Physical Education teaching through Art: pedagogical possibilities based on the artistic works of Fernando Botero
Lucas Vinicius Araujo Lisboa[1]
Universidade Federal de Sergipe, São Cristóvão – SE, Brasil.
Jádisson Gois da Silva[2]
Universidade Federal de Sergipe, São Cristóvão – SE, Brasil.
Cristiano Mezzaroba[3]
Universidade Federal de Sergipe, São Cristóvão – SE, Brasil.
Resumo
O estudo tem como objetivo refletir sobre a integração entre Arte e Educação Física, a partir das obras de Fernando Botero (FB), com alunos do 9º ano do ensino fundamental da rede pública municipal. Para isso, foi realizada uma pesquisa qualitativa, descritiva e exploratória, configurada como um “experimento de ensino”, durante o Estágio Supervisionado em Educação Física (EF) II, do curso de Licenciatura em EF da Universidade Federal de Sergipe, no segundo semestre de 2023. A prática docente ocorreu na Escola Municipal José do Prado Franco, em Nossa Senhora do Socorro/SE, com uma turma de 42 alunos, entre 14 e 17 anos, no turno matutino. Foram ministradas 10 aulas presenciais, distribuídas em dois dias da semana, utilizando recursos pedagógicos como bolas de futsal, bambolês, tatames, imagens artísticas e atividades impressas, contemplando uma ambientação inicial para adaptação dos alunos à nova temática e metodologia. O planejamento pedagógico fundamentou-se em uma revisão teórica sobre corpo, cultura, padrões estéticos e arte, com foco na reflexão sobre a diversidade corporal e suas diferentes significâncias. O estudo evidenciou a importância do diálogo entre Arte e EF para superar padrões corporais historicamente impostos e as limitações direcionadas aos corpos volumosos. A avaliação final indicou que as obras de FB favoreceram a ressignificação do imaginário social acerca desses corpos, promovendo novas perspectivas sobre movimento, interação social e inclusão. A experiência também ressaltou desafios e possibilidades da prática docente nesse contexto, contribuindo para a discussão sobre práticas pedagógicas inclusivas na EF escolar.
Palavras-chave: Educação Física; Arte; Fernando Botero; Cultura; Estética.
Abstract
The present study aimed to reflect on the integration between Art and Physical Education, based on the works of Fernando Botero, with 9th-grade students from the municipal public school system. To this end, a qualitative, descriptive, and exploratory research was conducted, configured as a “teaching experiment” during the Supervised Internship in Physical Education II, part of the Physical Education Degree course at the Federal University of Sergipe, in the second semester of 2023. The teaching practice took place at José do Prado Franco Municipal School in Nossa Senhora do Socorro/SE, with a class of 42 students aged between 14 and 17 years, during the morning shift. Twelve face-to-face lessons were delivered, spread over two days per week, using pedagogical resources such as futsal balls, hula hoops, mats, artistic images, and printed activities, including an initial adaptation phase to familiarize students with the new theme and methodology. The pedagogical planning was based on a theoretical review about the body, culture, aesthetic standards, and art, focusing on reflection about body diversity and its various meanings. The study highlighted the importance of the dialogue between Art and Physical Education to overcome historically imposed body standards and the limitations directed at larger bodies. The final assessment indicated that Fernando Botero’s works contributed to the re-signification of the social imagination regarding these bodies, promoting new perspectives on movement, social interaction, and inclusion. The experience also pointed out challenges and possibilities in teaching practice within this context, contributing to the discussion on inclusive pedagogical practices in school Physical Education.
Keywords: Physical Education; Art; Fernando Botero; Culture; Aesthetics.
Introdução
A Educação Física (EF), enquanto prática pedagógica no ambiente escolar, transcende as ciências físicas e biológicas, incorporando dimensões comunicativas e simbólicas da cultura corporal de movimento (Bracht, 1999; Betti, 2003). No Brasil, suas práticas fundamentam-se nos simbolismos e significados das práticas corporais, buscando a formação integral dos sujeitos em suas dimensões sociais, políticas e culturais (Santos, 2004).
A articulação entre corpo e cultura evidencia que os corpos carregam conhecimentos, códigos linguísticos e corporais, práticas e rituais, muitas vezes naturalizados dentro de uma cultura específica. A crescente circulação global e midiática de imagens ampliou as discussões sobre diversidade corporal, promovendo a visibilidade de corpos historicamente marginalizados.
