., 2018, p. 12).
Figura 5: Jaider Esbell, Sem título, 2012.
Fonte: Ronald Duarte
Conheci Jaider Esbell indo pela Rede Nacional de Artes Visuais da Funarte fazer uma oficina em Roraima, em Boa Vista. Fiquei num hotel, e na porta, no primeiro dia que voltei da reunião, tinha um rapaz com cocar, de braços cruzados. Quando perguntei na recepção quem era aquela pessoa e por que estava ali, disseram que ele estava esperando para falar comigo, que ele queria fazer a minha oficina.
Então fui falar com ele. Apresentou-se e informou que tentou se inscrever, mas não tinha mais vaga – foi o que lhe disseram. Argumentei, afirmando que não tinha havido qualquer seleção, que ele poderia participar, mas que já tinham se passado dois dias. Ele não queria entrar no terceiro dia de oficina e simplesmente perguntou se eu poderia visitar seu ateliê. Respondi que sim; ele me levou para ver sua produção. Isso foi em 2011. Ele começou a pintar em 2010, então pintava e desenhava há apenas um ano, mas já tinha muita produção, muita coisa.
Figura 6: Jaider Esbell, Sem título, 2011.
Fonte: Ronald Duarte
E fui bastante sincero sobre seu traço, a linha, que era muito forte. Seu desenho, seu traço, seu gesto eram muito fortes. Quanto à pintura, achei que ele só coloria. Não havia essa referência ocidental da pintura, e eu via dessa forma – era uma pintura indígena contemporânea.
A pintura de Jaider transpassa as técnicas ocidentais, tem outra lógica e temporalidade que é não linear.
Quando entrei em seu ateliê, porém, o que mais me surpreendeu foi a arquitetura. Era moderna, meio niemeyeriana. Ele morava com seu parceiro, que o acolheu na cidade. Era o segundo andar da casa, o espaço que ele ocupava como ateliê. E estava lotado – a parede inteira tomada por desenhos e pinturas dele. Todos, incluído o próprio Kanaimé, o primeiro que parece pele de onça.
Figura 7: Jaider Esbell, O Ataque do Kanaimé, 2011.
Fonte: Marcelo Camacho
E, ao mesmo tempo, com o advento provocado pela forma de falar nos seres – que são sagrados – vejo que são uma coisa só: Kanaimé e Jaider Esbell. Uma coisa só; Kanaimé e tudo aquilo que ele, como justiceiro, queria mostrar, falar.
Jaider falava com muito respeito, um respeito acentuado, por tudo que estava envolvido na história do Kanaimé – como se fosse um protetor, um guerreiro, um divisor de águas. Se ninguém resolve, ele resolve. Se ninguém toma atitude, ele toma. Ele se faz animal, se faz homem, se faz ser – há vários caminhos espirituais de existência.
Kanaimé é como uma força que escapa a qualquer leitura simplificada. Frequentemente associado a uma dimensão de justiça ou ajuste de desequilíbrios, é um ser que circula entre mundos, entre o humano e o não humano.
Para aqueles que não o conhecem, de acordo com o Carvalho (2016), Kanaimé é, nas cosmologias de povos amazônicos, um ser associado a práticas de feitiçaria, justiça e vingança, capaz de transitar entre formas e de agir sobre os corpos e seus destinos.
Não se trata de uma figura simbólica no sentido ocidental, mas de uma presença operante, que age e impõe consequências. Ele surge como aquele que intervém quando algo se rompe, é um agente que pune, mas que também transforma a ordem.
E a figura de Makunaima é central nas cosmologias de diferentes povos do norte, como em Roraima. Makunaima é compreendido como um criador, transformador e organizador do mundo. Uma criação instantânea, como pisar no abismo e o chão se cria por necessidade. Ele se apresenta como um ser de múltiplas formas, e assumindo diferentes existências entre o humano, o animal e o espiritual – assim como Kanaimé. Tudo que afirmo é aquilo que aprendi com nossas conversas.
Quando Jaider afirma Makunaima como seu avô, ele inscreve essa figura no campo do parentesco, da intimidade, da experiência e do afeto. Makunaima perfura os tempos, habita e orienta os modos de viver e de ver, sustentando que tudo está interligado e a vida se expande para além dos limites do visível.
Tive o privilégio de ter uma imagem que ele fez pensando na amizade, o Kanaimé que ele me deu de presente. Isso mexe muito comigo – esses seres de outro lugar, que não é o do nosso cotidiano, mas um lugar misterioso, que retém uma força, uma sabedoria, uma ancestralidade. Vindas de muito longe.
Figura 8: Jaider Esbell, O Kanaimé, 2018.