A Base Nacional Comum Curricular – BNCC (Brasil, 2018) situa a EF na área de Linguagens, ao lado da Arte, Língua Portuguesa e Língua Inglesa, reconhecendo seu papel na tematização das práticas corporais e na construção da linguagem corporal como forma de expressão social. Essa proximidade com a Arte abre possibilidades pedagógicas para ampliar o repertório dos educandos e fomentar debates críticos sobre questões contemporâneas ligadas às diferenças corporais.
Este estudo emergiu da inquietação gerada durante a Iniciação Científica (2019-2020), que analisou as obras do artista plástico Fernando Botero[4], reconhecendo a escola como espaço privilegiado para discutir as formas de exclusão, estigmatização e julgamento social dirigidas aos corpos que fogem dos padrões estéticos hegemônicos. A análise das obras utilizou o conceito de exotopia — “excedente de visão” — de Bakhtin, apropriado metodologicamente por Villarta-Neder (2015), para interpretar criticamente as imagens.
O boterismo, estilo marcante das obras de Botero, caracteriza-se pela estética da deformação, com o uso do arredondamento e a representação de corpos volumosos. Essa figurativização explora o exagero formal para construir discursos sobre realidades diversas, oscilando entre crítica e ludicidade, e expressando concepções variadas sobre saúde e corpo.
Villarta-Neder (2015) explica que a exotopia envolve um deslocamento perceptivo que possibilita ao sujeito ocupar a posição do outro, favorecendo a construção de múltiplos sentidos e ampliando a compreensão da alteridade. Essa abordagem evidencia o potencial da interdisciplinaridade entre EF, Arte, Antropologia e Pedagogia para promover práticas educativas críticas, enfrentando preconceitos e possibilitando ampliar o capital cultural dos educandos.
A BNCC orienta os(as) professores(as) de EF a valorizar a diversidade dos padrões corporais relacionados à saúde, beleza e desempenho, estimulando análises críticas sobre os padrões midiáticos e combatendo preconceitos e posturas consumistas. No âmbito da Arte, a BNCC destaca as dimensões crítica, expressiva e reflexiva, que podem ser integradas à EF para enriquecer o debate sobre o corpo e sua diversidade.
Dessa forma, a incorporação da Arte na EF permite repensar o corpo em suas múltiplas dimensões, superando concepções tradicionais e valorizando diferentes formas de conhecimento. Essa perspectiva interdisciplinar amplia o repertório teórico e prático dos alunos, promovendo uma reflexão crítica sobre padrões estéticos e culturais.
Este estudo objetivou analisar, de forma reflexiva, a prática pedagógica realizada com alunos do Ensino Fundamental II na rede pública municipal de Sergipe, utilizando as obras do artista plástico Fernando Botero para tematizar as diferenças corporais. A proposta interdisciplinar entre EF, Arte e Ciências Humanas visa ampliar a compreensão crítica dos estudantes sobre padrões estéticos e contribuir para o enfrentamento do bullying, promovendo o respeito à diversidade corporal no ambiente escolar.
O texto segue, a partir dessa contextualização introdutória, apresentando os aspectos metodológicos que envolveram a experiência pedagógica e, em seguida, está organizado da seguinte maneira: (a) apresentamos aspectos da característica marcante do artista Fernando Botero, ou seja, a estética dos corpos volumosos; (b) seguimos trazendo uma abordagem envolvendo arte e corpo na escola; (c) apresentamos e refletimos sobre os novos desafios na EF na aproximação com as Artes, e as possibilidades para estudar, conhecer e envolver-se com as Artes; e, após isso, trazemos nossas considerações finais.
Caminhos metodológicos
Esta pesquisa seguiu uma abordagem qualitativa, conforme Minayo (2001), que destaca a importância de compreender a singularidade dos indivíduos e contextualizar historicamente e culturalmente suas vivências. Tal perspectiva possibilita uma investigação aprofundada dos significados construídos pelos alunos ao longo do processo educativo.
Caracteriza-se também como uma pesquisa descritiva e exploratória, conforme Gil (1999), cujo objetivo é desenvolver novas compreensões sobre conceitos e práticas, permitindo reformular problemas e hipóteses para estudos futuros. Essa característica é fundamental para o campo da EF, ao integrar teoria e prática em busca de aprimoramento pedagógico.
O estudo utilizou o “experimento de ensino”, metodologia que combina a adaptação das perguntas ao nível dos alunos, a flexibilização das técnicas pedagógicas pelo(a) professor(a) durante as aulas, e entrevistas com professores, alunos e pesquisadores. Essa abordagem, menos intrusiva, reproduz o ambiente natural da aula e permite ajustar as estratégias conforme as necessidades dos estudantes (Oliveira, Santos e Florêncio, 2019).
A prática pedagógica teve início com uma revisão bibliográfica sobre corpo, cultura, padrões estéticos e arte, visando fundamentar teoricamente o projeto. A partir disso, foi elaborado um planejamento que integrou Arte e EF, com o objetivo de promover reflexão crítica sobre questões corporais e formar alunos autônomos e socialmente conscientes.
A implementação prática consistiu em 10 (dez) aulas presenciais ao longo do segundo semestre de 2023, baseadas no planejamento elaborado, com uma turma do 9º ano do ensino fundamental (matutino) na Escola Municipal José do Prado Franco, localizada em Nossa Senhora do Socorro, região metropolitana de Aracaju, no estado de Sergipe, Brasil. A turma era composta por 42 (quarenta e dois) alunos(as), com faixa etária entre 14 e 17 anos, com aulas em dois dias da semana. Para as aulas, foram utilizados recursos pedagógicos como bolas de futsal, bambolês, tatames, imagens artísticas de Fernando Botero, atividades impressas e recursos audiovisuais digitais.
Essas aulas visaram estimular os(as) estudantes a repensar o corpo, destacando as transformações históricas dos padrões estéticos e promovendo o diálogo sobre diversidade corporal e suas múltiplas significações. A avaliação final buscou compreender as percepções dos(as) alunos(as) sobre as questões corporais e o impacto das obras de Fernando Botero na ressignificação do imaginário social relacionado aos corpos volumosos.
Assim, o experimento de ensino desenvolvido no Estágio Supervisionado II teve como objetivo investigar possibilidades didático-pedagógicas, utilizando as obras de Botero para abordar o tema do corpo e suas diferenças nas aulas de EF. Esse processo forneceu subsídios teórico-práticos para análises, discussões e reflexões sobre a prática educativa e sua contribuição para a ressignificação dos padrões corporais, as quais passam a ser apresentadas e discutidas nos tópicos textuais que seguem.
Fernando Botero e a estética do corpo volumoso: entre arte e representação
Fernando Botero (FB), artista plástico, pintor, escultor e desenhista colombiano nascido em 1932 e falecido em 2023, destacou-se por sua estética singular marcada pelo volume. Conforme Maggioni (2007), Botero iniciou sua trajetória artística ainda jovem, realizando exposições e estudos em diversas instituições renomadas, como a Academia de San Fernando, em Madri, e a Academia de San Marco, em Florença, além de ter sido influenciado por mestres como Diego Velásquez, Francisco de Goya e os muralistas mexicanos Diego Rivera e José Clemente.
A marca autoral de Botero é o exagero volumétrico, uma técnica que enfatiza a “deformação” das formas e busca evidenciar a sensualidade e expressividade dos corpos representados. Essa estética, frequentemente referida como boterismo, caracteriza-se pela representação de “corpos volumosos” que transcendem a simples descrição realista, configurando-se como um discurso visual que desafia padrões convencionais (Maggioni, 2007).
No campo da Educação Física (EF), o corpo é compreendido não apenas como um objeto biológico, mas como um fenômeno cultural, carregado de significados sociais, históricos e simbólicos. A partir dessa perspectiva, o corpo volumoso – muitas vezes identificado como “gordo” ou “obeso” – carrega uma carga semântica complexa. Rigo e Santolin (2012) destacam que, contemporaneamente, o termo “obeso” tem sido preferido em substituição a “gordo”, devido a conotações consideradas ofensivas e à patologização da gordura corporal, processo este fortemente influenciado pelo discurso biomédico.
Historicamente, a problematização do corpo volumoso inicia-se na Europa do século XVIII, período em que diversas denominações – como gordo, corpulento e adiposo – foram empregadas para descrever corpos que ultrapassavam determinados limites físicos. No Brasil, essa transição linguística também reflete o estigma social e a medicalização da gordura (Rigo e Santolin, 2012). Baptista (2013) enfatiza que pessoas obesas frequentemente enfrentam estigmatização social devido à contradição entre seus corpos e os padrões hegemônicos de beleza disseminados pela mídia, um fenômeno analisado já na obra clássica de Erving Goffman, intitulada “Estigma – notas sobre a manipulação da identidade deteriorada”, publicada originalmente em 1891.
Neste contexto, o presente estudo propõe uma análise reflexiva sobre a articulação entre Arte e EF, tomando como base algumas obras visuais de FB para trabalhar com alunos do Ensino Fundamental II da rede municipal de Nossa Senhora do Socorro/SE. Tal proposta está alinhada às diretrizes da BNCC (Brasil, 2018), que atribui ao professor(a) de EF a competência de reconhecer e problematizar a multiplicidade de padrões relacionados à saúde, estética e beleza corporal, promovendo a análise crítica dos modelos midiáticos e o combate a posturas preconceituosas e consumistas.