Fonte: Ronald Duarte
E isso é mágico, isso é forte, e isso o Jaider carregava nele, numa introspecção contida, quieta, para explodir no traço, no desenho e nas cores. Temos sempre que nos transportar para esses mundos que ele apresentava no cotidiano – sempre vinha aquela sombra de mistério, que era muito interessante.
Então, quando ele encontrava um pedaço de galho que parecia um tamanduá ou uma jaguatirica, que ele pintava bem colorido, era como dar vida àquilo que você pensa que não tem vida, reviver a própria vida no que há, no que tem nas mãos. Acho que Jaider usava tudo o que tinha nas mãos, próximo dele.
Essa proximidade vem da ideia de integridade com a natureza, desse pensamento que Spinoza traz, do conceito de Deus como natureza – a ideia de que estamos dentro dela, de que nossa existência material é pequena, enquanto o espiritual está pulsando. Há algo que não vemos, mas que atravessa, que conecta, que vaza.
Quando Jaider diz que na aldeia todos são artistas, é como se todos também participassem disso. Ele fura a bolha, sim. Mas para que lado ele caiu – se foi absorvido ou se escapou – eu não sei.
Eu o incentivei muito. Perguntou-me se podia ficar no Rio de Janeiro, se eu poderia recebê-lo, e assim ele veio para o meu ateliê.
Várias vezes isso aconteceu, e nos tornamos amigos. Não sei se foram dez ou mais as ocasiões em que o hospedei. Ele trabalhou direto no meu ateliê, produzindo muitos desenhos; e foi emocionante.
Ao mesmo tempo, conseguimos fazer algumas mostras. O auxiliei em sua primeira exposição no Teatro Ziembinski, no saguão de entrada. O convidei para fazer uma exposição no Espaço Tipografia, na Gamboa, do qual eu era curador. E lá ele mostrou os desenhos de jenipapo e também um vídeo.
Hospedado no meu ateliê, ali mesmo no meu jardim, produziu um outro vídeo para o Instituto Moreira Salles. Sempre achei impressionante a forma como ele criava. Quando precisou produzir esse vídeo, por exemplo, havia acabado de adquirir um celular e, na véspera de um encontro, decidiu que faria algo ali mesmo. No meu quintal, entre objetos espalhados pelo meu ateliê, começou a fabular: uma torre, uma floresta, uma lanterna, elementos reorganizados por ele, e os transformava em narrativa.
Assim, construía mundos, sempre atravessados por uma força gráfica muito particular, marcada por precisão e por um traço certeiro. Não havia esboço ou elaboração progressiva, parecia que sua ideia já surgia pronta, e o gesto dele acompanhava essa intensidade, direto e sem hesitação. O vídeo foi editado de modo imediato, quase intuitivo, e finalizado.
Essa capacidade de transformar o que havia em torno em fábula me mostrava um método particular de Jaider, uma relação profunda com um fluxo contínuo de imagens e narrativas que pareciam atravessá-lo. Nos desenhos e nas histórias que contava, dos pássaros que se tornavam cobras, de mundos que se desdobravam e desdobravam, havia sempre essa abertura para um universo vasto, que para mim, é quase inacessível sem sua presença. Ainda hoje, tento reencontrar esses espaços junto às obras que deixou, carregadas de afeto e memória, cada uma acompanhada de uma história. Ter conhecido Jaider foi como testemunhar um relâmpago: uma força intensa, encantada, dessas que atravessam e permanecem.
Figura 9: Jaider Esbell, 2018
Fonte: Ronald Duarte
REFERÊNCIAS
CARVALHO, Agnaldo Teixeira de. Canaimé, a personificação do mal. 2016. Dissertação (Mestrado em Letras) - Universidade Federal de Roraima, Boa Vista, [S. l.], 2016.
ESBELL, Jaider. Makunaima, o meu avô em mim!. Iluminuras, Porto Alegre, v. 19, n. 46, p. 11–39, jan./jul. 2018.
ESBELL, Jaider. Na sociedade indígena, todos são artistas. Arte & Ensaios, Rio de Janeiro, PPGAV-UFRJ, v. 27, n. 41, p. 14-48, jan.-jun. 2021. ISSN-2448-3338. DOI: https://doi.org/10.37235/ae.n41.3. Disponível em: http://revistas.ufrj.br/index.php/aede. Acesso em: 12 mar. 2026.
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[1] Mestre em História da Arte com habilitação em Linguagens Visuais pela Universidade Federal do Rio de Janeiro e servidor técnico-administrativo vinculado ao Programa de Pós Graduação em Artes Visuais também da UFRJ, desenvolve, há mais de 40 anos, uma produção marcada por ações e performances de forte impacto poético e político. Orcid: https://orcid.org/0000-0002-3180-2765. E-mail: ronaldu.art@gmail.com.