Compreende-se que a utilização das obras de Botero nas práticas pedagógicas permite tematizar a diversidade corporal, promovendo a reflexão crítica e a valorização das diferenças, contribuindo para o enfrentamento de estigmas e preconceitos no ambiente escolar. A seguir, apresentam-se as imagens de FB utilizadas para abordar o corpo em sala de aula, acompanhadas de suas respectivas descrições:
Figura 1 – The dancersatthe bar (2001)
Fonte: https://www.wikiart.org/pt/fernando-botero/dancers-at-the-bar
A figura 1 exemplifica a característica estética volumosa típica de FB. Observa-se, nessa representação da bailarina de formas arredondadas, uma subversão das expectativas convencionais do espectador, uma vez que o padrão hegemônico no universo do balé — assim como em diversas modalidades de dança e no contexto esportivo em geral — privilegia corpos esbeltos, musculosos e de aparência magra. Tal ruptura estética propõe uma reflexão crítica sobre os paradigmas normativos que regem a corporeidade nas práticas artísticas e esportivas.
Figura 2 –The Dancers (1987)
Fonte: https://www.wikiart.org/pt/fernando-botero/the-dancers
A Figura 2 representa novamente a temática da dança, agora retratando um casal composto por uma mulher de cabelos longos, vista de costas, trajando um vestido azul com detalhes amarelos e calçando sapatos de salto verde, e um homem de frente, vestido com terno, sapatos sociais e chapéu. Observa-se que o casal não está isolado, pois a cena ocorre em uma pista de dança onde outros casais também participam da dança. O ambiente sugere um salão de baile, possivelmente colombiano, evidenciado pelas cores da decoração suspensa no teto — amarelo, azul e vermelho — correspondentes às da bandeira da Colômbia. Ademais, destaca-se a presença de outros casais com corpos volumosos, anônimos, que compõem a atmosfera da cena.
Figura 3 – Dancing in Colombia (1980)
Fonte: https://www.wikiart.org/pt/fernando-botero/dance-in-colombia
A Figura 3 apresenta uma cena vibrante ambientada em um café, cuja sala aparenta estar superlotada, com a presença de sete músicos — seis homens e uma mulher —, um casal de dançarinos e um jukebox. Elementos como o chão coberto por cigarros, frutas e as lâmpadas expostas no teto indicam um ambiente que sugere certo grau de decadência. Destaca-se uma clara distinção comportamental entre os dois grupos representados: os músicos mantêm olhares fixos, quase estáticos, assemelhando-se a componentes de uma natureza morta inanimada, funcionando como pano de fundo para o casal de dançarinos, que, em contraste, parece estar em movimento dinâmico e expressivo, evidenciado pelos cabelos e pernas em movimento.
Figura 4 – Couple Dancing (1982)
Fonte: https://www.wikiart.org/pt/fernando-botero/couple-dancing
Na quarta obra selecionada para análise, representada pela Figura 4, o tema do casal dançante se destaca novamente, retratado com uma abordagem caricatural e de traços volumosos. A cena se passa em um ambiente simples, possivelmente um bar modesto, evidenciado pela mesa ao fundo com copos, garrafas e uma garrafa caída no chão, sugerindo uma atmosfera despojada e até um pouco caótica.
A mulher, de corpo robusto, veste um vestido vermelho vibrante com detalhes dourados na barra e calça salto alto, enquanto o homem, também de corpo cheio, está trajado com um terno escuro e chapéu marrom, com o rosto levemente carregado, em uma expressão de concentração ou prazer na dança. As cores predominantes — o vermelho do vestido e o verde do fundo — reforçam o contraste e a vivacidade da cena, cores essas que aparecem com frequência em outras obras abordadas no estudo. O estilo volumétrico e a exagerada corporeidade dos personagens ressaltam uma crítica social ou uma celebração das formas humanas fora dos padrões convencionais de beleza.
Figura 5 – Flamenco (1984)
Fonte: https://www.wikiart.org/pt/fernando-botero/flamenco
A Figura 5 retrata uma cena vibrante e cheia de vida, capturando um momento de socialização ao som da música flamenca. São seis pessoas: cinco visíveis por completo e uma que é parcialmente mostrada, evidenciada pela perna feminina subindo os degraus, sugerindo sua saída. No centro, destaca-se uma mulher em vestido vermelho com babados, expressando movimento e emoção, possivelmente dançando. Ao seu lado, outra mulher sentada, vestindo amarelo com estampa floral, acompanha o ritmo batendo palmas, reforçando a atmosfera festiva. Ao fundo, um homem toca violão, enquanto outro, de chapéu, apoia-se descontraidamente no corrimão, conferindo naturalidade ao ambiente. Na parte inferior direita, uma criança em vestido cinza claro também participa, ampliando o sentimento de convivência e alegria. Com as formas volumosas e cores vibrantes características de FB, a obra evidencia traços marcantes da cultura flamenca, transmitindo sua energia e tradição de forma singular.
Arte e corpo na escola: caminhos para uma EF inclusiva e crítica
A escola é uma instituição social que reflete a cultura e as relações da sociedade, e a forma como o corpo é representado e utilizado nela resulta de uma construção histórica (Kraemer; Probst, 2012). A integração da arte com a EF busca ampliar as formas de conhecimento e romper com as concepções tradicionais sobre o corpo.
Segundo Vaz (2002), a construção da identidade corporal ocorre não só na escola, mas em diversos contextos sociais. Apesar das transformações propostas pelo Movimento Renovador da EF nos anos 1980 (que procurou – e ainda procura – dar uma cara pedagógica e sociocultural à EF brasileira), a prática ainda é vista muitas vezes como ligada apenas ao esporte, reforçando estereótipos de gênero. Segundo autores clássicos da EF brasileira, agrupados no que se convencionou chamar de “Coletivo de Autores”, devemos nos perguntar o que é a EF no sentido de busca de sua transformação (Coletivo de Autores, 1992). Assim, uma EF baseada na cultura corporal de movimento – entendido com o objeto da EF na escola, na forma de danças, ginásticas, jogos, brincadeiras, esportes, lutas, atividades circenses, capoeira etc. – deve apresentar aos alunos(as) novas perspectivas sobre temas sociais urgentes na articulação com a temática do corpo e a corporeidade em si.
Diante da complexidade do tema, é fundamental que a abordagem inicial seja acessível e didática. Para aprofundar essa discussão, as próximas imagens tratam dos diferentes corpos e suas representações na escola e na sociedade e são resultado da própria experiência no trato pedagógico com a turma: ‘Os corpos nas animações’ (Figura 6), ‘Corpos em diferentes formas e dimensões’ (Figura 7), ‘Bullying Escolar’ (Figura 8), ‘Reflexões sobre corpos volumosos e saúde’ (Figura 9) e ‘Comentários no TikTok’ (Figura 10), que revela a influência das redes sociais nas percepções corporais atuais por parte dos discentes envolvidos na experiência pedagógica.
Figura 6 – Os corpos nas animações
Fonte: https://segredosdomundo.r7.com/curiosidades/
As imagens compiladas na figura 6 destacam diferentes tipos corporais presentes em animações, servindo como ponto de partida para discutir a temática do corpo. Na sequência, aparecem personagens magros e considerados “padrões” sociais, como Mulher Elástica (Os Incríveis), Crítico Gastronômico (Ratatouille), Salsicha (Scooby-Doo) e Tarzan, que, apesar de suas semelhanças estruturais, mostram singularidades em estatura e forma.
Em contraste, personagens como Majin Boo (Dragon Ball Z), Úrsula (A Pequena Sereia), Patrick Estrela (Bob Esponja) e Senhor Incrível (Os Incríveis) representam corpos “volumosos”, ampliando a discussão sobre diversidade corporal. Essa diferenciação visual foi usada como ferramenta pedagógica para iniciar um debate sobre corpo e arte.
No contexto escolar, esse debate é fundamental para a EF, pois possibilita questionar e desnaturalizar os padrões de beleza difundidos pela mídia. Del Priore e Amartino (2011) alertam que a valorização exagerada de estereótipos corporais tem contribuído para o aumento de doenças relacionadas à insegurança corporal na cultura ocidental.
Figura 7 – Corpos em diferentes formas e dimensões
Fonte: https://in.pinterest.com/pin/592856738433368725/
Durante o processo pedagógico, foi realizada uma atividade em que os(as) alunos(as) foram questionados sobre qual corpo consideravam saudável. A resposta unânime associou saúde ao corpo magro, evidenciando o imaginário social que vincula magreza à saúde, sem considerar os variados contextos dos indivíduos.
Historicamente, a EF foi concebida como educação do corpo por meio da ginástica, construindo o discurso de que a prática física garantiria um corpo são e forte. Conforme Bracht (2006), a EF escolar tem sido influenciada pelo pensamento médico, focando na prevenção de doenças e associando-se mais ao exercício físico do que à dimensão pedagógica.
Assim, é necessário discutir os estereótipos sociais sobre saúde e estética que influenciam a formação dos indivíduos. Essa discussão é fundamental para a prática docente em EF, demandando a desconstrução desses imaginários para que os sujeitos desenvolvam um olhar crítico e contextualizado.
A professora Francielly Baliana destaca que a história da arte está intrinsecamente ligada à história do corpo, espaço onde a arte se manifesta e ocorre a interação sensorial. Embora não haja definição única da relação entre arte e corpo, compreender essa ligação é essencial para os processos educacionais (Jornal da Unicamp, 2018).
Iniciar esse debate com alunos do ensino fundamental requer sensibilidade e fundamentação teórica, pois as aulas de EF muitas vezes carecem de sistematização conceitual. Martiny, Theil e Maciel Neto (2021) ressaltam que a EF escolar pode contribuir para a formação integral dos sujeitos por meio dos saberes específicos da área.
Figura 8 – O Bullying Escolar
Fonte: https://starcasm.net/watch-beyonces-pretty-hurts-video/
A figura 8 refere-se a um trecho do videoclipe ‘Pretty Hurts’, da cantora Beyoncé, que aborda a relação entre beleza e sofrimento. Utilizar esse recurso visual no ambiente escolar ajuda a aproximar os(as) alunos(as) das discussões sobre estética e corpo. No contexto escolar, o bullying muitas vezes se apresenta como brincadeira, exaltando aspectos negativos e reforçando padrões sociais sobre o que é considerado “belo” ou “feio”. Segundo Botelho e Souza (2007), bullying consiste em atitudes agressivas, intencionais e repetidas, marcadas por desigualdade de poder, manifestadas por meio de apelidos, gozações e agressões (física, verbais, psicológicas, virtuais).
Durante a aula, uma aluna com corpo volumoso compartilhou sua experiência de exclusão e preconceito nas aulas de EF, o que sensibilizou seus colegas e evidenciou a relevância de discutir o tema. Daolio (1995) enfatiza que o corpo não deve ser pensado apenas em sua dimensão biológica, mas também a partir das questões sociais e históricas que influenciam sua construção. Um corpo livre é aquele que reconhece seu papel social e exerce sua cidadania. A partir dessa base, a investigação avançou para a articulação das obras de FB no contexto escolar, utilizando recursos visuais para ressignificar a corporeidade e despertar nos(as) alunos(as) um olhar crítico sobre a relação entre corpo, arte e sociedade.
Novos desafios na EF escolar: estudar, conhecer e envolver-se com a arte
Os desafios enfrentados pela EF no ambiente escolar são múltiplos e complexos. Na experiência de ensino realizada, ficou evidente que a deslegitimação da EF no contexto escolar está diretamente relacionada à formação inicial dos professores. Observa-se uma falta de clareza sobre a importância da disciplina dentro da escola, assim como a ausência de uma articulação pedagógica unificada para o ensino da EF. No contexto da escola onde o estágio foi realizado, apesar da existência de três professores de EF, não há uma construção pedagógica integrada que fortaleça o papel da disciplina. Diante disso, questiona-se: qual é a função da EF na escola? Que tipos de corpos desejamos educar?
Essa reflexão está intrinsecamente ligada à compreensão do processo histórico-social que moldou a nossa sociedade, na qual a temática do corpo sempre esteve presente, seja pela dimensão estética, religiosa ou pela disciplinarização corporal. Reconhecer essa trajetória é fundamental para abordar questões contemporâneas na escola. Nesse sentido, a seguir serão apresentadas as intervenções interdisciplinares que articularam Arte e EF no ambiente escolar, a partir do diálogo com o artista FB.
O processo de construção dessa proposta antecede a prática de ensino propriamente dita. A Iniciação Científica realizada entre 2019 e 2020 representou o primeiro contato interdisciplinar entre Arte e EF, ambas inseridas no campo das "linguagens". Para introduzir essa abordagem em sala, foi necessária uma compreensão aprofundada sobre o artista, suas obras e os objetivos pedagógicos de trabalhar esses conteúdos na EF. Para tanto, os(as) alunos(as) foram apresentados ao artista FB e às suas obras, que retratam corpos e objetos volumosos, o que facilitou o envolvimento e a mobilização dos estudantes no processo.
Com os alunos já familiarizados com a temática das aulas introdutórias, foi possível avançar para a compreensão do conceito de saúde segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS). Aproveitando essa oportunidade, foram apresentados os Determinantes Sociais da Saúde, definidos por Buss e Pellegrini Filho (2007, p. 3) como “[...] fatores sociais, econômicos, culturais, étnicos/raciais, psicológicos e comportamentais que influenciam a ocorrência de problemas de saúde e seus fatores de risco na população”.
Ao retomar esses conceitos, os(as) alunos(as) identificaram o equívoco de associar automaticamente um corpo magro à saúde, ampliando sua visão sobre o tema e reconhecendo que corpos volumosos não significam necessariamente doença. Dessa forma, a discussão proporcionou a compreensão da diversidade corporal na sociedade, reafirmando a importância de oportunizar e problematizar essas questões no ambiente escolar.
Figura 9 – Reflexões sobre corpos volumosos e saúde
Fonte: https://www.ouniversodatv.com/2020/09/episodios-ineditos-de-quilos-mortais.html
Ao propor uma reflexão sobre corpos volumosos, é fundamental compreender que a obesidade, assim como a anorexia, é uma condição clínica, e que o objetivo desta abordagem não é romantizar a doença, mas ampliar a discussão sobre os imaginários sociais relacionados à beleza, estética e saúde, para além dos discursos midiáticos. Para isso, foi exibido um trecho da série Quilos Mortais, permitindo que os alunos visualizassem a diferença entre saúde, doença e estética.
Nas aulas subsequentes, o foco recaiu sobre a análise das obras de FB, alinhada ao conceito de exotopia, de Bakhtin, citado por Villarta-Neder (2015), que entende o “excedente da visão do outro” como uma esfera de experiências que completam a percepção do outro por meio da alteridade e do deslocamento subjetivo.
A partir dessa perspectiva, os alunos interpretaram as imagens apresentadas, destacando não apenas o volume corporal das figuras, mas aspectos culturais e sociais representados. Exemplos das descrições incluem:
· A percepção de um casal “gordinho” dançando alegremente em um ambiente festivo, com destaque para a felicidade e a socialização, independentemente do padrão corporal (Alunos 1, 3 e 4).
· Reflexões sobre preconceitos sociais que atribuem incapacidade aos corpos fora do padrão dominante (Aluno 2).
· Observações sobre o contexto histórico e cultural da cena, percebendo a ambientação retrô e o clima de confraternização (Aluno 5).
Essas interpretações evidenciam que os(as) alunos(as) conseguiram ampliar sua visão para além do volume corporal, reconhecendo a potência cultural e social dos corpos representados. A aplicação da exotopia, como um deslocamento para o lugar do outro, possibilitou a compreensão da corporeidade como expressão de identidade, movimento e sociabilidade.
As obras de Botero apresentadas à turma, por meio do exagero volumétrico de suas figuras, revela a importância da dança e da socialização na cultura colombiana, ressaltando corpos que se movimentam, experimentam alegria e não se limitam por padrões estéticos rígidos. Essa abordagem contribuiu para que os(as) alunos(as) desenvolvessem uma visão mais crítica e inclusiva da corporeidade.
Figura 10 – Comentários no TikTok
Fonte: https://www.tiktok.com/upload?lang=pt_BR
A imagem apresenta comentários extraídos do aplicativo TikTok que evidenciam discursos de ridicularização e exclusão dirigidos a corpos fora dos padrões sociais vigentes. Considerando que a maioria dos(as) jovens está amplamente conectada às redes sociais, como Instagram, TikTok e Facebook, é fundamental refletir sobre o impacto desses discursos na construção da autoimagem e das percepções corporais.
Conforme Mendes e Mezzaroba (2012), o corpo é marcado pela cultura midiática, que privilegia o culto ao corpo “sarado”, influenciando atitudes e percepções presentes no ambiente escolar, incluindo os espaços destinados à EF. Nesse sentido, a análise dos comentários dos alunos — mais de 30, majoritariamente maldosos — revelou a prevalência de atitudes preconceituosas que, frequentemente, ficam ocultas no ambiente digital, mas que refletem estigmas sociais presentes no cotidiano.
Os(as) alunos(as) reconheceram que tais discursos digitais contribuem para inseguranças e julgamentos sobre seus próprios corpos, manifestando uma necessidade urgente de abordagens pedagógicas que promovam reflexão crítica. A articulação entre EF e Artes, nesse contexto, apresenta-se como uma estratégia eficaz para sensibilizar e mobilizar os estudantes a questionarem e enfrentarem esses estereótipos.
Na sequência das atividades, foi realizada uma dinâmica prática em que os alunos montaram quebra-cabeças com imagens de FB, seguidos por uma atividade teatral de interpretação, estimulando a expressão e a reflexão sobre os temas abordados. A culminância desse processo foi um debate estruturado, momento em que os(as) alunos(as) foram divididos em dois grupos — um defendendo o corpo magro e outro a diversidade corporal na prática do movimento.
O debate, conduzido a partir de perguntas-chave sobre saúde, história do corpo gordo, representações nas obras de Botero, e os efeitos dos padrões estéticos, resultou em uma expressiva mudança de perspectiva, com a maioria dos estudantes (35 do total de 42 da turma) reconhecendo a validade da diversidade corporal para a participação social e física.
Essa experiência aponta para a necessidade de repensar a EF na escola, superando sua concepção tradicional de preparação física ou disciplina isolada, e avançando para um projeto educativo que reconheça e valorize a pluralidade corporal, promovendo a leitura crítica do mundo (González; Fensterseifer, 2010). Ao final do processo, os depoimentos dos(as) alunos(as) evidenciaram o impacto positivo da proposta, reconhecendo a importância da reflexão sobre o corpo, o bullying e a valorização da diversidade.
Considerações Finais
As obras de Fernando Botero enriqueceram significativamente nossa prática docente ao estabelecer um diálogo entre Arte e EF, permitindo que os(as) alunos(as) compreendessem a complexa relação entre corpo, cultura e estética. A experiência desenvolvida incentivou reflexões críticas sobre os padrões corporais vigentes e os estigmas associados aos corpos volumosos, promovendo uma visão mais inclusiva, respeitosa e consciente dentro do ambiente escolar.
Tradicionalmente, a EF tem abordado o corpo sob uma perspectiva biológica e funcional, mas nosso trabalho buscou ampliar esse olhar, incorporando aspectos culturais, sociais e históricos, conforme orientações da Base Nacional Comum Curricular (Brasil, 2018). Nesse contexto, o papel do(a) professor(a) é fundamental para estimular a valorização da diversidade corporal e utilizar o corpo e a arte como ferramentas políticas e educativas para a compreensão das diferenças.
Nossa experiência com alunos(as) do ensino fundamental da rede municipal de Nossa Senhora do Socorro, em Sergipe, no nordeste brasileiro, teve como foco responder à questão: como a arte pode ser utilizada na EF para abordar corpo, cultura e estética por meio das obras de FB? As obras do artista não exaltam o corpo obeso nem incentivam a obesidade; pelo contrário, exploram a estética do exagero, da sensualidade e da tensão para provocar questionamentos críticos sobre os padrões estéticos vigentes, tornando-se um recurso pedagógico valioso para discussões sobre corpo, história, arte e cultura.
Dessa forma, reafirmamos que o diálogo entre Arte e EF possibilita uma prática docente mais crítica, inclusiva e significativa, que valoriza a diversidade corporal e promove a participação social sem preconceitos. Essa visão ampliada da corporeidade contribui para a construção de uma EF que vai além da técnica e do funcional, tornando-se um espaço de reflexão e transformação.
REFERÊNCIAS
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[1] Mestrando em Educação (PPGED/UFS), licenciado em Educação Física (UFS) e membro do GEPESCEF – Grupo de Estudos e Pesquisas Sociedade, Cultura e Educação Física. Orcid: https://orcid.org/0000-0002-7114-8200. E-mail: soulucas1567@gmail.com.
[2] Doutorando em Educação (PPGED/UFS), na linha de pesquisas Tecnologias, Linguagens e Educação. Mestre em Educação (2023) pela UFS, com bolsa CAPES, na linha Educação e Comunicação. Orcid: https://orcid.org/0000-0003-0089-4852. E-mail: jadissonsilva92@gmail.com.
[3] Licenciado em Educação Física e Ciências Sociais (UFSC), mestre em Educação Física (UFSC) e doutor em Educação (UFSC), com Estágo Pós-Doutoral em Sociologia na Universidad Nacional de San Martín (UNSAM/Argentina). Coordenador do GEPESCEF-UFS e integrante do Laboratório de Pesquisas Sociológicas Pierre Bourdieu (LAPSB/UFSC) e do Núcleo de Estudos e Pesquisas Educação e Sociedade Contemporânea (UFSC). Orcid: http://orcid.org/0000-0003-4214-0629. E-mail: cristiano_mezzaroba@yahoo.com.br.
[4] É um renomado artista plástico colombiano, conhecido mundialmente por seu estilo único denominado “boterismo”, que se caracteriza pela representação de figuras humanas e objetos com proporções exageradas e volumosas. Suas obras exploram aspectos sociais, culturais e políticos, frequentemente com uma abordagem crítica e satírica. Botero é considerado um dos artistas latino-americanos mais influentes da contemporaneidade.